20 de fev de 2009

Rua Victor Magalhães: planos soterrados



Rogério Olímpio do Nascimento (à esquerda) tem muita sorte. Pelos planos de sua família, já estaria morando nessa casa quando o barranco derrubou duas paredes do imóvel. Mas a mudança foi adiada - agora, para o final de março ou início de abril. Ele não tem medo de novos deslizamentos. Num lugarejo cheio de problemas, esse é apenas mais um.

Rua Victor Magalhães: vergonha a céu aberto



Esgoto a céu aberto é um problema medieval que ainda existe no Vale da Eletrônica. Assim vive uma das dez famílias do trecho esquecido da rua Victor Manuel de Magalhães: "protegida" por uma cerca de bambu e cercada de mato por todos os lados. Em tempos de globalização, a casa acima permanece incrivelmente isolada do resto do planeta.

Trecho de rua de SRS não tem água, postes e calçamento



[Reportagem de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Abastecimento de água, pavimentação e iluminação pública ainda não fazem parte do cotidiano dos moradores de uma pequena comunidade de Santa Rita do Sapucaí. O lugarejo contrasta com a fama do ‘Vale da Eletrônica’. As dez casas ficam no final da rua Victor Manuel de Magalhães, cujo traçado é paralelo à rodovia Juscelino Kubitschek de Oliveira (BR-459), chamada de ‘rota tecnológica’.

A água consumida pelos moradores sai de duas minas e não passa por tratamento algum. A população local financiou a instalação de uma mangueira que leva água até a calçada, onde se enchem recipientes para beber, cozinhar, tomar banho e lavar roupas e louças. A rede de esgotamento sanitário da comunidade é incompleta e formada por ligações clandestinas. O esgoto de uma das residências corre a céu aberto.

Sem calçamento, a única rua do lugar fica intransitável nos dias de chuva. Para entrar ou sair a pé, é preciso passar por trilhas em terrenos tomados pelo mato e chegar até a rua Antônio Américo Junqueira, já pavimentada, num bairro vizinho. Segundo a dona-de-casa Cleuza Ribeiro de Souza, 34, o lixo não é recolhido há mais de 15 dias no local.

Os sacos de lixo são colocados em um tambor que fica em frente à casa de Cleuza, que mantém um bar ao lado. Com o desaparecimento dos caminhões de lixo, o mau-cheiro tem incomodado sua família e seus fregueses. “O comércio fica parado”, lamenta.

A manicure Rita de Cássia da Silva, 40, entende que as dez casas estão “totalmente abandonadas” pelo poder público. Ela relata que funcionários da Prefeitura não atendem às reivindicações dos moradores alegando que o bairro ainda não foi reconhecido oficialmente. “Falam que é ilegal e não fazem nada”.

Há duas semanas, a região foi surpreendida por mais um problema. Um deslizamento atingiu duas casas que ficam próximas a um barranco. Na residência da dona-de-casa Maria Celina Gomes Faria, 42, a terra destruiu a maior parte do telhado da área de serviço, quebrou um tanque e um tanquinho e ainda danificou uma motocicleta. Nenhuma pessoa da família se feriu.

Ao lado da casa de Celina, um imóvel em construção perdeu duas paredes. O futuro morador, o ajudante de pedreiro Rogério Olímpio do Nascimento, 36, iria se mudar para a casa no início do ano, mas adiou a transferência para março ou abril. A obra de R$ 10 mil estava pronta, mas agora serão necessários mais R$ 5 mil para a construção de um muro de arrimo ao lado do barranco. As perdas incluem também duas janelas, uma porta, um tanque e uma pia.

Outro lado – A reportagem procurou a pessoa apontada por moradores como responsável pela venda dos terrenos, mas a informação foi negada. Na Secretaria Municipal de Obras, nenhum funcionário soube afirmar se o loteamento está regularizado. A Defesa Civil do município informou que não foi acionada após o deslizamento de terra. A Vigilância Epidemiológica aguarda resultados de análises microbiológicas para se pronunciar sobre as minas d’água da região. A Gazeta não encontrou os responsáveis pelos escritórios locais da Copasa e da Cemig.

Fotos: Jonas Costa

Morte de Maria Bonita completa 12 anos



Faz 12 anos que Santa Rita do Sapucaí perdeu uma das mais importantes personagens de sua história: Maria Idalina de Jesus, líder negra conhecida como ‘Maria Bonita’. Viúva precoce, sete filhos, a cozinheira e benzedeira criou o bloco carnavalesco Mimosas Cravinas e, em seguida, a Associação Santarritense José do Patrocínio.

Maria nasceu, viveu e morreu em Santa Rita. Veio ao mundo no dia 5 de julho de 1902 e faleceu em 17 de fevereiro de 1997, aos 94 anos. Amamentou crianças ricas e pobres. Recebeu em sua associação pessoas simples e líderes políticos de projeção nacional, como os ex-governadores Carlos Lacerda (Guanabara) e Magalhães Pinto (Minas).

A líder negra notabilizou-se por sua postura solidária e bem-humorada. Maria Bonita foi citada várias vezes no livro ‘Crônica das casas demolidas’, do escritor santa-ritense Cyro de Luna Dias, do qual foi babá. Ela também foi tema de um documentário produzido por estudantes de Jornalismo da Universidade do Vale do Sapucaí (Univás).

Foto: acervo particular

Santa-ritenses criam Conselho Comunitário de Segurança Pública



[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Vinte e quatro moradores de Santa Rita do Sapucaí criaram no dia 12 de fevereiro o Conselho Comunitário de Segurança Pública (Consep) da cidade. A ideia vinha sendo discutida há alguns anos, mas ganhou força a partir da adesão de comerciantes prejudicados por ações criminosas. A formação do grupo foi oficializada em reunião na sede da Associação Comercial e Empresarial do Vale da Eletrônica (Acevale).

O Consep é uma entidade independente que atuará em parceria com as polícias Civil e Militar, Guarda Municipal, Defesa Civil, empresas, escolas e instituições. Todos os integrantes do conselho são voluntários. De acordo com seu manifesto, o órgão tem como objetivos “discutir, analisar, planejar e acompanhar a solução de problemas comunitários de segurança, desenvolver campanhas educativas e estreitar laços de entendimento e cooperação entre as várias lideranças locais”.

A diretoria provisória foi eleita no dia 12 para um mandato de quatro meses. Cabe ao grupo estruturar o Consep no município e organizar o processo eleitoral para a escolha de novos diretores. O conselho é presidido por José Leandro Romero Costa, agente voluntário da Defesa Civil. O vice-presidente é o professor Giácomo Henrique Costanti. A comerciante Florestina Maria Caxambu Volpato ocupa o cargo de secretária.

O empresário Luiz Fernando Ribeiro Segundo é um dos articuladores do movimento. Ele afirma que o posto de combustível do qual é proprietário tem sido alvo de assaltos frequentes e que o problema se agravou nos últimos dois anos. Luiz Fernando acredita que a criação do Consep se deve “ao alto índice de criminalidade e ao bom relacionamento [dos fundadores do conselho] com a PM”. A Polícia Militar oferece suporte técnico ao novo órgão.

Para o presidente José Leandro, as ações preventivas e educativas formam a principal frente de atuação do conselho. Ele planeja palestras em escolas e distribuição de panfletos. O vice-presidente Giácomo Costanti ressalta que outra função da entidade é estimular denúncias anônimas. “O que falta é denúncia. As pessoas têm medo de serem visadas”, comenta.

O grupo deverá promover reuniões mensais para planejar e avaliar suas ações. Qualquer cidadão pode participar dos encontros. A próxima reunião será no dia 3 de março, a partir das 19h, na Escola Estadual Dr. Luiz Pinto de Almeida.

Foto: Luís César Fonseca

Comissão de ex-funcionários da Phihong começa a atuar

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

A comissão de ex-funcionários da empresa santa-ritense Phihong PWM Brasil tomou suas primeiras decisões na semana passada. Duas reuniões já aconteceram desde a eleição dos 19 integrantes do grupo, que ocorreu em assembleia no dia 4 de fevereiro. A comissão é responsável pela manutenção do prédio e das máquinas que pertenciam à Phihong e que foram arrematados pelos trabalhadores para quitação de débitos trabalhistas da indústria.

A renovação do contrato com a empresa que responde pela vigilância do prédio foi aprovada na última segunda-feira, 16. De acordo com o gestor da comissão, Mozart Zaghi, o serviço de segurança custará R$ 20,1 mil até o início de junho, quando o contrato perderá a validade.

Outra deliberação foi a escolha dos 11 membros de uma subcomissão que visitará o prédio industrial para verificar a presença dos equipamentos adquiridos pelos operários em leilão da Justiça do Trabalho no mês de dezembro de 2008. A subcomissão é coordenada por Flávio Gonçalves de Ulhôa, ex-supervisor de qualidade da Phihong.

Na semana passada, a comissão recebeu empresários paulistas interessados em conhecer o prédio e as máquinas. “Saíram daqui muito satisfeitos com o que viram”, diz Mozart Zaghi. Apesar de a crise econômica global inibir grandes investimentos, o gestor mantém o otimismo: “É na crise que se aprende e se faz bons negócios. Acredito que vá surgir um investidor que enxergue em nossos ativos uma ótima oportunidade de negócio”.

Estão em discussão pela comissão outros assuntos, como a contratação de uma empresa especializada em comercialização de prédios industriais e máquinas. O grupo de ex-funcionários também negocia com jornais impressos e emissoras de rádio espaços para a divulgação de suas ações.

Para Mozart Zaghi, o sucesso nas negociações para a venda dos bens depende da união dos grupos envolvidos no caso. “Realizações só são possíveis por haver uma convivência sadia e positiva entre a comissão de ex-funcionários, os advogados, o sindicato [Sindmetsrs] e os trabalhadores, únicos proprietários dos ativos arrematados”, conclui o gestor.

13 de fev de 2009

Pedro Sancho: entrando pelo cano



A rua 23 tem muitos buracos. Num deles está outro problema ainda maior: os tubos que levam água até a residência da dona-de-casa Hercília Maria Furtado da Silva estão descobertos. Ela conta que, dias atrás, o cano estourou no meio da rua. O conserto foi feito pela Copasa, certo? Errado. A tarefa coube ao marido de Hercília.

Pedro Sancho: lixo e azar



Faltam lixeiras no bairro Pedro Sancho Vilela. Também não há garis por lá. A ineficiência na limpeza pública pode ser verificada no terreno acima. A área fica na rua Joaquim Carlos Ribeiro, ao lado do Centro de Umbanda Ogum da Estrela Guia. Apesar de uma placa "proibir" o descarte de objetos no local, ali podem ser encontrados pedaços de móveis, sacos plásticos, garrafas de vidro e até um espelho quebrado. Oxalá o azar dos moradores não dure sete anos.

Moradores do bairro Pedro Sancho sofrem com barro e buracos



[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

A maioria das ruas do conjunto habitacional Pedro Sancho Vilela, em Santa Rita do Sapucaí, não tem pavimentação. Há buracos por todo o bairro, um dos mais populosos da região conhecida como Nova Cidade. Nos dias de chuva, a lama dificulta ainda mais o trânsito de pedestres e automóveis. Sem garis ou lixeiras, o mato cresce nas calçadas e o lixo se acumula nas ruas e nos terrenos abandonados. Cavalos e cachorros soltos contribuem para o aumento da sujeira e dos transtornos.

O Pedro Sancho está localizado entre o Matadouro Municipal e a Cadeia Pública. O bairro é ligado à região central da cidade pela avenida Embaixador Bilac Pinto. Para chegar à região, é preciso passar sobre o ribeirão Vintém por uma inusitada ponte curva construída pela Prefeitura Municipal. O calçamento está completo nas maiores ruas do lugar (Joaquim Carlos Ribeiro, José Galdino Lemos Filho e Benedito Cândido Ribeiro), mas outras vias não passam de ladeiras de terra escorregadia, sem placas de identificação.

A rua 16 apresenta valetas e buracos do começo ao fim. Um dos buracos abertos pelas constantes enxurradas tem aproximadamente 50 centímetros de profundidade e fica em frente à casa do lavrador Pedro Cândido da Silva, 40. O morador afirma que se cansou de esperar providências do poder público e decidiu investir recursos próprios numa obra que tem reduzido os danos a seu imóvel. “Fiz um calçamento e uma mureta beirando meu muro, senão a água vai direto para a área da casa. O muro até treme com a força da água”, diz Pedro.

A família da aposentada Glória Adelina de Jesus, 68, teve uma iniciativa parecida. Percebendo que a valeta em frente à garagem estava cada vez maior, os familiares de Glória colocaram um tubo de concreto entre a calçada e a rua para escoar a água da chuva. Sobre a pequena manilha, foi posta uma tábua que possibilita a entrada e a saída do veículo da família. A aposentada diz que raramente se arrisca a andar a pé pelas ruas do Pedro Sancho. “É muito difícil sair. Quando chove, nem saio na rua, fico só no portão. Os moços, em todo caso, tem pernas boas. E os idosos?”

Glória se queixa também da incômoda presença de cães e cavalos cujos donos desconhece. “Os donos soltam [os animais] e criam soltos nas ruas, juntando carrapato em redor da casa da gente”, lamenta a moradora da rua 16. Uma de suas vizinhas, a estudante Camila Mariano Rosa, 16, confirma as frequentes visitas: “Os animais ficam todos soltos na rua e bagunçam o lixo”. De acordo com Camila, os problemas do bairro foram relacionados num ‘abaixo assinado’ enviado à Prefeitura, mas não houve resposta alguma.

Os buracos e o barro dificultam a entrega de compras e a coleta de lixo no conjunto habitacional. “Se chover bastante, os supermercados não entregam. Já aconteceu de precisarmos de compra e termos que esperar o outro dia”, conta o industriário Messias Sebastião de Almeida, 43, que vive na rua 22. Segundo Messias, nos dias de chuva os caminhões de supermercados são estacionados em uma das ruas pavimentadas e os entregadores são obrigados a “carregar compras nas costas”. O mesmo acontece com os coletores de lixo, que percorrem as vias a pé quando estão muito escorregadias.

O servente de pedreiro Marcelo Aparecido Pereira, 37, mora na rua 1 e diz que é comum caminhar pelo bairro com sacolas de plástico cobrindo os pés. “Nos dias de chuva, com buraco e enxurrada, você não consegue sair de casa, estraga seu sapato. Vai sair como? Você vai pegar um circular com o pé sujo, o motorista reclama. Então o pessoal fica até inibido de sair de casa”. Ele relata que sempre há casos de tombos e escorregões, principalmente entre idosos.

Outro lado – A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Obras e Desenvolvimento Urbano, mas não conseguiu ouvir o titular da pasta, Luiz Alberto Duarte Julidori. A primeira tentativa aconteceu na terça-feira, 10, por telefone. No dia seguinte, a reportagem aguardou Julidori por 20 minutos no prédio da secretaria e não o encontrou. Até o fechamento desta edição, o secretário não havia se pronunciado sobre a situação do bairro Pedro Sancho.

Fotos: Jonas Costa

Festejos dos 100 anos do ‘Grupão’ começam em março

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

A Escola Estadual Dr. Delfim Moreira, o ‘Grupão’ de Santa Rita do Sapucaí, completa 100 anos de funcionamento no dia 27 de fevereiro, mas o centenário será comemorado a partir de março. A instituição de ensino é a mais antiga em atividade no município. A escola foi criada em 16 de março de 1908 com a denominação inicial de Grupo Escolar Dr. Delfim Moreira – daí o apelido ‘Grupão’.

Segundo o diretor da escola, Paulo Cézar Ribeiro, a programação dos festejos “está em gestação” e será divulgada no próximo mês. Ele revela que o desfile de 7 de setembro será o “ápice” das comemorações, que serão encerradas com uma festa no dia 28 de novembro. Ex-alunos e antigos funcionários serão convidados a participar da parada do Dia da Pátria. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), é esperado para o evento de encerramento.

Paulo Cézar afirma que pretende envolver toda a comunidade escolar nas atividades comemorativas. A participação dos estudantes é considerada fundamental pelo diretor. “Os alunos vão participar colhendo dados, fazendo trabalhos direcionados a esse levantamento histórico, colhendo fotos e fazendo entrevistas”, explica. Uma das ideias do diretor é registrar a trajetória de ex-alunos que se destacam em diferentes áreas, como o jurista José Francisco Rezek e o jogador de futebol José Vitor Roque Júnior.

No ano de seu centenário, o ‘Grupão’ passa por reformas. Inaugurado em 1920, o prédio da escola terá nova pintura e reparos nos banheiros, na cozinha e no telhado. A diretoria realiza as obras com recursos próprios e planeja concluí-las em julho. “O objetivo da reforma é melhorar a aparência da escola para os festejos dos 100 anos. Temos que mostrar para a sociedade que aqui existe uma escola centenária”, comenta o diretor Paulo Cézar.

O ‘Grupão’ tem mais de 1.600 alunos desde o segundo ano do ensino fundamental até a terceira série do ensino médio. Os 122 funcionários da instituição de ensino trabalham nos turnos matutino e vespertino.

11 de fev de 2009

Escravos da insensibilidade

Santa Rita do Sapucaí perdeu ontem uma oportunidade de contribuir para a reparação dos crimes cometidos contra os negros brasileiros. Em votação secreta, sete dos nove vereadores da cidade sepultaram o projeto de lei que instituiria o feriado municipal do Dia da Consciência Negra. A proposta havia sido aprovada pela Câmara em dezembro, na penúltima sessão da legislatura 2005-2008, mas retornou à Casa depois do veto do prefeito Paulo Cândido da Silva (PV).

A decisão do prefeito teve apoio maciço do empresariado, classe à qual pertence. Várias vozes se levantaram contra o novo feriado. Falou-se em prejuízo irreparável ao comércio e à indústria locais. O Dia da Consciência Negra encontrou no presidente da Câmara, Magno Magalhães Pinto (PT), seu único defensor. Somente o petista ousou dizer o que a maioria dos vereadores ignorou: prejuízos irreparáveis foram aqueles sofridos pelos escravos e seus descendentes.

Esqueceram-se os críticos da proposta que os negros derramaram sangue, suor e lágrimas antes e depois da abolição da escravatura. Ninguém notou que nosso calendário não dedica feriado algum aos negros. Comemorar a falsa independência do Brasil pode. Celebrar a proclamação de uma República de faz-de-conta pode. Luta pela liberdade só vale se o mártir for o branco Tiradentes.

Lembraríamos a morte do herói Zumbi dos Palmares em 20 de novembro, mas o Dia da Consciência Negra passará em branco. Pura insensibilidade. Contra o feriado, disseram até que a data deve ser comemorada com trabalho. Comemorar o quê? As mortes, os sofrimentos e o preconceito? Só se for a vitória da casa-grande que ocorreu na casa do povo santa-ritense.

Não se labuta nem no Dia do Trabalho, mas em 20 de novembro continuaremos escravos dos senhores de engenho eletrônico.

6 de fev de 2009

Divisão marca assembleia do caso Phihong


[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

A assembleia geral de ex-funcionários da empresa Phihong PWM Brasil realizada na quarta-feira, 4, foi palco de uma disputa entre dois grupos de trabalhadores. De um lado, estava a comissão de operários constituída em dezembro e liderada por Mozart Zaghi, ex-gerente comercial da indústria. Do outro lado, uma nova formação era sugerida por Maria Rosângela Lopes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Eletro-eletrônica, Informática e Similares de Santa Rita do Sapucaí, Conceição dos Ouros e Cachoeira de Minas (Sindmetsrs).

A primeira comissão era composta por 28 membros e foi criada para representar os mais de 1.100 trabalhadores demitidos pela Phihong em 2008. O grupo se formou com o objetivo de acompanhar as negociações para a venda do prédio e das máquinas da empresa, arrematados por um consórcio de advogados que defendem os operários dispensados. Os bens foram a leilão depois de serem penhorados pela Justiça do Trabalho, já que a Phihong havia deixado de quitar verbas rescisórias que somam cerca de R$ 20 milhões.

A reunião foi convocada pelo Sindmetsrs porque a Vara do Trabalho de Santa Rita não reconheceu a legitimidade da comissão formada no final do ano passado. A composição do grupo inicial foi definida durante uma reunião realizada na antiga sede do sindicato, no dia 17 de dezembro, com a presença de 13 ex-funcionários da Phihong. A assembleia da última quarta-feira reuniu em frente ao novo prédio do Sindmetsrs cerca de 100 operários, que aprovaram a criação de uma nova comissão.

Os 19 representantes foram escolhidos depois de mais de uma hora e meia de negociação e discussão. A lista de dez pessoas apresentada pelo Sindmetsrs foi aprovada e recebeu mais nove nomes indicados pela antiga comissão. A sindicalista Rosângela Lopes e o executivo Mozart Zaghi se revezaram no microfone para defender os grupos que pretendiam eleger. A líder sindical afirmou que a comissão presidida por Mozart "não representa mil e tantos trabalhadores". "Não vejo motivo nenhum de se montar outra chapa", respondeu o ex-gerente comercial.

Rosângela acusou os integrantes do primeiro grupo de trocar "de dez a 20 e-mails por dia" com informações desencontradas sobre as negociações para a venda dos bens. "Escolheram o Mozart [como presidente] e deu no que deu: só confusão. A comissão não fez balancete de nada, não informou ninguém e, ao contrário, só aumentou a inquietude de todo mundo", disparou.

Mozart afirmou que alguns membros da comissão haviam sido indicados pela direção do Sindmetsrs. Para o ex-gerente, o ‘grupo dos 28’ teria mais representatividade do que aquele que o sucedeu. "Não nos julgamos melhores do que ninguém, mas tivemos a preocupação de formar um grupo de pessoas que realmente representasse a empresa", alegou o ex-gerente.

Os representantes eleitos pelos trabalhadores são: Alberto Ken Kawamura (primeiro vogal), Alexandre Settervall Costanti (segundo vogal), Mozart Zaghi (gestor), Maria da Conceição Lopes, Eliane Maciel Dumont, Frederico Inácio de Morais, José Rita da Silva Filho, Benedito Lourival, Flávio Gonçalves de Ulhôa, Júnior Barbosa Cardoso, Douglas Souza Silva, José Benedito Inácio, Paulo Cordeiro, Sérgio Barros, Maria Célia da Silva Martins, José Celso da Mota, Paula Gabriela Alves, José Francisco Pereira e Idiarte Andrade.


Foto: Jonas Costa

Escritora de 91 anos lança livro 'Crepúsculo de uma vida'


[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

‘Crepúsculo de uma vida’ é o título do terceiro livro da escritora Edméa Sodré de Azevedo Carvalho, que completa 92 anos no dia 10 de fevereiro. A obra será lançada em reunião da Academia de Letras, Ciências e Artes de Santa Rita do Sapucaí, no dia 14 de fevereiro, a partir das 19h, no Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel).

O novo livro de Edméa Carvalho reúne 30 crônicas – alguns textos são inéditos e outros já foram publicados em jornais. Uma das crônicas, intitulada ‘Simples e róseos flamingos’, recebeu uma menção honrosa na edição de 2007 do concurso ‘Brasileiros em prosa & verso’, promovido em Varginha (MG).

Além das crônicas, fazem parte da obra textos autobiográficos. Nessa recapitulação, Edméa fala de seus filhos e livros, cita sua eleição para rainha dos estudantes e sua atuação em duas entidades que ajudou a fundar: Clube Feminino da Amizade e Academia de Letras de Santa Rita. "Crônica é meu estilo predileto, mas encontrei prazer em rememorar minha vida a fim de constatar que não vivi em vão", revela a escritora.

Matriarca da família Azevedo Carvalho, Edméa teve a colaboração de parentes na elaboração do livro. O prefácio foi escrito pelo engenheiro Flávio de Azevedo Carvalho, segundo dos seis filhos da escritora e do engenheiro químico Edmur Carneiro de Carvalho. A autora da capa é a desenhista Beatriz de Azevedo Carvalho Kallás, quarta filha do casal. A digitação dos textos coube a um dos genros, o engenheiro Marco Aurélio de Freitas.

A autora de ‘Colhe o dia’ (1993) e ‘Memória e emoções’ (2000) espera que os entusiastas de sua obra prestigiem o lançamento de ‘Crepúsculo de uma vida’. "Para essa reunião, espero o comparecimento dos confrades, amigos e conhecidos, os quais deram muito brilho aos meus primeiros livros", diz Edméa. Publicada pelas Edições Alba, de Varginha, a obra será vendida por R$ 10.


Foto: Jonas Costa

Agentes atuam na prevenção à dengue em SRS

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Os agentes da Vigilância Epidemiológica de Santa Rita do Sapucaí têm se dedicado a ações preventivas de combate à dengue. O trabalho é constante, mas o verão exige um cuidado maior por trazer consigo chuva, umidade e calor, ambiente que favorece a procriação do mosquito Aedes aegypti.

De acordo com a bióloga Marli Brandani Tenório, coordenadora de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, focos da doença não são registrados na cidade há três anos. Marli afirma que só é possível detectar a presença de ovos, larvas ou mosquitos por meio de ações ininterruptas.

Os agentes epidemiológicos realizam visitas diárias a residências do município para orientar moradores sobre cuidados e riscos. Outra atividade preventiva é a vistoria semanal das 67 ‘armadilhas’ espalhadas pela cidade: recipientes de plástico com água limpa instalados à sombra para atrair fêmeas e coletar ovos. Os profissionais da Vigilância Epidemiológica também realizam, a cada 15 dias, uma ‘pesquisa de pontos estratégicos’, como borracharias, depósitos de sucata e o Cemitério Municipal.

Marli Brandani é responsável por outra ação de combate à dengue: palestras em escolas, empresas e entidades. Um dos esclarecimentos apresentados nas conferências é referente à aparência do mosquito transmissor. "O Aedes aegypti é bem menor que o pernilongo, tem listras brancas, hábito diurno e procura preferencialmente locais escuros com água para desovar", explica.

A bióloga Marli salienta que a transmissão da dengue só ocorre quando um mosquito infectado pica um ser humano sadio. Ela frisa que ainda não existem meios de se imunizar uma pessoa contra a doença. "Não há vacina. Por isso, é importante a prevenção. O cuidado deve ser diário e a vigilância, contínua", recomenda.

Recomendações*

Vasos e plantas – Não deixe juntar água nos vasos e troque as plantas aquáticas por plantas de terra.

Lixo e latas – Devem permanecer sempre tampados. Não deixe jogados no quintal objetos que acumulem água.

Pneus – São um grande perigo. Se não for possível eliminá-los, mantenha-os em local seco e abrigado.

Caixas d’água – Lembre-se de mantê-las totalmente fechadas. Isso serve também para latões, tambores, cisternas e outros lugares onde se guarda água.

Garrafas pet e de vidro – Devem ser mantidas de cabeça para baixo para não acumular água. Cacos de vidro colocados em cima dos muros e que acumulam água devem ser retirados ou quebrados.

Sinais de alerta – Sangramento, dor de barriga, dificuldade para respirar, suor frio, desmaios, queda de pressão e vômitos frequentes. Se você apresentar algum desses sinais, procure ajuda médica imediatamente.

*Fontes: Ministério da Saúde e Prefeitura Municipal