18 de dez de 2008

Por que Magno foi reeleito e Aníbal não


Magno Magalhães (PT) e Aníbal Medeiros (PSDB)

Seriedade e responsabilidade formam o binômio adequado para caracterizar a atuação do vereador Magno Magalhães Pinto (PT), reeleito para a legislatura 2009/2012. Distante desse perfil está Aníbal do Rego de Medeiros Neto (PSDB), que também enfrentou as urnas em outubro e não mais terá uma cadeira na Câmara Municipal a partir de janeiro.

As diferenças entre Magno e Aníbal ficaram mais nítidas na noite da última terça-feira (16), durante a reunião semanal dos vereadores santa-ritenses. O tucano usou a tribuna da casa legislativa para fazer um discurso que anuncia há várias semanas. “Vou falar”, ameaçava Aníbal desde que sofreu a derrota eleitoral. Na terça, ele falou, mas pouco se compreendeu de seu pronunciamento confuso e ressentido. Uma de suas insinuações foi a de que Magno teria oferecido dinheiro a Cláudia Peixoto Silva para que a ex-servidora municipal apresentasse denúncias contra a administração do ex-prefeito Ronaldo de Azevedo Carvalho (PSDB).

Magno liderou a oposição parlamentar ao governo tucano (2005/2008), ao passo que Aníbal integrou a antiga bancada situacionista. Na época, Cláudia denunciou à Câmara supostas irregularidades cometidas na Prefeitura Municipal. Magno sempre defendeu a apuração das suspeitas. Aníbal manteve-se contrário às investigações. “Se formos acatar a cada dia um tipo de denúncia, não trabalharemos mais para o povo”, argumentou o tucano em abril de 2006, ao votar contra a criação de uma comissão que investigaria contratações consideradas irregulares. A autora era Cláudia Peixoto Silva.

Quando ajudou a impedir a investigação de tais contratos, Aníbal foi acusado pela denunciante de ter participado de uma “reunião secreta” com o então prefeito antes da sessão em que a Câmara rejeitou a denúncia. No discurso desta semana, o vereador do PSDB afirmou ter ouvido de Cláudia que Magno teria demonstrado interesse em financiar acusações. Não apresentou provas nem listou testemunhas. Disse que respeita o parlamentar petista e confia em sua seriedade. Entretanto, sem citar nomes, sugeriu que Magno seria um dos responsáveis por sua inclusão no rol de suspeitos de uso indevido de celulares cedidos pela Prefeitura.

Aníbal apontou o caso dos telefones móveis como um dos motivos de seu insucesso eleitoral. “Fui denunciado por um celular e a cidade inteira me criticou”. “Não pedi celular para o Ronaldo”. “Fui reprovado pelo povo, caluniado, chamado de ladrão”. “Fui crucificado”. “Fui injustiçado”. “Perdi muitas noites de sono”. E por aí foi...

Magno respondeu com firmeza. “Repilo cada letra dessa acusação”. “Jamais daria dinheiro para ninguém fazer denúncia. Se fosse para fazer denúncia, eu mesmo faria”. “Nunca fiz denúncia contra o vereador [Aníbal] ou contra quem quer que seja. A única coisa que fiz – e isso todo mundo sabe, é público – foi entregar um parecer [aos vereadores] dizendo que não se podia pegar celular. Pegou quem quis”. O plenário ouviu tudo em silêncio.

De fato, o representante do PT alertou, em 2005, que os celulares comprados pelo Poder Executivo não deveriam ser usados por membros do Legislativo. Magno presidia a Câmara e encaminhou a todos os vereadores cópias de um parecer jurídico que classificava de ilegal a oferta do então prefeito. Mesmo assim, Aníbal e outros três parlamentares aderiram ao plano corporativo.

Como se vê, o petista e o tucano optaram por caminhos opostos. Isso ajuda a entender por que um saiu vitorioso e o outro derrotado das urnas em 2008.

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