24 de dez de 2008

Magno deve voltar a presidir Câmara Municipal em 2009

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

O vereador reeleito Magno Magalhães Pinto (PT) deve ser candidato único à presidência da Câmara Municipal de Santa Rita do Sapucaí em 2009. A Gazeta apurou que a chapa liderada pelo petista indicará João Paulo Sampaio (PDT) para vice-presidente e Vagner Fernandes Mendes (PR) para secretário. A eleição para os cargos da mesa diretora acontece no dia 1º de janeiro do próximo ano, logo após a posse dos vereadores.

Magno presidiu a Câmara em 2005 e confirma as articulações para retornar ao posto. O vereador será o único representante do PT na legislatura 2009/2012, mas afirma que outros quatro partidos apóiam sua candidatura: PDT, PR, PV e PSB. As cinco legendas governistas têm, juntas, oito dos nove parlamentares. Diante desse quadro favorável, Magno comenta que a formação de chapa única é “uma questão de lógica”.

O petista entende que o PDT abriu espaço para sua candidatura ao não entrar na disputa pela presidência. A bancada pedetista será a maior a partir de 2009, com três integrantes – o mais votado da eleição, João Paulo, é um deles. “Seria natural que o PDT pleiteasse a presidência”, reconhece Magno.

João Paulo admite que decidiu disputar o cargo de vice-presidente para facilitar um acordo com os outros vereadores. “Para haver consenso, abri mão”, diz. Os pedetistas Domásio Roque da Fonseca e Waldecir Maciel Januário também são favoráveis à composição. “Estou com o meu partido, que indicou o professor João Paulo”, comenta Waldecir.

Vagner Mendes assume que pretende ser candidato a secretário. Hudson dos Reis Carvalho Pinto (PV), João Batista Rezende (PSB) e Sebastião Cláudio da Silveira (PR) dizem que votarão na chapa liderada por Magno. O único vereador da oposição, Clarismon Inácio (PSDB), não revela seu voto, mas antecipa que não terá uma postura radical no próximo mandato. “Temos que trabalhar juntos e olhar para Santa Rita”, sugere o tucano.

Juiz de SRS aprova contas, mas vê irregularidades

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

A Justiça Eleitoral encontrou irregularidades nas contas de campanha de quatro políticos eleitos em Santa Rita do Sapucaí no dia 5 de outubro deste ano. Apesar dos supostos erros, os candidatos tiveram suas contas aprovadas com ressalvas pelo juiz da 248ª zona eleitoral, Romário Silva Junqueira. Nenhuma irregularidade foi encontrada nos relatórios apresentados por seis eleitos. As sentenças foram publicadas de 3 a 10 de dezembro.

Conforme despacho do juiz, o comitê financeiro do prefeito reeleito Paulo Cândido da Silva (PV) teria realizado “movimentação financeira imprópria, com saque de cheques recebidos em doação e depósito dos respectivos valores em dinheiro com CNPJ do candidato e pagamento de despesas coletivas com o mesmo cheque, desobedecendo à determinação de emissão de cheque nominal”. O documento assinado por Romário Junqueira classifica esses fatos como “irregularidades de menor relevância”.

Também foram aprovadas com ressalvas as contas dos vereadores eleitos João Paulo Sampaio (PDT), Domásio Roque da Fonseca (PDT) e João Batista Rezende (PSB). João Paulo não apresentou o termo de cessão de um veículo utilizado em sua campanha e não comprovou uma despesa com documento fiscal adequado. No caso de Domásio, houve demora na abertura de conta bancária e falta de termo de cessão de um veículo. João Batista também abriu sua conta de campanha com atraso, mas arrecadou recursos financeiros antes do prazo. O juiz considerou pouco relevantes as supostas falhas dos três políticos.

A Justiça Eleitoral não encontrou irregularidades nas contas de seis vereadores eleitos: Clarismon Inácio (PSDB), Hudson dos Reis Carvalho Pinto (PV), Magno Magalhães Pinto (PT), Sebastião Cláudio da Silveira (PR), Vagner Fernandes Mendes (PR) e Waldecir Maciel Januário (PDT). A chefe do Cartório Eleitoral de Santa Rita do Sapucaí, Aline Cássia da Silva, esclarece que a aprovação com ressalvas não compromete a diplomação nem a posse dos eleitos. Aline adverte que os candidatos que não prestaram contas de suas receitas e despesas não terão acesso à certidão de quitação eleitoral. Esse documento é exigido para inscrição em concursos públicos e emissão de passaportes, por exemplo.

Outro lado – A reportagem entrou em contato com os políticos que tiveram contas aprovadas com ressalvas. O prefeito reeleito ‘Paulinho da Cirvale’ afirmou que desconhecia a exigência de emissão de cheques nominais individuais. João Paulo Sampaio alegou que não teria havido má-fé, apenas desconhecimento de que a cessão do próprio veículo deveria ser oficializada. João Batista Rezende declarou que o atraso na abertura de sua conta de campanha teria acontecido por “erro do banco”. Domásio Roque da Fonseca não foi encontrado até o fechamento desta edição.

'Taxa de Iluminação' está de volta em Santa Rita

[Versão ampliada de reportagem para a Gazeta do Vale]

A contribuição econômica conhecida como ‘Taxa de Iluminação Pública’ voltará a ser cobrada em Santa Rita do Sapucaí a partir de janeiro de 2009. Extinto há seis anos, o tributo foi proposto pelo prefeito Paulo Cândido da Silva (PV) e aprovado pela Câmara Municipal na manhã de segunda-feira, 22. Os ex-prefeitos Jefferson Gonçalves Mendes (PSB) e Ronaldo de Azevedo Carvalho (PSDB) também haviam tentado instituir a cobrança, mas não obtiveram apoio dos vereadores.

O projeto de lei complementar foi votado em duas sessões, nos dias 19 e 22 de dezembro. Em ambas, a proposta recebeu cinco votos favoráveis: Antônio Monserrat de Souza (PT), Magno Magalhães Pinto (PT), Marcos Avelino de Souza (PR), Raimundo Norberto (PDT) e Vagner Fernandes Mendes (PR). Outros quatro vereadores foram contrários na primeira reunião e se ausentaram na segunda: Aníbal do Rego de Medeiros Neto (PSDB), Clarismon Inácio (PSDB), Marlene Maria Dias Carneiro (PSDB) e Mauri Rodrigues de Lima (PP).

O projeto estabelece três faixas de valores, que serão adotadas de acordo com o consumo mensal de energia elétrica. Os proprietários de imóveis com gasto entre 101 kW/h e 200 kW/h pagarão R$ 2,27 por mês. Se consumir entre 201 kW/h e 300 kW/h, o contribuinte desembolsará R$ 4,55. Para gastos acima de 300 kW/h, será aplicado o valor mensal de R$ 22,74. Serão isentos todos os habitantes de bairros rurais. Os moradores da zona urbana que consumirem até 100 kW/h também não precisarão contribuir.

As três alíquotas foram calculadas sobre a tarifa de iluminação pública fixada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que atualmente é de R$ 189,55. As faixas correspondem a 1,2% da tarifa (R$ 2,27), 2,4% (R$ 4,55) e 12% (R$ 22,74). O projeto de lei prevê que os reajustes decididos pela Aneel só valerão em Santa Rita após a aprovação dos novos valores pela Câmara Municipal. Além disso, a contribuição só sofrerá aumento no ano seguinte à autorização dos vereadores.

Durante a discussão do projeto no plenário da Câmara, ‘Paulinho da Cirvale’ explicou que os recursos provenientes da contribuição serão investidos exclusivamente na rede urbana de iluminação pública. “Qual é o objetivo dessa iniciativa? Fazer melhorias para o povo. Quais são elas? Substituição dos braços de iluminação e luminárias de forma a obter maior claridade nas ruas, com isso contribuindo com a maior segurança da população”, disse.

De acordo com os cálculos da Prefeitura, a ‘Taxa de Iluminação Pública’ gerará uma receita de mais de R$ 400 mil no próximo ano. O assessor municipal de Planejamento e Desenvolvimento, Yago Euzébio Bueno de Paiva Junho (PT), afirma que a iluminação de ruas e praças representa um gasto anual de R$ 755 mil, mas o orçamento de 2009 destina R$ 900 mil para essa despesa. Segundo Yago, o dinheiro que sobra não é suficiente para aperfeiçoar e ampliar o serviço de iluminação nos bairros periféricos.

Conforme números citados pelo prefeito, 873 consumidores que integram a “população mais privilegiada” pagarão 55,6% do montante a ser arrecadado. De acordo com Paulinho da Cirvale, 43,5% dos santa-ritenses serão beneficiados pela isenção e outros 48,5% contribuirão com R$ 2,27 ou R$ 4,55. “A impressão que se passa é que nós estamos aumentando ou tendo mais uma taxa. E não é isso. É preciso entender que essa contribuição vem melhorar a nossa cidade justamente àquelas pessoas mais carentes”, comentou o prefeito, que é empresário.

Outro empresário, o vereador ‘Mauri da Usivale’, discorda do prefeito. “Isso vai ser mais um imposto. Para o resto das nossas vidas, a duplicata embaixo do travesseiro. Sou a favor de mais pessoas pagarem os impostos já existentes, não de aumentar os impostos para as pessoas que já pagam”, afirmou Mauri durante a sessão do dia 19.

O vereador ainda questionou Paulinho sobre a data da proposta. “Por que esse projeto aos 44 minutos do segundo tempo? Por que esse projeto não veio antes? Não vi uma vírgula no programa de governo do prefeito sobre esse assunto”. Em entrevista à Gazeta, Paulinho alegou que “faltou tempo hábil”, pois foi empossado em abril e em seguida dedicou parte de seu tempo à campanha eleitoral.

O vereador Magno Magalhães defendeu a aprovação do projeto, que, segundo ele, é a única forma de assegurar investimentos no sistema de iluminação de vias públicas. O petista ressaltou que o dinheiro arrecadado com a contribuição só poderá ser utilizado para essa finalidade. “Imposto comum vai para o caixa comum e tem que ser usado para tudo. Então, na hora do aperto, a Prefeitura vai destinar o dinheiro do imposto para as despesas mais emergenciais. Agora, quando é uma contribuição com função definida, não se pode mexer nela”.

O líder da bancada governista, Vagner ‘Gamarra’ Mendes, relatou que freqüentemente ouve pedidos de instalação de postes e luminárias. “Nós, vereadores, somos cobrados. Se não tiver recurso, como é que vai ter esses braços de luz?”, indagou. Já o parlamentar oposicionista Clarismon ‘Bodinho’ Inácio se queixou que “a classe média vai pagar pelo pobre”.

20 de dez de 2008

Contribuição para iluminar o debate

“Taxa de indignação pública”. Este foi o título de um editorial do jornal Minas do Sul escrito por mim no final de 2005. Nesse texto, critiquei a tentativa de recriação da contribuição econômica conhecida como ‘Taxa de Iluminação Pública’ em Santa Rita do Sapucaí. A proposta havia sido apresentada pelo então prefeito Ronaldo de Azevedo Carvalho (PSDB), ex-inimigo número 1 da cobrança e dono do próprio Minas do Sul. Contrariar o patrão custou caro, mas nenhum santa-ritense voltou a pagar o polêmico tributo depois daquele artigo. Não fui demitido nem advertido, porém não escrevi outros editoriais para o jornal e ali perdi espaço.

Ronaldo Carvalho estava concluindo o primeiro ano de mandato com a popularidade em alta e, discretamente, articulava a aprovação de uma reforma tributária. A proposta, evidentemente, aumentaria a arrecadação do Município em 2006. Uma iniciativa semelhante surgiu agora, em 2008. O atual prefeito, Paulo Cândido da Silva (PV), chega ao fim de seu primeiro ano no cargo reeleito com 63% dos votos e disposto a criar novamente a contribuição. Mais uma vez, tudo acontece sem alarde. Aliás, a mesma discrição existiu em 2002, quando o ex-prefeito Jefferson Gonçalves Mendes (PSB) tentou oficializar a ‘taxa’, mas recuou para evitar uma derrota.

Quando ouvi os primeiros rumores de que o tributo poderia voltar, procurei o prefeito ‘Paulinho da Cirvale’ no Paço Municipal. Uma pessoa que o assessora informou que tratava-se de um projeto de lei complementar que, porém, iria ser retirado pelo chefe do Poder Executivo. Paulinho chegou à sede da Prefeitura minutos depois e por mim foi indagado sobre o assunto: “O senhor me dá uma entrevista?” De bate-pronto, ouvi um “não”. Educadamente, ele explicou que não havia desistido da idéia, mas só iria se pronunciar quando a Câmara Municipal começasse a discutir o projeto de lei. O prefeito ainda justificou a proposta: a contribuição seria destinada à ampliação e melhoria da iluminação pública urbana.

A matéria foi colocada em pauta na manhã de ontem (19), quando os vereadores aprovaram o projeto em primeira votação. O segundo turno está marcado para a próxima segunda-feira e é provável que o resultado se repita: cinco votos a quatro. Não comemoro nem lamento o possível retorno da contribuição. Admito: era contrário quando cheguei à Câmara e saí de lá favorável. Fui contra a proposta inicial, que oneraria demais os cidadãos santa-ritenses. Mas o documento que passou pelo plenário ontem é mais justo – e justa parece ser sua finalidade, ainda mais no momento em que o Executivo reorganiza as finanças municipais.

A questão é complexa e não se resolve com demagogia. É cômodo condenar o tributo hoje e reclamar da falta de investimentos amanhã. Penso que Paulinho foi sensato ao ouvir os vereadores e flexibilizar o projeto. Conforme dados expostos pelo prefeito e empresário, 873 consumidores que ocupam o topo da pirâmide social pagarão 55,6% do montante a ser arrecadado para que os bairros periféricos tenham iluminação adequada. Quem mora na área rural ou consome até 100 kW/h mensais será isento. A maioria da população pagará de R$ 2,27 a R$ 4,55 por mês. É o preço da segurança, pois não se iluminam as ruas da cidade com discursos.

A nova contribuição econômica merecia uma discussão mais ampla, dentro e fora do Legislativo. Foi chamada de “inadiável” pelo prefeito, mas, justamente por isso, poderia ser sugerida antes, bem antes, inclusive no plano de governo divulgado durante a campanha eleitoral. Por outro lado, em 2009 será possível reivindicar mais e melhores luminárias, pois haverá recursos para este fim. A comunidade deve permanecer atenta para que os novos vereadores – oito são governistas – não aprovem reajustes de alíquotas tão cedo.

Mas, afinal, por que mudei de opinião? Ora, deve ser porque, de 2005 para cá, a cidade mudou para pior e a proposta mudou para melhor. Isso é incoerência ou bom senso?

18 de dez de 2008

Phihong vendeu materiais no dia do leilão, diz ex-gerente

[Reportagem de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Um ex-funcionário do grupo FIC/Phihong denunciou ao Sindicato dos Trabalhadores de Santa Rita do Sapucaí que materiais e equipamentos teriam sido retirados do prédio da indústria na manhã de 4 de dezembro, poucas horas antes do leilão de bens da empresa. A sede e as máquinas da Phihong foram compradas por mais de mil ex-empregados para os quais a indústria deve verbas rescisórias.

Ex-gerente comercial da First International Computer (FIC) e da Phihong PWM Brasil, Mozart Zaghi afirma ter descoberto que os produtos foram adquiridos por uma empresa santa-ritense que comercializa sucata. “Verificamos que esse material tinha caminhado até uma empresa de Santa Rita que, em princípio, de uma maneira lícita, adquiriu os produtos que para ela foram vendidos. Mas não sabemos qual era a mercadoria e por quem estava sendo transacionada”, relata.

O ex-gerente considera suspeita a retirada de materiais, que, segundo ele, teria ocorrido das 4h às 7h do dia 4 de dezembro. O leilão, que aconteceria na sede do grupo, foi realizado a partir das 10h num hotel situado no centro da cidade. A mudança de local foi determinada pela Justiça do Trabalho depois que a energia elétrica do prédio foi cortada por falta de pagamento. “Achamos muito suspeito um caminhão entrar às 4 horas da manhã numa empresa que não tem luz”, justifica Mozart.

O Sindicato dos Trabalhadores encaminhou a denúncia do ex-funcionário à Vara do Trabalho de Santa Rita em 12 de dezembro. A petição foi assinada pelo advogado da entidade sindical, Ronaldo Kersul, e solicitou que um oficial de Justiça verificasse “se foram retirados da empresa os bens penhorados para pagamento dos processos trabalhistas”. Na segunda-feira, 15, o pedido foi negado pelo juiz substituto Júlio Corrêa de Melo Neto, que argumentou que a denúncia “se funda apenas em alegações sem provas”.
Mozart afirma que a obtenção de documentos capazes de comprovar o transporte e a venda dos produtos depende justamente de autorização judicial. Ele conta que procurou a empresa responsável pela vigilância do prédio da Phihong para solicitar cópias dos registros de circulação de veículos pelo local, mas foi orientado a acionar a Justiça para ter seu pedido atendido. “Estamos ‘correndo atrás do rabo’: sem um documento, não conseguimos o outro”, lamenta.

Para o ex-gerente comercial, é possível que a venda tenha ocorrido de forma legal para quitação de débitos, mas não há informações oficiais que sustentem esta tese. “Os administradores anteriores alegavam que precisavam vender alguns equipamentos para pagar despesas aqui e acolá. Só que hoje não temos nenhum balanço disso. Pode ser que a saída desse material tenha sido autorizada pela Justiça. Não sabemos”, diz.

A Gazeta entrou em contato com o diretor da Vara do Trabalho de Santa Rita, Gilberto Expedito Vieira, que afirmou desconhecer que bens da indústria tenham sido vendidos fora do leilão. Gilberto ressaltou que o responsável pelo patrimônio da Phihong até o dia 4 deste mês era o fiel depositário José Márcio Noronha, que, por sua vez, não foi encontrado para comentar a denúncia.
A reportagem procurou a empresa apontada por Mozart como compradora da mercadoria. Uma funcionária confirmou que o negócio aconteceu na manhã de 4 de dezembro, quando três caminhões transportaram móveis, computadores, lâmpadas, papelão e outros itens até o depósito de materiais recicláveis. Ela disse que um contador havia conferido a autenticidade das notas fiscais e a liberação dos produtos antes da chegada da carga. A funcionária declarou que os documentos contábeis da firma estão à disposição da Justiça.

Em entrevista por telefone, um representante da empresa de segurança privada contratada pela Phihong se negou a fornecer dados sobre a suposta retirada de materiais. O gerente da prestadora de serviços belo-horizontina se queixou das condições do prédio em que mantém dez vigilantes. Ele relatou que seus funcionários trabalham “sem luz nem água” e que deixarão de atuar quando o reservatório de água da indústria estiver vazio. “Precisamos de condições mínimas para trabalhar. Pagamos nossos vigilantes em dia, mas estamos sem receber desde janeiro”, revelou.

Por que Magno foi reeleito e Aníbal não


Magno Magalhães (PT) e Aníbal Medeiros (PSDB)

Seriedade e responsabilidade formam o binômio adequado para caracterizar a atuação do vereador Magno Magalhães Pinto (PT), reeleito para a legislatura 2009/2012. Distante desse perfil está Aníbal do Rego de Medeiros Neto (PSDB), que também enfrentou as urnas em outubro e não mais terá uma cadeira na Câmara Municipal a partir de janeiro.

As diferenças entre Magno e Aníbal ficaram mais nítidas na noite da última terça-feira (16), durante a reunião semanal dos vereadores santa-ritenses. O tucano usou a tribuna da casa legislativa para fazer um discurso que anuncia há várias semanas. “Vou falar”, ameaçava Aníbal desde que sofreu a derrota eleitoral. Na terça, ele falou, mas pouco se compreendeu de seu pronunciamento confuso e ressentido. Uma de suas insinuações foi a de que Magno teria oferecido dinheiro a Cláudia Peixoto Silva para que a ex-servidora municipal apresentasse denúncias contra a administração do ex-prefeito Ronaldo de Azevedo Carvalho (PSDB).

Magno liderou a oposição parlamentar ao governo tucano (2005/2008), ao passo que Aníbal integrou a antiga bancada situacionista. Na época, Cláudia denunciou à Câmara supostas irregularidades cometidas na Prefeitura Municipal. Magno sempre defendeu a apuração das suspeitas. Aníbal manteve-se contrário às investigações. “Se formos acatar a cada dia um tipo de denúncia, não trabalharemos mais para o povo”, argumentou o tucano em abril de 2006, ao votar contra a criação de uma comissão que investigaria contratações consideradas irregulares. A autora era Cláudia Peixoto Silva.

Quando ajudou a impedir a investigação de tais contratos, Aníbal foi acusado pela denunciante de ter participado de uma “reunião secreta” com o então prefeito antes da sessão em que a Câmara rejeitou a denúncia. No discurso desta semana, o vereador do PSDB afirmou ter ouvido de Cláudia que Magno teria demonstrado interesse em financiar acusações. Não apresentou provas nem listou testemunhas. Disse que respeita o parlamentar petista e confia em sua seriedade. Entretanto, sem citar nomes, sugeriu que Magno seria um dos responsáveis por sua inclusão no rol de suspeitos de uso indevido de celulares cedidos pela Prefeitura.

Aníbal apontou o caso dos telefones móveis como um dos motivos de seu insucesso eleitoral. “Fui denunciado por um celular e a cidade inteira me criticou”. “Não pedi celular para o Ronaldo”. “Fui reprovado pelo povo, caluniado, chamado de ladrão”. “Fui crucificado”. “Fui injustiçado”. “Perdi muitas noites de sono”. E por aí foi...

Magno respondeu com firmeza. “Repilo cada letra dessa acusação”. “Jamais daria dinheiro para ninguém fazer denúncia. Se fosse para fazer denúncia, eu mesmo faria”. “Nunca fiz denúncia contra o vereador [Aníbal] ou contra quem quer que seja. A única coisa que fiz – e isso todo mundo sabe, é público – foi entregar um parecer [aos vereadores] dizendo que não se podia pegar celular. Pegou quem quis”. O plenário ouviu tudo em silêncio.

De fato, o representante do PT alertou, em 2005, que os celulares comprados pelo Poder Executivo não deveriam ser usados por membros do Legislativo. Magno presidia a Câmara e encaminhou a todos os vereadores cópias de um parecer jurídico que classificava de ilegal a oferta do então prefeito. Mesmo assim, Aníbal e outros três parlamentares aderiram ao plano corporativo.

Como se vê, o petista e o tucano optaram por caminhos opostos. Isso ajuda a entender por que um saiu vitorioso e o outro derrotado das urnas em 2008.

15 de dez de 2008

Duas crises, dois desfechos

A grande imprensa brasileira não deu a mínima para um fato interessante que ocorreu nos Estados Unidos na semana passada. Na quinta-feira (11), operários que ocupavam uma fábrica de portas e janelas encerraram o protesto obtendo uma surpreendente vitória. A empresa Republic Windows and Doors fica em Chicago, no estado de Illinois, base política do presidente eleito Barack Obama. A fábrica foi atingida pela crise financeira e irá fechar suas portas e janelas. Mas, antes da falência, o agente financeiro da empresa se comprometeu a pagar aos trabalhadores demitidos oito semanas de salários, dois meses de planos de saúde, além de um inédito 'salário de férias'.

Enquanto isso, na América do Sul, no sudeste do Brasil, no Sul de Minas Gerais, em Santa Rita do Sapucaí, um elefante branco conhecido como Phihong descansa às margens da rodovia BR-459. Uma fábrica de portas e janelas chegou a anunciar a compra do imóvel industrial e de suas máquinas, mas sumiu do mapa deixando dívidas e dúvidas no Vale da Eletrônica. A Phihong encerrou suas atividades sem quitar débitos trabalhistas com 1.100 funcionários. Depois do cancelamento da venda à Esquadriaço (esta é a tal 'compradora'), a fábrica foi a leilão no dia 4 de dezembro. O único lance partiu dos advogados que defendem os operários demitidos. A intenção é revender a Phihong e pagar as verbas rescisórias.

Os dois casos são reflexos de duas crises: uma global, outra local. Os mais prejudicados, em ambos os episódios, são os trabalhadores. Mas ocorreram diferentes desfechos. Em Chicago, houve mobilização de operários - e quem os liderasse.

O caso Phihong pode ser acompanhado pelo site da Gazeta do Vale (http://www.jornalgazetadovale.com.br/). Já a cobertura do caso Republic é feita pelo portal Vermelho (http://www.vermelho.org.br/).

Garibaldi ouve Rezek e anuncia recandidatura



2009 também terá eleições. Em fevereiro, serão escolhidos os novos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. O deputado paulista e presidente nacional do PMDB, Michel Temer (à direita), é o favorito para liderar a Câmara. No Senado, Garibaldi Alves Filho (ao centro), peemedebista do Rio Grande do Norte, decidiu concorrer à reeleição.

O Regimento Interno do Senado proíbe a recondução do presidente na mesma legislatura. Mas Garibaldi ouviu do jurista santa-ritense José Francisco Rezek (à esquerda) que sua recandidatura pode ter amparo legal. A brecha existiria porque o atual presidente cumpre um ‘período tampão’ – elegera-se no final de 2007 para completar o mandato de Renan Calheiros (PMDB-AL).

Garibaldi procurou Rezek na última quinta-feira (11). Em seguida, houve uma enxurrada de notícias dando conta de que a candidatura à reeleição estaria respaldada num parecer elaborado pelo jurista. Rezek, porém, desmentiu o boato quase convertido em fato. Declarou ao blog do jornalista Josias de Souza que apenas recebera de Garibaldi um texto, escrito por outro advogado, limitando-se a dizer que a tese da recandidatura é “perfeitamente defensável”.

De acordo com Josias, o autor do documento é Luiz Rodrigues Wandier e a consulta seria feita a Paulo Brossard, ex-ministro da Justiça e do Supremo Tribunal Federal (STF). Entretanto, Brossard foi internado na mesma quinta-feira em que receberia o texto.

Curiosidades: 1. O PT, que lançou a candidatura do senador Tião Viana (AC), pretende questionar a legalidade da manobra de Garibaldi. 2. O PT apóia Temer na Câmara e espera reciprocidade do PMDB no Senado. 3. Rezek foi ministro das Relações Exteriores, do STF e do TSE, e hoje é sócio do tributarista Ives Gandra da Silva Martins. 4. A semelhança física entre Rezek e Temer tem explicação: a ascendência libanesa de ambos.

12 de dez de 2008

Papéis e escolhas

Antes que a "obra" comece, conheça o autor.
Tenho três papéis. São reais. Não uso maquiagem.
Fiz escolhas. Muitas me orgulham. Nem todas.
Exponho ao leitor meus papéis e minhas escolhas.
São dados objetivos que explicam subjetividades.

Sou um repórter. Estudo Comunicação Social na Universidade do Vale do Sapucaí (Univás), em Pouso Alegre. Atuo no jornalismo impresso há mais de sete anos. Comecei aos 14, como chargista e ilustrador do jornal Minas do Sul, de Santa Rita do Sapucaí. Repórter desde 2002, ali coordenei três editorias (esportes, cultura e política) e cheguei a editorialista. Fui assessor de imprensa da Associação Comercial e Empresarial do Vale da Eletrônica (Acevale), entidade sediada em Santa Rita. Sou um dos fundadores do jornal santa-ritense Empório de Notícias, do qual fui editor e repórter. Desempenhei as mesmas funções na Tribuna em Minas, de Paraisópolis. Participei da criação da Gazeta do Vale, em Santa Rita, onde trabalho como repórter e diagramador.

Sou um estudante. Dirigente estudantil desde os 13 anos, me elegi para vários órgãos representativos da Escola Estadual Dr. Delfim Moreira, em Santa Rita do Sapucaí. Fui representante de turma, secretário do Colegiado Escolar e presidente do Galera, grêmio estudantil que ajudei a criar. Fui também diretor de Imprensa do Diretório Acadêmico Professor Lecyr Ferreira da Silva, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Eugenio Pacelli (DA Fafiep).

Sou um militante. Iniciei minha militância de esquerda em 2002, ao participar de atividades eleitorais do Partido dos Trabalhadores (PT) na região sul-mineira. Por divergências com o PT santa-ritense, fui um "hóspede petista" do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), do qual fui secretário-geral municipal durante dois anos. Atuei também na Juventude do PMDB – braço estudantil do partido identificado com o Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), grupo de orientação esquerdista. Aderi oficialmente ao petismo em 2007 e integro a corrente socialista Movimento PT.

8 de dez de 2008

O velho mundo num novo universo


O rádio diz, a TV mostra, o jornal explica. O que dizer da internet? Como mostrá-la? Quem a explica? Começarei pelo começo. Quando surgiu, a internet apenas distribuía os conteúdos disponíveis nos jornais impressos. Mais tarde, incorporou também recursos do rádio e da televisão. A web reúne, então, texto, som e imagem em movimento. Tem uma linguagem própria, mas apóia-se nos meios de comunicação que a antecederam. Ao introduzir elementos multimídia, a internet alterou o processo de produção de notícias. E, por outro lado, o leitor não lê como antes, o telespectador não assiste da mesma forma e o ouvinte ouve de maneira nova.

Todos os dias há algum pseudo-especialista dizendo que a internet acabará com a imprensa escrita, assim como diziam que o rádio desapareceria com a chegada da TV e o livro seria substituído pelo e-book. Os profetas do século 21 sentenciam que as letras estão com os dias contados. Muitos de nós acreditam nessas previsões e ainda repetem com convicção que o jornal impresso vai acabar, mais cedo ou mais cedo ainda. Quem assume como sua essa opinião apenas confirma a tese segundo a qual não lemos, nem vimos ou ouvimos como antigamente.

Antigamente? O conceito “antigo” ganhou outro significado desde que a internet nasceu. Nos últimos dez anos, esta mídia não apenas se modificou, como também nos modificou. O comportamento do homem e da mulher contemporâneos mudou muito em vários aspectos e vai continuar sofrendo alterações, cada vez mais rapidamente. A história da comunicação teve vários períodos de transição. Porém, com o surgimento da internet, qualquer momento é de transição; novidades surgem durante todo o tempo.

Há muitos mitos sobre a internet. O principal deles é pensar que a web enterrará os riscos da concentração da mídia, ou seja, impedirá que as grandes empresas de comunicação continuem controlando a informação. Pesquisas recentes mostram que 17 dos 20 sites mais visitados do mundo são vinculados aos grupos tradicionais de informação. Os “novos gigantes” – Yahoo, Aol, IBS – dependem de informações produzidas pela velha e grande mídia de sempre. No Brasil, temos o exemplo da Folha Online, que considera-se o primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa. O site da Folha de S.Paulo, o jornalão da família Frias, faz parte do UOL, que é operado pela mesma família Frias.

As pesquisas mostram que os internautas desconfiam da informação, exceto quando provém de fontes consideradas fidedignas – em geral, empresas jornalísticas tradicionais. Falta credibilidade à internet, não só aos grandes conglomerados de mídia. Como acreditar em dados que são divulgados instantaneamente, não raro sem checagem ou revisão? Nos jornais impressos, existe até hoje a figura do revisor, do copidesque, que já foi desempenhada por Mário Quintana, Luiz Fernando Veríssimo e Fernando Gabeira. E alguém conhece algum revisor – apenas um revisor – que atue no jornalismo online?

Não são poucos os que defendem uma “linguagem flexível” que evolua com a própria internet. Que evolução é essa? Assassinar a língua portuguesa e os outros idiomas, traduzidos automaticamente? Universalizar o “Ctrl C/Ctrl V”, o internetês, o gerundismo e tantos outros vícios? Consagrar o hábito de publicar primeiro e checar depois? Ignorar os limites entre a verdade e a mentira, o público e o privado, o importante e o trivial, o trigo e o joio?

Muitos crimes são cometidos na internet e falta legislação específica. Felizmente, a web está livre da censura de governos autoritários, mas é triste perceber que o Estado não soube criar mecanismos para coibir e punir excessos e erros. A internet tem muitas imperfeições, afinal foi feita à imagem e semelhança do homem. Mas, apesar de suas deficiências, nos oferece inúmeras vantagens, como a agilidade, a praticidade e a interatividade.

Não poderia deixar de destacar, nesta primeira postagem, a importância da interatividade. É através dela que os veículos identificam o que a sociedade espera da imprensa. Por meio de enquetes, fóruns, comentários e outros recursos, a internet tornou-se um espaço democrático. Algumas empresas jornalísticas chegam a publicar artigos e até reportagens produzidos por cidadãos comuns. A suposta democratização da informação é real, mas embrionária ainda.

De qualquer forma, já não lemos nem escrevemos do mesmo jeito. A internet mudou o mundo e criou um universo.