20 de fev de 2009

Trecho de rua de SRS não tem água, postes e calçamento



[Reportagem de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Abastecimento de água, pavimentação e iluminação pública ainda não fazem parte do cotidiano dos moradores de uma pequena comunidade de Santa Rita do Sapucaí. O lugarejo contrasta com a fama do ‘Vale da Eletrônica’. As dez casas ficam no final da rua Victor Manuel de Magalhães, cujo traçado é paralelo à rodovia Juscelino Kubitschek de Oliveira (BR-459), chamada de ‘rota tecnológica’.

A água consumida pelos moradores sai de duas minas e não passa por tratamento algum. A população local financiou a instalação de uma mangueira que leva água até a calçada, onde se enchem recipientes para beber, cozinhar, tomar banho e lavar roupas e louças. A rede de esgotamento sanitário da comunidade é incompleta e formada por ligações clandestinas. O esgoto de uma das residências corre a céu aberto.

Sem calçamento, a única rua do lugar fica intransitável nos dias de chuva. Para entrar ou sair a pé, é preciso passar por trilhas em terrenos tomados pelo mato e chegar até a rua Antônio Américo Junqueira, já pavimentada, num bairro vizinho. Segundo a dona-de-casa Cleuza Ribeiro de Souza, 34, o lixo não é recolhido há mais de 15 dias no local.

Os sacos de lixo são colocados em um tambor que fica em frente à casa de Cleuza, que mantém um bar ao lado. Com o desaparecimento dos caminhões de lixo, o mau-cheiro tem incomodado sua família e seus fregueses. “O comércio fica parado”, lamenta.

A manicure Rita de Cássia da Silva, 40, entende que as dez casas estão “totalmente abandonadas” pelo poder público. Ela relata que funcionários da Prefeitura não atendem às reivindicações dos moradores alegando que o bairro ainda não foi reconhecido oficialmente. “Falam que é ilegal e não fazem nada”.

Há duas semanas, a região foi surpreendida por mais um problema. Um deslizamento atingiu duas casas que ficam próximas a um barranco. Na residência da dona-de-casa Maria Celina Gomes Faria, 42, a terra destruiu a maior parte do telhado da área de serviço, quebrou um tanque e um tanquinho e ainda danificou uma motocicleta. Nenhuma pessoa da família se feriu.

Ao lado da casa de Celina, um imóvel em construção perdeu duas paredes. O futuro morador, o ajudante de pedreiro Rogério Olímpio do Nascimento, 36, iria se mudar para a casa no início do ano, mas adiou a transferência para março ou abril. A obra de R$ 10 mil estava pronta, mas agora serão necessários mais R$ 5 mil para a construção de um muro de arrimo ao lado do barranco. As perdas incluem também duas janelas, uma porta, um tanque e uma pia.

Outro lado – A reportagem procurou a pessoa apontada por moradores como responsável pela venda dos terrenos, mas a informação foi negada. Na Secretaria Municipal de Obras, nenhum funcionário soube afirmar se o loteamento está regularizado. A Defesa Civil do município informou que não foi acionada após o deslizamento de terra. A Vigilância Epidemiológica aguarda resultados de análises microbiológicas para se pronunciar sobre as minas d’água da região. A Gazeta não encontrou os responsáveis pelos escritórios locais da Copasa e da Cemig.

Fotos: Jonas Costa

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