8 de dez de 2008

O velho mundo num novo universo


O rádio diz, a TV mostra, o jornal explica. O que dizer da internet? Como mostrá-la? Quem a explica? Começarei pelo começo. Quando surgiu, a internet apenas distribuía os conteúdos disponíveis nos jornais impressos. Mais tarde, incorporou também recursos do rádio e da televisão. A web reúne, então, texto, som e imagem em movimento. Tem uma linguagem própria, mas apóia-se nos meios de comunicação que a antecederam. Ao introduzir elementos multimídia, a internet alterou o processo de produção de notícias. E, por outro lado, o leitor não lê como antes, o telespectador não assiste da mesma forma e o ouvinte ouve de maneira nova.

Todos os dias há algum pseudo-especialista dizendo que a internet acabará com a imprensa escrita, assim como diziam que o rádio desapareceria com a chegada da TV e o livro seria substituído pelo e-book. Os profetas do século 21 sentenciam que as letras estão com os dias contados. Muitos de nós acreditam nessas previsões e ainda repetem com convicção que o jornal impresso vai acabar, mais cedo ou mais cedo ainda. Quem assume como sua essa opinião apenas confirma a tese segundo a qual não lemos, nem vimos ou ouvimos como antigamente.

Antigamente? O conceito “antigo” ganhou outro significado desde que a internet nasceu. Nos últimos dez anos, esta mídia não apenas se modificou, como também nos modificou. O comportamento do homem e da mulher contemporâneos mudou muito em vários aspectos e vai continuar sofrendo alterações, cada vez mais rapidamente. A história da comunicação teve vários períodos de transição. Porém, com o surgimento da internet, qualquer momento é de transição; novidades surgem durante todo o tempo.

Há muitos mitos sobre a internet. O principal deles é pensar que a web enterrará os riscos da concentração da mídia, ou seja, impedirá que as grandes empresas de comunicação continuem controlando a informação. Pesquisas recentes mostram que 17 dos 20 sites mais visitados do mundo são vinculados aos grupos tradicionais de informação. Os “novos gigantes” – Yahoo, Aol, IBS – dependem de informações produzidas pela velha e grande mídia de sempre. No Brasil, temos o exemplo da Folha Online, que considera-se o primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa. O site da Folha de S.Paulo, o jornalão da família Frias, faz parte do UOL, que é operado pela mesma família Frias.

As pesquisas mostram que os internautas desconfiam da informação, exceto quando provém de fontes consideradas fidedignas – em geral, empresas jornalísticas tradicionais. Falta credibilidade à internet, não só aos grandes conglomerados de mídia. Como acreditar em dados que são divulgados instantaneamente, não raro sem checagem ou revisão? Nos jornais impressos, existe até hoje a figura do revisor, do copidesque, que já foi desempenhada por Mário Quintana, Luiz Fernando Veríssimo e Fernando Gabeira. E alguém conhece algum revisor – apenas um revisor – que atue no jornalismo online?

Não são poucos os que defendem uma “linguagem flexível” que evolua com a própria internet. Que evolução é essa? Assassinar a língua portuguesa e os outros idiomas, traduzidos automaticamente? Universalizar o “Ctrl C/Ctrl V”, o internetês, o gerundismo e tantos outros vícios? Consagrar o hábito de publicar primeiro e checar depois? Ignorar os limites entre a verdade e a mentira, o público e o privado, o importante e o trivial, o trigo e o joio?

Muitos crimes são cometidos na internet e falta legislação específica. Felizmente, a web está livre da censura de governos autoritários, mas é triste perceber que o Estado não soube criar mecanismos para coibir e punir excessos e erros. A internet tem muitas imperfeições, afinal foi feita à imagem e semelhança do homem. Mas, apesar de suas deficiências, nos oferece inúmeras vantagens, como a agilidade, a praticidade e a interatividade.

Não poderia deixar de destacar, nesta primeira postagem, a importância da interatividade. É através dela que os veículos identificam o que a sociedade espera da imprensa. Por meio de enquetes, fóruns, comentários e outros recursos, a internet tornou-se um espaço democrático. Algumas empresas jornalísticas chegam a publicar artigos e até reportagens produzidos por cidadãos comuns. A suposta democratização da informação é real, mas embrionária ainda.

De qualquer forma, já não lemos nem escrevemos do mesmo jeito. A internet mudou o mundo e criou um universo.

2 comentários:

Cíntia disse...

Coisa mais linda do mundo esse meu namorado!! Que blog mais legalll amorr!
Vou ler o texto com calma e depois comento direitinhoo!
Amo VOcê!
Beijos da sua gatinha!

Blá disse...

Bom, primeiramente queria dizer que achei bem interessante o blog, posto que são poucos os que tratam da política de Santa Rita com seriedade e debatem de maneira não leviana um tema complexo como esse.
Sobre o texto, acredito que a internet não substituiu e nunca substituirá os demais meios de comunicação devido a confiabilidade do segundo. Mas creio que sua popularidade está no fato que qualquer um pode expressar sua opinião. Independente de possuir um diploma de jornalismo ou não, ele terá público para o ouvir. Era o que faltava nos jornais e revistas. A palavra estava restringida a uns poucos, e muitos deles não eram flexíveis a opiniões alheias. Hoje você se depara com todas as faces da moeda, não mais com só duas.