13 de fev de 2009

Moradores do bairro Pedro Sancho sofrem com barro e buracos



[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

A maioria das ruas do conjunto habitacional Pedro Sancho Vilela, em Santa Rita do Sapucaí, não tem pavimentação. Há buracos por todo o bairro, um dos mais populosos da região conhecida como Nova Cidade. Nos dias de chuva, a lama dificulta ainda mais o trânsito de pedestres e automóveis. Sem garis ou lixeiras, o mato cresce nas calçadas e o lixo se acumula nas ruas e nos terrenos abandonados. Cavalos e cachorros soltos contribuem para o aumento da sujeira e dos transtornos.

O Pedro Sancho está localizado entre o Matadouro Municipal e a Cadeia Pública. O bairro é ligado à região central da cidade pela avenida Embaixador Bilac Pinto. Para chegar à região, é preciso passar sobre o ribeirão Vintém por uma inusitada ponte curva construída pela Prefeitura Municipal. O calçamento está completo nas maiores ruas do lugar (Joaquim Carlos Ribeiro, José Galdino Lemos Filho e Benedito Cândido Ribeiro), mas outras vias não passam de ladeiras de terra escorregadia, sem placas de identificação.

A rua 16 apresenta valetas e buracos do começo ao fim. Um dos buracos abertos pelas constantes enxurradas tem aproximadamente 50 centímetros de profundidade e fica em frente à casa do lavrador Pedro Cândido da Silva, 40. O morador afirma que se cansou de esperar providências do poder público e decidiu investir recursos próprios numa obra que tem reduzido os danos a seu imóvel. “Fiz um calçamento e uma mureta beirando meu muro, senão a água vai direto para a área da casa. O muro até treme com a força da água”, diz Pedro.

A família da aposentada Glória Adelina de Jesus, 68, teve uma iniciativa parecida. Percebendo que a valeta em frente à garagem estava cada vez maior, os familiares de Glória colocaram um tubo de concreto entre a calçada e a rua para escoar a água da chuva. Sobre a pequena manilha, foi posta uma tábua que possibilita a entrada e a saída do veículo da família. A aposentada diz que raramente se arrisca a andar a pé pelas ruas do Pedro Sancho. “É muito difícil sair. Quando chove, nem saio na rua, fico só no portão. Os moços, em todo caso, tem pernas boas. E os idosos?”

Glória se queixa também da incômoda presença de cães e cavalos cujos donos desconhece. “Os donos soltam [os animais] e criam soltos nas ruas, juntando carrapato em redor da casa da gente”, lamenta a moradora da rua 16. Uma de suas vizinhas, a estudante Camila Mariano Rosa, 16, confirma as frequentes visitas: “Os animais ficam todos soltos na rua e bagunçam o lixo”. De acordo com Camila, os problemas do bairro foram relacionados num ‘abaixo assinado’ enviado à Prefeitura, mas não houve resposta alguma.

Os buracos e o barro dificultam a entrega de compras e a coleta de lixo no conjunto habitacional. “Se chover bastante, os supermercados não entregam. Já aconteceu de precisarmos de compra e termos que esperar o outro dia”, conta o industriário Messias Sebastião de Almeida, 43, que vive na rua 22. Segundo Messias, nos dias de chuva os caminhões de supermercados são estacionados em uma das ruas pavimentadas e os entregadores são obrigados a “carregar compras nas costas”. O mesmo acontece com os coletores de lixo, que percorrem as vias a pé quando estão muito escorregadias.

O servente de pedreiro Marcelo Aparecido Pereira, 37, mora na rua 1 e diz que é comum caminhar pelo bairro com sacolas de plástico cobrindo os pés. “Nos dias de chuva, com buraco e enxurrada, você não consegue sair de casa, estraga seu sapato. Vai sair como? Você vai pegar um circular com o pé sujo, o motorista reclama. Então o pessoal fica até inibido de sair de casa”. Ele relata que sempre há casos de tombos e escorregões, principalmente entre idosos.

Outro lado – A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Obras e Desenvolvimento Urbano, mas não conseguiu ouvir o titular da pasta, Luiz Alberto Duarte Julidori. A primeira tentativa aconteceu na terça-feira, 10, por telefone. No dia seguinte, a reportagem aguardou Julidori por 20 minutos no prédio da secretaria e não o encontrou. Até o fechamento desta edição, o secretário não havia se pronunciado sobre a situação do bairro Pedro Sancho.

Fotos: Jonas Costa

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