30 de mar de 2009

Estação do Artesanato chega ao 'fim da linha'



[Reportagem de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

A Associação de Artesãos Santarritenses (Asas do Sapucaí) encerrou suas atividades no dia 6 de março. Por determinação da Prefeitura Municipal, a entidade foi impedida de continuar funcionando no antigo terminal ferroviário da cidade, localizado no km 135 da rodovia BR-459. O espaço era conhecido como Estação do Artesanato e havia sido inaugurado em 2007. A Asas do Sapucaí usava o prédio para expor e vender peças produzidas pelos seus 118 sócios.

O imóvel pertence ao governo federal e foi cedido à Prefeitura em 1990 pela extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA). O termo de cessão autoriza o funcionamento de um centro cultural por tempo indeterminado. Para a administração municipal, a permanência da associação de artesãos no local seria irregular. O procurador-geral do Município, Francisco Ribeiro de Magalhães Junior, entende que o prédio é destinado a uma “casa de cultura” - que segundo ele é diferente de um centro de artesanato.

Outra suposta irregularidade citada por Francisco é a ausência de uma lei municipal que autorize o uso do imóvel pela Asas do Sapucaí. Apenas um termo de permissão de uso do bem público foi firmado entre a Prefeitura e a associação, em setembro de 2007. O documento deixou de vigorar em setembro do ano passado e não foi renovado pelo governo municipal. “Não tinha base jurídica e não podia continuar”, opina o diretor de Eventos da Divisão de Cultura da cidade, Janilton Prado.

De acordo com o presidente da associação, Sílvio Simões, a Estação do Artesanato passa por dificuldades há 11 meses. De abril a junho de 2008, o espaço ficou fechado. A interrupção das atividades foi motivada pelas obras de restauração da BR-459. Após a reabertura, os transtornos continuaram. “A obra na rodovia nos atrapalhou. O trânsito ficou muito rápido. Quem passa em frente [à estação] não pode parar. Perdemos muitos clientes por causa disso”, lamenta Sílvio.

Com o fim da entidade, a Prefeitura propôs a criação do Conselho Municipal do Artesanato. O assunto foi discutido por aproximadamente 50 artesãos em reunião realizada no dia 17 de março. O grupo aprovou a organização de uma comissão de artesanato no âmbito do Conselho Municipal do Patrimônio Artístico e Cultural. Janilton Prado, que coordenou o encontro, assegura que a Prefeitura planeja incluir novos serviços no antigo terminal ferroviário: “Decidiu-se que a estação vai se transformar num ponto de informação turística e apoio ao artesanato”.

Janilton diz que uma das prioridades da comissão de trabalho é viabilizar a reforma da Estação do Artesanato. Porém, o contrato entre a RFFSA e o Município estabelece que “nenhuma benfeitoria poderá ser realizada no imóvel [...], sob pena de rescisão contratual”. Outra cláusula do termo de cessão obriga a Prefeitura a “preservar o estilo arquitetônico” do prédio. Inaugurado em 1894, o terminal deve ser transferido para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), conforme prevê o decreto 6.018/2007.

Outra meta da nova comissão é promover oficinas e cursos em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater). Os trabalhos devem ser iniciados em maio, durante a festa da padroeira do município, Santa Rita de Cássia. Segundo Janilton, a Prefeitura estuda utilizar a estação como uma “rodoviária provisória” durante o evento para evitar que os ônibus circulem pela cidade.

Por enquanto, as portas da Estação do Artesanato permanecem fechadas. “Ainda não me deram ofício para entregar o prédio. Estou esperando [a comunicação oficial] para fazer assembleia e encerrar o CNPJ da associação”, diz o presidente Sílvio Simões. Para a artesã Anália Maria de Azevedo, o fechamento da entidade interrompe um “sonho antigo”. “Esperamos 20 anos por um centro de artesanato. Tínhamos mais de 100 associados e acho que estávamos indo bem. Espero que volte a funcionar com seriedade e respeito”, diz Anália.

Foto: Jonas Costa

Prefeitura faz obras de drenagem



[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

A Prefeitura de Santa Rita do Sapucaí iniciou há uma semana obras de captação e drenagem de água pluvial na área urbana. Os trabalhos acontecem em bairros que vêm sofrendo transtornos após as chuvas. Alagamento e pavimentação deficiente estão entre os principais problemas dessas regiões.

Nos bairros Fernandes e Jardim Beira-Rio, uma retroescavadeira foi usada na limpeza de drenos receptores de águas de chuva e esgoto. Segundo o secretário de Obras do município, Luiz Alberto Duarte Julidori, o trecho tem cerca de 300 metros e pode ser considerado um pequeno curso d’água. “É como se fosse um riacho”, resume. Os drenos vão da rua Dr. Oswaldo Campos do Amaral até o rio Sapucaí. Julidori afirma que o ‘riacho’ deverá ser canalizado para possibilitar a abertura de ruas no Beira-Rio.

A rua Monsenhor Calazans também está sofrendo reparos. O secretário de Obras diz que o número de bocas-de-lobo da via pública passará de três para 20. A falta de bueiros tem prejudicado a qualidade do calçamento da rua. Tubulações danificadas estão sendo substituídas para melhorar o escoamento da água.

Para Luiz Julidori, a drenagem da água pluvial é a maior deficiência de Santa Rita. Segundo seus cálculos, a construção das galerias de que a cidade necessita custaria de R$ 7 milhões a R$ 10 milhões. O secretário pretende encaminhar essa demanda ao governo federal até o final do ano. “Essa obra precisa ser feita. Não aparece, fica enterrada, não dá votos, não embeleza nada, mas resolve o grande problema da cidade. Enquanto não se fizer isso, não adianta consertar calçamento”, comenta.

Foto: Jonas Costa

20 de mar de 2009

Crise do café mobiliza produtores sul-mineiros

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Milhares de cafeicultores do Sul de Minas participaram de um protesto em Varginha na segunda-feira, 16. A Marcha pelo Café foi organizada pelo movimento SOS Cafeicultura para reivindicar apoio do Governo Federal ao setor. Os produtores reclamam da desvalorização do grão e querem pagar suas dívidas em sacas de café. Os organizadores do movimento aguardavam 20 mil participantes, mas os cálculos da Polícia Militar varginhense apontam para um número aproximado de 13 mil pessoas.

Líderes do SOS Cafeicultura alegam que a crise começou há 10 anos. De 2000 a 2008, os custos de produção do setor teriam crescido 500%, ao passo que o valor da saca de café subiu 22%. Os cafeicultores brasileiros acabaram contraindo uma dívida superior a R$ 4 bilhões com bancos. O movimento defende que esse débito seja quitado em sacas de café – cada uma valendo, no mínimo, R$ 320. Os cafeicultores entregariam essas sacas ao governo em 20 anos, sem desembolsar dinheiro para pagar juros.

Segundo os manifestantes, a atividade cafeeira é responsável pela geração de dois milhões de empregos diretos e oito milhões indiretos no país. As demissões no setor aumentaram a partir de outubro do ano passado. Somente no Sul de Minas, cerca de 400 mil trabalhadores perderam seus postos de trabalho nesse período. O Sindicato dos Produtores Rurais de Santa Rita do Sapucaí estima que mil demissões ocorreram na cidade desde outubro por conta da crise na cafeicultura.

Santa Rita foi representada na Marcha pelo Café por aproximadamente 200 produtores. Estiveram presentes alguns dirigentes do Sindicato Rural e da Cooperativa Regional Agropecuária (CooperRita). O presidente da Comissão de Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o santa-ritense Breno Mesquita, também participou do protesto. Empresas de Santa Rita penduraram faixas pretas em suas fachadas para sinalizar o apoio da Associação Comercial e Empresarial do Vale da Eletrônica (Acevale). As igrejas católicas se manifestaram tocando sinos durante a manhã de segunda.

O presidente do Sindicato Rural, Leonilton Moreira, acredita que a crise do café provocou um prejuízo de mais de R$ 3 milhões à economia santa-ritense nos últimos 10 anos. O líder ruralista afirma que dois mil trabalhadores atuam nos cafezais do município. Para ele, a administração federal tem sido omissa em relação às dificuldades dos cafeicultores. “O governo não dá atenção para o café. Não fez preço mínimo, deixou a Deus dará. Vamos desempregar muita gente se o governo não tomar uma providência”, diz.

Leonilton alerta que há casos de produtores que deixaram de plantar café por causa das condições desfavoráveis. “Já saiu muita gente. Só não saiu mais porque não tem para quem vender. Ninguém quer terra hoje. O sujeito só compra se tiver muito dinheiro sobrando”, comenta. Opinião semelhante é manifestada pelo gerente do Departamento de Café da CooperRita, Cláudio Lúcio Domingues: “Tem muita gente abandonando. Quem vai querer tomar conta de um negócio que dá prejuízo todo ano? Neste momento de crise, tem um monte de fazenda à venda e não está tendo oferta”.

O cafeicultor Gilberto Nogueira Cellet, de Cachoeira de Minas, considera crítica a situação dos produtores da região sul-mineira. Dos cafezais de Gilberto saem mais de cinco mil sacas de café por ano. Sua família cultiva o grão há três gerações. Para o cachoeirense, a continuidade desse trabalho depende da renegociação das dívidas. “Os produtores não querem perdão de dívida, querem pagar suas contas”, esclarece.

O presidente da Acevale, José Norberto Dias, entende que não basta auxílio financeiro do Governo Federal para quitar débitos. O dirigente empresarial defende que órgãos estatais mantenham uma política de estímulo permanente às vocações econômicas de cada região do país.

Foto: divulgação

Falta pavimentação na única avenida do bairro Fernandes

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

O bairro Fernandes fica em Santa Rita do Sapucaí e possui apenas uma avenida, que recebeu o nome de Joaquim Fernandes dos Santos. Somente dois pequenos trechos da via pública têm pavimentação, nos cruzamentos com as ruas João Batista de Melo e João Vilela de Araújo. Nos três quarteirões da avenida, há buracos, lama, mato e animais soltos.

O escoamento da água pluvial é o maior problema do local. Dos quatro bueiros da rua, dois estão entupidos. Após as chuvas, várias poças aparecem e dificultam o tráfego de pedestres e veículos. Alguns moradores utilizam entulho e pedras para cobrir os buracos. O papelão é outro material usado para a travessia sobre o barro.

A casa da manicure Olívia Carolina Rodrigues de Souza, 28, fica no trecho em que o trânsito é mais prejudicado. Olívia mora na avenida há 14 meses e afirma que o trecho só não ficou alagado durante dois meses. Ela relata que as chuvas fortes levam água até o quintal da casa. Para sair, o carro da família precisa passar sobre a calçada até chegar à rua João Batista de Melo, onde há pavimentação.

O jardineiro Paulo Rogério Moreira, 41, diz ter espalhado “40 carrinhos de mão de entulho” no quarteirão em que mora, na semana passada. Morador da Joaquim Fernandes há 13 anos, ele afirma que a atual administração municipal nada fez para melhorar a situação da avenida. “Já faz tempo que passaram a máquina aqui. Foi no tempo do Ronaldo [Carvalho, prefeito até abril de 2008]. Depois, nunca mais passaram”.

Paulo Rogério diz que as reclamações à Secretaria Municipal de Obras são frequentes, mas as respostas têm sido sempre desanimadoras. “Já reclamamos várias vezes. Não adianta. Quando alguém liga lá, dizem que a máquina está estragada ou que estão esperando melhorar o tempo”, conta o jardineiro.

A dona-de-casa Renata de Souza Araújo, 25, também se queixa da pasta de Obras do Município: “A resposta que a gente teve é que a Prefeitura está sem verba”. Sem ajuda do poder público, Renata e alguns vizinhos fizeram uma ‘vaquinha’ para comprar entulho. O material foi colocado nos pontos mais críticos da rua, mas novas poças surgiram. “Tem hora que a gente fica aqui [na calçada], passa algum carro e dá banho na gente”, diz.

Lixo, mato e animais – A desempregada Nilza Margarida Silvestre da Silva, 53, revelou à reportagem que um terreno que fica no fim da avenida está se tornando um depósito de lixo. “Não sei de onde vêm, mas estão descarregando muito lixo nesse lote vazio durante o dia. Tem muito lixo ali. Tenho até medo de dengue”, diz Nilza.

A reportagem visitou o terreno e verificou a presença de sacos de lixo, pilhas de entulho, mato e moscas. Foram encontrados vestígios de fogueiras e pelo menos dois objetos com água parada – um pote de plástico e uma bola de borracha rasgada. “Não adianta nada preocuparmos com a dengue”, protesta o filho de Nilza, o industriário Henrique Izaquiel da Silva, 25.

Nilza mora na avenida com sua família há três anos e cita outro problema do lugar: a presença constante de cães e cavalos. “Uns 20 cavalos passam por aqui e os cachorros correm atrás latindo. Aqui tem uns cinco cachorros que moram na rua e não têm dono. E tem carrapatos também”, explica a dona-de-casa.

Outro lado – O secretário municipal de Obras e Desenvolvimento Urbano, Luiz Alberto Duarte Julidori, foi entrevistado por telefone e comentou as reclamações dos moradores da avenida. Disse que a pavimentação depende de um abaixo-assinado com a participação da maioria dos proprietários de imóveis. Nesse caso, os interessados pagariam uma contribuição de melhoria, e os demais teriam seus nomes incluídos na dívida ativa do Município.

Julidori declarou que o recolhimento de animais será normalizado em breve. Comentou que a apreensão de cavalos e outros animais de grande porte é um serviço terceirizado, cujo contrato foi renovado recentemente. Já o veículo da Prefeitura que captura cães, disse ele, está em manutenção.

O secretário informou que a área em que há lixo e entulho pertence ao Município e será transformada em “ponto de recepção de resíduos”. A intenção é cercar o terreno e organizar a entrada e a saída de materiais úteis à Prefeitura, como os restos de construções que são espalhados em estradas rurais esburacadas.

Questionado sobre os bueiros obstruídos, Luiz Julidori afirmou que a Secretaria de Obras está efetuando a “limpeza total dos receptores de água pluvial” situados no loteamento Jardim Beira-Rio. “Começamos de baixo para cima e logo chegaremos às ruas do bairro Fernandes”, explicou.

Foto: Jonas Costa

13 de mar de 2009

Prefeitura de Alfenas lança coletânea de peças do santa-ritense Waldir de Luna

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Uma coletânea de peças teatrais do escritor santa-ritense Waldir de Luna Carneiro, 88, foi lançada no último sábado, 7, pela Prefeitura de Alfenas. ‘Teatro Completo’ reúne nove obras do dramaturgo, autor de mais de 50. Cerca de 300 exemplares foram entregues por Waldir na noite de autógrafos promovida no Teatro Municipal alfenense. Após o lançamento, o Grupo de Teatro e Cinema de Cambuí (GTC) encenou ‘A Mandinga’, uma das comédias do autor.

Mil exemplares da coletânea foram impressos com recursos do Município e vêm sendo distribuídos gratuitamente em escolas, bibliotecas e grupos de teatro. Das nove peças selecionadas, quatro já foram premiadas. ‘Revolução em Campina Brava’ lhe valeu o Prêmio Nelson Rodrigues, no Rio de Janeiro. ‘O Agiota’ foi homenageada pela Federação Mineira de Teatro. ‘A Represa’ e ‘O Zebuzeiro’ foram premiadas em duas edições do Festival de Arte Universitária, em Belo Horizonte.

Waldir nasceu em Santa Rita do Sapucaí em 1921, mas reside em Alfenas desde 1938. Bancário aposentado, o escritor se envolveu com o teatro ainda pré-adolescente. Escreveu sua primeira peça com 11 anos, encenando-a com amigos no porão da casa de sua avó materna, em Santa Rita. “A entrada era um pau de fósforo, desde que não estivesse queimado”, conta.

O escritor é membro das academias de letras de cinco cidades: Santa Rita, Itajubá, Poços de Caldas, Campanha e Piracicaba (SP).

Cambuí – O Grupo de Teatro e Cinema de Cambuí já apresentou sete espetáculos de Waldir de Luna: ‘A Represa’, ‘A Mandinga’, ‘O Mensageiro da Fé’, ‘O Maluco do Morro do Esqueleto’, ‘Urutópolis’, ‘Revolução em Campina Brava’ e ‘O Zebuzeiro’. Com a exceção de ‘O Maluco’, as peças tratam de costumes do povo mineiro. De acordo com o diretor do GTC, João Eiras, a preocupação do grupo cambuiense é manter vivas as obras do teatrólogo.

Foto: acervo particular

9 de mar de 2009

Mirem-se no exemplo...

O Dia Internacional da Mulher, celebrado ontem, chegou ao fim há poucos minutos. Mas a Semana da Mulher está apenas começando. Os próximos dias devem servir para reflexão e luta.

Há conquistas a comemorar, como a Lei Maria da Penha, que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Mas ainda falta estrutura para se combater esse tipo de crime.

O tratamento dispensado às mulheres brasileiras está longe de ser justo e digno. A equiparação salarial ainda é uma utopia. O aborto segue como tabu. A mulher ainda é subrepresentada no Poder Legislativo.

Falar de conquistas e demandas é importante, mas não se pode esquecer os exemplos. Inúmeras santa-ritenses de ontem e hoje merecem homenagens. Na tentativa de ser justo com as grandes mulheres que conheci, cometerei injustiças com aquelas menos presentes em minha memória. Prefiro arriscar.

Santa Rita do Sapucaí deve muito a Maria Idalina de Jesus (Maria Bonita), pobre e negra, e também a Luzia Rennó Moreira (Sinhá Moreira), rica e branca. Cada uma ofereceu o que pôde à cidade, preocupando-se sempre com os irmãos santa-ritenses.

Na educação, são estrelas de primeira grandeza Maria Garcia de Jesus Puentes, Edméa Sodré de Azevedo Carvalho, Irene Faria e Souza Junqueira, Lois Rezek Nassar (Dona Renê), Maria José Carvalho Vianna e Anna Abdalla, entre tantas outras.

Caridosas, tornaram-se inesquecíveis Francisca Celira da Silva Dias (Dona Chiquita), Rachel Guido Rocha Lemos, Marlene de Fátima Juvêncio e Miriam Pereira da Silva. Um exemplo de trabalho vive no topo da Rua Nova e chama-se Iracema Araújo. Luzia Gervásio, artista talentosa, deixou saudades. Irmã Rita, cujo sobrenome desconheço, permanece viva no coração de seus admiradores.

Santa Rita sempre teve (e continua a ter) mulheres que nos orgulham. Elas estão nas fábricas e nos cafezais, nas cozinhas e salas de aula, nas ruas e nos escritórios, nos lares ou nas lembranças. A todas elas, grandes guerreiras, minha pequena homenagem.

6 de mar de 2009

Para nova secretária, saúde precisa de organização em SRS

[Entrevista a Jonas Costa publicada na Gazeta do Vale]

A ginecologista e obstetra Tetzi Oliveira Brandão, 30, completa um mês no cargo de secretária de Saúde de Santa Rita do Sapucaí na segunda-feira, 9. Tetzi recebeu a reportagem no Centro de Atendimento ao Cidadão (Cac) e analisou o funcionamento da saúde pública no Vale da Eletrônica. Para a secretária, a maior deficiência desse serviço é a falta de organização. Tetzi acredita que Santa Rita pode se tornar um “polo de saúde” a partir da inauguração do Hospital Maria Thereza Rennó.

Qual foi sua primeira impressão sobre o serviço público de saúde em Santa Rita?
Tetzi Brandão – Já o conhecia, porque dou plantão no Hospital Antônio Moreira da Costa. Sabia das falhas. A saúde pública de Santa Rita precisa de organização. A cidade não é cheia de dinheiro, mas também não é miserável. Não temos problemas graves como no Norte de Minas. Nosso IDH [índice de desenvolvimento humano] é melhor que o de muitos municípios por aí, mas falta organizar a saúde. Santa Rita está com um pouco de atraso na medicina, que funciona de maneira precária, lenta. As coisas não são integradas.

Só no setor público ou também no privado?
Tetzi – Nos dois. Notamos que não existe uma integração do hospital com a rede básica, e já estamos mudando isso. Contratamos o projeto de um software que vai fazer um prontuário eletrônico do paciente. Lá vai ter tudo registrado: consultas em que o paciente foi e não foi, farmácia, atendimentos de especialistas, agendamentos. O que o médico do PSF [Programa Saúde da Família] vir na tela do seu computador vai poder ser visto pelo médico do Pronto-Atendimento. Essa base de dados vai ser online. Vai demorar de seis meses a um ano para se implantar o software em toda Santa Rita. Vamos precisar de computadores em todos os postos de saúde – e ainda não temos. Isso vai diminuir gastos.

O PSF funciona bem no município?
Tetzi – Funciona. Parece que o PSF dá prejuízo para a Prefeitura, porque o governo federal só manda uma parte do dinheiro. Só que, quando se instaura o PSF no município, se recebe do governo outros benefícios, como recursos para a saúde em casa e a saúde bucal. O dinheiro da saúde vem em bloco. O PSF tem, hoje, uma cobertura de 51% em Santa Rita. O planejamento é que seja mais de 70%. Com isso, vamos abrir outro PSF, o sétimo, no Bairro Santana.

Santa Rita depende menos do Cisamesp [Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Sapucaí] do que outras cidades da região?
Tetzi – Santa Rita precisa do consórcio. Não faz sentido uma cidade de 35 mil habitantes comprar um equipamento de ressonância magnética, por exemplo. O consórcio propõe que as cidades pequenas se juntem e paguem uma cota a alguém que tenha esse aparelho. O mesmo acontece com a UTI móvel, que seria muito cara para o município. É uma boa parceria.

Sua expectativa é que, com o novo hospital [Maria Thereza Rennó], Santa Rita se torne referência na área de saúde?
Tetzi – Sim. A ideia do vice-prefeito [David Carvalho Kallás, cirurgião] é que Santa Rita seja um polo de saúde. Podemos ser sede da nossa microrregião e, com a saúde, aumentar o comércio e o setor de serviços da cidade.

Foto: Jonas Costa

Rua Elpídio Costa, crises e pretextos

A comerciante Madalena Martins Minguta, 47, está cada vez mais preocupada com o buraco que se formou em frente ao prédio de sua família. A calçada afunda, as rachaduras aumentam e a moradora aguarda providências. A Prefeitura alega dificuldades financeiras e aguarda verbas estaduais e federais. O governador e o presidente aguardam o fim da crise econômica global. Crises são "belos" pretextos para não se fazer nada. Enquanto isso, o buraco e os riscos aumentam na Elpídio Costa.

Buraco na rua Elpídio Costa preocupa moradores



[Reportagem de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Um buraco que surgiu no final do ano passado na rua Elpídio Costa, em Santa Rita do Sapucaí, vem causando transtornos à população da região. A abertura apareceu quando alguns paralelepípedos afundaram. Moradores relatam que ficaram surpresos ao perceberem que o calçamento estava prestes a desabar num trecho da rua. As pedras se sustentavam de maneira precária acima de uma área oca. Com a retirada do calçamento, descobriu-se que o esgoto vazava entre tubos quebrados.

A rua Elpídio Costa fica no bairro Maristela e liga três importantes vias santa-ritenses – começa na rua Antônio Teles (rua da Pedra), faz esquina com a avenida Frederico de Paula Cunha (avenida da Coca-Cola) e termina na rua Capitão Vicente Ribeiro do Vale (rua do Queima). Para refazer a pavimentação, foi necessário impedir o trânsito entre o cruzamento com a rua Juca Castelo e a travessa Fátima Lúcia Bonaccorsi.

As obras foram interrompidas no período em que houve risco de enchente na rua. Apenas parte do calçamento retirado foi recolocada e nem todos os tubos de esgoto foram substituídos. A área em que faltam manilhas foi preenchida com terra e areia despejadas pela Prefeitura. Com as chuvas, um novo buraco se formou. Duas cercas de madeira foram instaladas para impedir a circulação de carros e motos no trecho afetado.

O sobrado do comerciante Luiz Marcos Minguta, 46, está localizado em frente ao buraco e é um dos mais prejudicados pelo problema. Luiz é proprietário de uma loja que fica no primeiro pavimento do prédio e mora com a família no segundo piso. O prédio apresenta diversas rachaduras, assim como a calçada que o contorna. Até mesmo um cabo de energia elétrica que estava sob o reboco ficou exposto com o aparecimento de trincas.

O comerciante é testemunha de um acidente que ocorreu no local e envolveu um idoso. “Puseram essa cerca aí, sem sinalização nenhuma. Um dia veio um senhor com uma Brasília e caiu dentro do buraco à noite. Estava chovendo demais. Sorte que não afundou”, relata. Luiz lamenta que a falta de providências esteja prejudicando seu estabelecimento comercial, já que a área interditada era usada para descarga de mercadorias e estacionamento de veículos de clientes.

O cabeleireiro José Diarlércio de Souza, 39, é dono de outro imóvel atingido pelas rachaduras. As paredes de seu salão de beleza apresentam trincas por dentro e por fora. Para Diarlércio, as dívidas da Prefeitura não a isentam da responsabilidade de cuidar da infraestrutura urbana. “Falam que não tem dinheiro, mas esse problema tem que ser resolvido”, reclama o cabeleireiro.

Outro morador da Elpídio Costa, que não quis se identificar, mostrou à reportagem um caderno em que anota fatos desde que o buraco foi descoberto. De acordo com as anotações, a abertura surgiu no dia 15 de dezembro. Cinco dias depois, o trânsito teria sido impedido pelos próprios moradores, que dizem ter empilhado pedras no meio da rua. O caderno registra que a pavimentação começou a ser refeita em 21 de janeiro. A última anotação cita a colocação da cerca, que teria acontecido em 6 de fevereiro.

Outro lado – O secretário municipal de Obras, Luiz Alberto Duarte Julidori, declarou à reportagem que a substituição da rede de esgoto da rua Elpídio Costa é a maior prioridade de sua pasta. De acordo com Julidori, será necessário um investimento de R$ 870 mil. O secretário disse que não há previsão para o início das obras por “falta de recursos financeiros e humanos e maquinário”. “Estamos buscando recursos dos governos estadual e federal”, comentou.

Fotos: Jonas Costa

5 de mar de 2009

Por acaso?

Salatiel Soares Correia é ex-aluno do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel). Engenheiro, administrador de empresas e mestre em Planejamento Energético, ele escreve textos para o Diário da Manhã, de Goiânia (GO). Foi esse periódico que veiculou seu artigo “O Vale da Eletrônica”, em 21 de fevereiro.

Para um santa-ritense minimamente interessado na história do município, não há nada de novo no texto. Mas é interessante notar que Santa Rita do Sapucaí se torna inesquecível àqueles que a conhecem. Não deve ser por acaso...

Eis o artigo:

“Um antigo princípio da ciência administrativa nos ensina que o acaso nunca acontece, pois tudo tem uma razão de ser. Aquilo que dá certo é o resultado de ações estratégicas resultantes do planejamento de longo prazo. O que dá errado é o resultado do imprevisto, do descompromisso para com as gerações futuras. Essa verdade se torna mais evidente ainda quando o assunto é educação.

Digo isso porque intenciono neste artigo abordar o sucesso de uma região que conheci há trinta anos quando, ainda jovem, fui para lá cursar Engenharia. Trata-se do Vale da Eletrônica no sul do Estado de Minas Gerais.

Naquela época, a região começava a mostrar fôlego se articulando com os dois centros que deram, ao longo desses anos, sustentação técnica e acadêmica para que o Vale viesse a se tornar o que atualmente é: um dos maiores pólos de eletrônica da América Latina. No caso, as instituições que davam e até hoje dão suporte ao considerável desenvolvimento da região são o Instituto Nacional das Telecomunicações (Inatel), pioneiro no País na formação de engenheiros de telecomunicações, e a Escola Técnica Francisco Moreira da Costa (ETE), pioneira na América Latina no ensino técnico de Eletrônica. Desse modo, Inatel e a ETE construíram um ambiente estimulante, onde as ideias em torno da alta tecnologia transbordavam naquela região fria e montanhosa das Minas Gerais.

O crescimento do Vale da Eletrônica transformou este num dos maiores pólos do País a produzir tecnologia não só para o mercado interno, mas, sobretudo, para inúmeros países da Europa e da América Latina. De lá, por exemplo, saíram as urnas eletrônicas que o Tribunal Superior Eleitoral usou para modernizar as eleições no Brasil.

Foi lá também que se desenvolveu grande parte da ainda recente TV digital que começa a chegar aos lares brasileiros. No Vale estão localizadas empresas, que vi dar os primeiros passos, e hoje tem fôlego de multinacional. A Linear, a maior fabricante de transmissores de telecomunicações no Brasil, é uma delas. A Leucotron, fabricante de PABX, do meu colega engenheiro Dílson Frota, é outra.

Enfim, no Vale da Eletrônica se desenvolvem inúmeros produtos focados no ramo de eletrônica que muito têm ajudado o País a substituir importações.
Se formos esmiuçar a razão do sucesso daquele pedaço de Brasil que cresce desconhecendo a crise porque hoje passa o País, voltaremos ao que se disse no início deste artigo: de que as coisas não acontecem por acaso, pois têm uma razão de ser.

Vejamos um pouco dessa história. A semente do sucesso partiu da iniciativa pioneira de uma grande benemérita da região que consegui enxergar a importância da eletrônica no início dos anos 50: Luzia Rennó Moreira, carinhosamente conhecida por “Sinhá Moreira”. Integrante da elite local, sobrinha do ex-presidente da República Delfim Moreira e cunhada do ex- ministro Olavo Bilac Pinto. Dona Sinhá usou toda sua influência de integrante da tradicional família mineira para fundar a semente que deu origem ao sucesso da região: a Escola Técnica de Eletrônica. Em seguida, a influente classe política de Minas Gerais foi decisiva para o surgimento do Instituto Nacional das Telecomunicações.

Nesse ambiente estimulante, foram construídas estratégias que vêm sendo implementadas há quase meio século. O apoio dos governos federal, estadual e municipal articulado com uma classe empresarial muito empreendedora tendo suporte das instituições de ensino e pesquisa são partes do todo que explica o sucesso do Vale da Eletrônica e das mais de 130 indústrias de eletrônica e telecomunicações lá existentes. Por trás dele, existiram e ainda existem muitos sonhadores que dedicaram suas vidas para construção de um sonho que hoje é uma realidade que muito orgulha o País.

No momento em que escrevo estas linhas, me vêm à memória nomes como dos professores do então diretor de ensino do Instituto Tecnológico da Aeronáutica Aroldo Borges Diniz, do então diretor do Inatel, professor Luís Gomes da Silva Júnior. Do corpo docente do Instituto certamente contribuíram para construção desse sonho nomes de grande respeitabilidade, como a exemplo dos professores Mário Augusto, José Augusto Baeta, Navantino, Pedro Sérgio, José Maria, Adonias, Wander Chaves e tantos outros que souberam honrar a construção dessa grande obra.

Nesse rol, não posso deixar de citar a classe política mineira que entendeu que uma das molas do desenvolvimento de uma região se faz com educação de qualidade.”

4 de mar de 2009

Vitória de Sarney. Derrota de Rezek

O sempre presidente José Sarney (outrora da República, hoje do Senado) obteve mais uma vitória na última madrugada. Na calada da noite, no tapetão, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o mandato de seu desafeto Jackson Lago, que ocupava o cargo de governador do Maranhão. O advogado que defende Lago é o sempre ministro José Francisco Rezek. Lago e seu vice, Luiz Carlos Porto, foram apeados do Palácio dos Leões por cinco votos a dois.

É a segunda vez em 2009 que Sarney derrota Rezek, ainda que indiretamente. A primeira foi a eleição do senador maranhense à presidência da câmara alta brasileira. O Senado da República era comandado por Garibaldi Alves Filho, que cumpria um mandato-tampão e lutava pela reeleição escudado por um parecer de Rezek. Sarney estimulou a recandidatura de Garibaldi e fingiu apoiá-lo para, em seguida, roubar-lhe a indicação do PMDB. Isso mesmo: Sarney engoliu um correligionário.

Com a cassação, deve voltar ao cargo a atual senadora Roseana Sarney, filha do coronel mais influente do país. A defesa de Lago entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF), mas acima de Sarney, no Brasil, só existe Deus. E, nesse caso, não adianta recorrer a Ele.