06/11/2009

Ministro aprova passarela para Santa Rita


[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

O ministro dos Transportes, senador Alfredo Nascimento (PR-AM), comunicou ao deputado Bilac Pinto (PR-MG), na semana passada, que o governo federal construirá uma passarela para pedestres em Santa Rita do Sapucaí. Nascimento determinou também que seja verificada a legalidade da construção do acesso ao distrito industrial do município, nas proximidades da usina da Cooperativa Regional Agropecuária (CooperRita).

A passarela é reivindicada pelos moradores do bairro Pedreira desde a duplicação da rodovia federal Juscelino Kubitschek de Oliveira (BR-459). A comunidade de pouco mais de 50 casas fica na entrada de Santa Rita, entre dois retornos, praticamente isolada pela mureta de concreto que divide a estrada. Quem mora no bairro e precisa atravessar a pista a pé, numa curva, corre perigo todos os dias.

A necessidade da passarela foi exposta pelos vereadores santa-ritenses durante reuniões com os deputados Bilac Pinto e Dalmo Ribeiro Silva (PSDB), de março a abril deste ano. Em seguida, uma comissão da Câmara Municipal levou a proposta ao superintendente regional do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), Sebastião Donizete de Souza. No início de outubro, a Gazeta do Vale procurou o Dnit e assessores dos dois parlamentares, mas a obra ainda não havia sido confirmada pelo Ministério dos Transportes.

A reportagem voltou a telefonar para o escritório do Dnit em Pouso Alegre na última semana. O analista administrativo do órgão, Wagner Lopes Alves, não soube informar quando a obra será iniciada, mas disse que a inclusão da BR-459 no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) facilita a liberação de recursos para a passarela. “Vai ser uma questão mais burocrática do que orçamentária”, resumiu Alves, ao explicar que a execução da obra é precedida de uma licitação para escolha da empreiteira.

Foto: arquivo do Ministério dos Transportes

Cineasta sul-mineiro é convidado a participar de mostra na França

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

O cineasta sul-mineiro Flávio Chiarini Pereira foi convidado a exibir seu curta-metragem ‘Fance’ na 22ª edição dos Encontros de Cinema da América Latina de Toulouse, no sul da França. O convite foi feito em 17 de outubro, após a exibição do segundo filme de Chiarini no festival CineBH, na capital mineira. A mostra de Toulouse deve acontecer em março de 2010 e já homenageou, entre outros brasileiros, o ator Lázaro Ramos (2007) e o diretor José Mojica Marins (2002). Dezessete países foram representados na última edição.

O título ‘Fance’ foi escolhido por sua relação com a palavra ‘infância’ – em latim, ‘in’ significa ‘não’, e ‘fance’ é sinônimo de ‘fala’. Por isso, o objetivo do documentário experimental de Chiarini é dar voz a crianças. Gravado em 2007, o curta havia sido exibido em festivais de cinema de São Paulo (Livraria Cultura), Porto Alegre (CineEsquemaNovo), Goiânia (MIAU) e Itajaí (Catarina Festival).

Antes do sucesso de ‘Fance’, Chiarini havia criado e dirigido o documentário ‘A História de Delinho’, que narra a vida de uma das figuras mais populares de Estiva. O primeiro filme deu nome à Mostra Delinho de Cinema, promovida anualmente na terra natal do personagem. Na semana passada, o cineasta concluiu o filme ‘Agenor Ferro Véio’, que expõe a trajetória de outro estivense folclórico. “Gosto de documentários porque existem pessoas muito interessantes no mundo. Através de seus olhares aprendo novas formas de ver e tento passar isso para outras pessoas”, diz Chiarini sobre a repetição da fórmula que consagrou Delinho.

Quem é – Flávio Antônio Chiarini Pereira, 29, é pouso-alegrense, mas passou a maior parte de sua vida em Estiva. Após graduar-se em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), retornou ao Sul de Minas para lecionar em Pouso Alegre, Estiva, Cambuí e Bom Repouso. Seu envolvimento com a sétima arte se deu a partir da seleção de ‘A História de Delinho’ para o projeto Revelando os Brasis, do governo federal. Depois desse filme, Chiarini voltou a morar em Florianópolis, onde cursa Cinema na UFSC.

‘Empreendedores mirins’ expõem trabalhos em SRS


[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

O Centro Educacional Alegria de Viver (Ceav), de Santa Rita do Sapucaí, promoveu no dia 30 de outubro a quarta edição da Expo Sonho, feira anual de ‘empreendedores mirins’. Todos os 96 alunos da instituição apresentaram trabalhos em estandes montados no Ginásio Poliesportivo Municipal Dr. José Alcides Rennó Mendes (Alcidão). Com o tema ‘História de Sucesso’, a feira deste ano expôs a trajetória de dez empresas santa-ritenses criadas há mais de uma década.

O projeto é uma das atividades da disciplina Empreendedorismo, presente na grade curricular do pré de 4 anos até a 5ª série do ensino fundamental. Cada turma escolheu o nome de uma empresa fictícia. As salas foram divididas em grupos, cada qual responsável por representar uma empresa real. De acordo com a diretora do Ceav, Maria Cleusa da Silva, a feira foi criada para desenvolver a oralidade e a desinibição das crianças.

A turma do 4º ano recebeu o nome de ‘Rádio Gazeta Kids’ e apresentou a história da Rádio Difusora Santarritense, que completou 62 anos em 2009. Os alunos visitaram as duas emissoras do grupo empresarial (Difusora AM e D2 FM), onde emprestaram alguns materiais para a exposição, como discos de carvão e vinil, antigos aparelhos de rádio e uma vitrola. Uma das componentes da equipe, Giovanna, é bisneta do fundador da empresa, Ruy Brandão. O diretor administrativo da Difusora, Richard Wagner Brandão, visitou a feira e declarou que ‘Seu Ruy’ foi um exemplo de persistência.

Outra empresa tradicional da cidade, a Tipografia São Miguel, foi homenageada pela equipe ‘Tipo e Grafia’, do 3º ano. A oficina cedeu às alunas Gabriela, Nathália e Ana Clara alguns exemplares do jornal ‘O Correio’, editado pela empresa durante 30 anos. O trio exibiu também uma caixa de tipos (letras de metal usadas na impressão de jornais, cartazes e panfletos). À frente da tipografia há 41 anos, Ivo de Carvalho foi representado no evento pelo filho Luciano, que disse que o fundador “aprendeu tudo pelo esforço e pela criatividade”.

Fotos: Jonas Costa

Negociação salarial é encerrada no Vale da Eletrônica

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

A negociação salarial entre as entidades que representam o operariado (Sindmetsrs) e a classe patronal (Sindvel) de Santa Rita do Sapucaí chegou ao fim na última semana. Os sindicatos acordaram os seguintes valores, retroativos a 1º de outubro: piso de R$ 520 para empresas com até 120 funcionários (aumento de 11,83%); piso de R$ 570 para firmas com mais de 120 empregados (acréscimo de 11,88%); reajuste de 8% para quem recebe acima do piso e abaixo de R$ 1 mil; e aumento de 7% àqueles que ganham mais de R$ 1 mil.

No início da campanha salarial, o Sindmetsrs reivindicou pisos entre R$ 637,91 e R$ 739,98. Após algumas reuniões com dirigentes do Sindvel, os representantes dos trabalhadores passaram a defender os valores mínimos de R$ 534 e R$ 585, conforme a quantidade de funcionários da empresa. Insatisfeitos com a contraproposta dos empresários, os operários iniciaram a mobilização sindical no final de setembro, mas não houve paralisação de atividades.

Os dois sindicatos chegaram a um consenso sobre as cláusulas sociais a serem observadas nos próximos dois anos. A presidente do Sindmetsrs, Maria Rosângela Lopes, ressalta duas conquistas: a obrigatoriedade de toda empresa reservar locais para amamentação de filhos de operárias, e a flexibilização do horário para o trabalhador-estudante. Não houve acordo quanto à criação de creches, mas Lopes entregou aos empresários um projeto de centro de educação infantil, elaborado pela Prefeitura, para atender 250 crianças.

A reportagem procurou o presidente do Sindvel, Roberto de Souza Pinto, e o representante da classe patronal na negociação salarial, Gustavo Bueno Borges, mas não conseguiu entrevistá-los.

Marketing do suicídio

Obsolescência planejada (ou programada). O nome é complicado, mas tem significado bastante simples. Esta expressão denomina uma estratégia do capitalismo que consiste em programar a substituição dos produtos, de tempos em tempos, para que os mais novos sempre pareçam indispensáveis. Isso significa introduzir bens e serviços no mercado já calculando quando cairão em desuso para dar lugar a futuros lançamentos.

Dos celulares aos veículos, das bolsas femininas às geladeiras, tudo é renovado em velocidade crescente. É cada vez mais comum ouvir que determinado modelo saiu de linha ou caiu de moda. A obsolescência planejada cria postos de trabalho, gera renda, faz girar a roda da economia, mas, por outro lado, é responsável por efeitos nefastos, como o aumento de vários tipos de poluição, o aprofundamento do individualismo e a alienação de mentes.

A pior consequência dessa estratégia ambiciosa e irresponsável é a ampliação do consumo desnecessário e irracional. Torpedeados por propagandas que ‘vendem’ um estilo de vida considerado moderno, os consumidores não hesitam em comprar o automóvel que simboliza arrojo, o celular recomendado pela protagonista da novela, o computador portátil que teria despencado 50% numa promoção... Aí entra a obsolescência perceptiva, ou seja, a impressão de que algo não serve mais porque é démodé.

Os níveis de consumo atuais são insustentáveis. Para satisfazer às necessidades artificiais da humanidade, não há outro caminho senão o uso dos recursos naturais – sinônimo de destruição da natureza e da qualidade de vida na Terra. Quanto maior o consumo, maior a produção. Mais produtos exigem mais embalagens e mais combustíveis para que as novidades cheguem às prateleiras.

Incontáveis problemas são provocados pelo consumismo sem limites. Toneladas de baterias e pilhas são descartadas inadequadamente todos os dias, contaminando o solo, a água e a vida. Atira-se tudo em latas de lixo com a ilusão de que se está jogando fora. No entanto, os frutos do consumo supérfluo só podem ser jogados dentro. Dentro de um planeta agonizante. Dentro de um futuro sombrio.