6 de fev de 2009

Divisão marca assembleia do caso Phihong


[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

A assembleia geral de ex-funcionários da empresa Phihong PWM Brasil realizada na quarta-feira, 4, foi palco de uma disputa entre dois grupos de trabalhadores. De um lado, estava a comissão de operários constituída em dezembro e liderada por Mozart Zaghi, ex-gerente comercial da indústria. Do outro lado, uma nova formação era sugerida por Maria Rosângela Lopes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Eletro-eletrônica, Informática e Similares de Santa Rita do Sapucaí, Conceição dos Ouros e Cachoeira de Minas (Sindmetsrs).

A primeira comissão era composta por 28 membros e foi criada para representar os mais de 1.100 trabalhadores demitidos pela Phihong em 2008. O grupo se formou com o objetivo de acompanhar as negociações para a venda do prédio e das máquinas da empresa, arrematados por um consórcio de advogados que defendem os operários dispensados. Os bens foram a leilão depois de serem penhorados pela Justiça do Trabalho, já que a Phihong havia deixado de quitar verbas rescisórias que somam cerca de R$ 20 milhões.

A reunião foi convocada pelo Sindmetsrs porque a Vara do Trabalho de Santa Rita não reconheceu a legitimidade da comissão formada no final do ano passado. A composição do grupo inicial foi definida durante uma reunião realizada na antiga sede do sindicato, no dia 17 de dezembro, com a presença de 13 ex-funcionários da Phihong. A assembleia da última quarta-feira reuniu em frente ao novo prédio do Sindmetsrs cerca de 100 operários, que aprovaram a criação de uma nova comissão.

Os 19 representantes foram escolhidos depois de mais de uma hora e meia de negociação e discussão. A lista de dez pessoas apresentada pelo Sindmetsrs foi aprovada e recebeu mais nove nomes indicados pela antiga comissão. A sindicalista Rosângela Lopes e o executivo Mozart Zaghi se revezaram no microfone para defender os grupos que pretendiam eleger. A líder sindical afirmou que a comissão presidida por Mozart "não representa mil e tantos trabalhadores". "Não vejo motivo nenhum de se montar outra chapa", respondeu o ex-gerente comercial.

Rosângela acusou os integrantes do primeiro grupo de trocar "de dez a 20 e-mails por dia" com informações desencontradas sobre as negociações para a venda dos bens. "Escolheram o Mozart [como presidente] e deu no que deu: só confusão. A comissão não fez balancete de nada, não informou ninguém e, ao contrário, só aumentou a inquietude de todo mundo", disparou.

Mozart afirmou que alguns membros da comissão haviam sido indicados pela direção do Sindmetsrs. Para o ex-gerente, o ‘grupo dos 28’ teria mais representatividade do que aquele que o sucedeu. "Não nos julgamos melhores do que ninguém, mas tivemos a preocupação de formar um grupo de pessoas que realmente representasse a empresa", alegou o ex-gerente.

Os representantes eleitos pelos trabalhadores são: Alberto Ken Kawamura (primeiro vogal), Alexandre Settervall Costanti (segundo vogal), Mozart Zaghi (gestor), Maria da Conceição Lopes, Eliane Maciel Dumont, Frederico Inácio de Morais, José Rita da Silva Filho, Benedito Lourival, Flávio Gonçalves de Ulhôa, Júnior Barbosa Cardoso, Douglas Souza Silva, José Benedito Inácio, Paulo Cordeiro, Sérgio Barros, Maria Célia da Silva Martins, José Celso da Mota, Paula Gabriela Alves, José Francisco Pereira e Idiarte Andrade.


Foto: Jonas Costa

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