18 de dez de 2008

Phihong vendeu materiais no dia do leilão, diz ex-gerente

[Reportagem de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Um ex-funcionário do grupo FIC/Phihong denunciou ao Sindicato dos Trabalhadores de Santa Rita do Sapucaí que materiais e equipamentos teriam sido retirados do prédio da indústria na manhã de 4 de dezembro, poucas horas antes do leilão de bens da empresa. A sede e as máquinas da Phihong foram compradas por mais de mil ex-empregados para os quais a indústria deve verbas rescisórias.

Ex-gerente comercial da First International Computer (FIC) e da Phihong PWM Brasil, Mozart Zaghi afirma ter descoberto que os produtos foram adquiridos por uma empresa santa-ritense que comercializa sucata. “Verificamos que esse material tinha caminhado até uma empresa de Santa Rita que, em princípio, de uma maneira lícita, adquiriu os produtos que para ela foram vendidos. Mas não sabemos qual era a mercadoria e por quem estava sendo transacionada”, relata.

O ex-gerente considera suspeita a retirada de materiais, que, segundo ele, teria ocorrido das 4h às 7h do dia 4 de dezembro. O leilão, que aconteceria na sede do grupo, foi realizado a partir das 10h num hotel situado no centro da cidade. A mudança de local foi determinada pela Justiça do Trabalho depois que a energia elétrica do prédio foi cortada por falta de pagamento. “Achamos muito suspeito um caminhão entrar às 4 horas da manhã numa empresa que não tem luz”, justifica Mozart.

O Sindicato dos Trabalhadores encaminhou a denúncia do ex-funcionário à Vara do Trabalho de Santa Rita em 12 de dezembro. A petição foi assinada pelo advogado da entidade sindical, Ronaldo Kersul, e solicitou que um oficial de Justiça verificasse “se foram retirados da empresa os bens penhorados para pagamento dos processos trabalhistas”. Na segunda-feira, 15, o pedido foi negado pelo juiz substituto Júlio Corrêa de Melo Neto, que argumentou que a denúncia “se funda apenas em alegações sem provas”.
Mozart afirma que a obtenção de documentos capazes de comprovar o transporte e a venda dos produtos depende justamente de autorização judicial. Ele conta que procurou a empresa responsável pela vigilância do prédio da Phihong para solicitar cópias dos registros de circulação de veículos pelo local, mas foi orientado a acionar a Justiça para ter seu pedido atendido. “Estamos ‘correndo atrás do rabo’: sem um documento, não conseguimos o outro”, lamenta.

Para o ex-gerente comercial, é possível que a venda tenha ocorrido de forma legal para quitação de débitos, mas não há informações oficiais que sustentem esta tese. “Os administradores anteriores alegavam que precisavam vender alguns equipamentos para pagar despesas aqui e acolá. Só que hoje não temos nenhum balanço disso. Pode ser que a saída desse material tenha sido autorizada pela Justiça. Não sabemos”, diz.

A Gazeta entrou em contato com o diretor da Vara do Trabalho de Santa Rita, Gilberto Expedito Vieira, que afirmou desconhecer que bens da indústria tenham sido vendidos fora do leilão. Gilberto ressaltou que o responsável pelo patrimônio da Phihong até o dia 4 deste mês era o fiel depositário José Márcio Noronha, que, por sua vez, não foi encontrado para comentar a denúncia.
A reportagem procurou a empresa apontada por Mozart como compradora da mercadoria. Uma funcionária confirmou que o negócio aconteceu na manhã de 4 de dezembro, quando três caminhões transportaram móveis, computadores, lâmpadas, papelão e outros itens até o depósito de materiais recicláveis. Ela disse que um contador havia conferido a autenticidade das notas fiscais e a liberação dos produtos antes da chegada da carga. A funcionária declarou que os documentos contábeis da firma estão à disposição da Justiça.

Em entrevista por telefone, um representante da empresa de segurança privada contratada pela Phihong se negou a fornecer dados sobre a suposta retirada de materiais. O gerente da prestadora de serviços belo-horizontina se queixou das condições do prédio em que mantém dez vigilantes. Ele relatou que seus funcionários trabalham “sem luz nem água” e que deixarão de atuar quando o reservatório de água da indústria estiver vazio. “Precisamos de condições mínimas para trabalhar. Pagamos nossos vigilantes em dia, mas estamos sem receber desde janeiro”, revelou.

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