20 de mar de 2009

Falta pavimentação na única avenida do bairro Fernandes

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

O bairro Fernandes fica em Santa Rita do Sapucaí e possui apenas uma avenida, que recebeu o nome de Joaquim Fernandes dos Santos. Somente dois pequenos trechos da via pública têm pavimentação, nos cruzamentos com as ruas João Batista de Melo e João Vilela de Araújo. Nos três quarteirões da avenida, há buracos, lama, mato e animais soltos.

O escoamento da água pluvial é o maior problema do local. Dos quatro bueiros da rua, dois estão entupidos. Após as chuvas, várias poças aparecem e dificultam o tráfego de pedestres e veículos. Alguns moradores utilizam entulho e pedras para cobrir os buracos. O papelão é outro material usado para a travessia sobre o barro.

A casa da manicure Olívia Carolina Rodrigues de Souza, 28, fica no trecho em que o trânsito é mais prejudicado. Olívia mora na avenida há 14 meses e afirma que o trecho só não ficou alagado durante dois meses. Ela relata que as chuvas fortes levam água até o quintal da casa. Para sair, o carro da família precisa passar sobre a calçada até chegar à rua João Batista de Melo, onde há pavimentação.

O jardineiro Paulo Rogério Moreira, 41, diz ter espalhado “40 carrinhos de mão de entulho” no quarteirão em que mora, na semana passada. Morador da Joaquim Fernandes há 13 anos, ele afirma que a atual administração municipal nada fez para melhorar a situação da avenida. “Já faz tempo que passaram a máquina aqui. Foi no tempo do Ronaldo [Carvalho, prefeito até abril de 2008]. Depois, nunca mais passaram”.

Paulo Rogério diz que as reclamações à Secretaria Municipal de Obras são frequentes, mas as respostas têm sido sempre desanimadoras. “Já reclamamos várias vezes. Não adianta. Quando alguém liga lá, dizem que a máquina está estragada ou que estão esperando melhorar o tempo”, conta o jardineiro.

A dona-de-casa Renata de Souza Araújo, 25, também se queixa da pasta de Obras do Município: “A resposta que a gente teve é que a Prefeitura está sem verba”. Sem ajuda do poder público, Renata e alguns vizinhos fizeram uma ‘vaquinha’ para comprar entulho. O material foi colocado nos pontos mais críticos da rua, mas novas poças surgiram. “Tem hora que a gente fica aqui [na calçada], passa algum carro e dá banho na gente”, diz.

Lixo, mato e animais – A desempregada Nilza Margarida Silvestre da Silva, 53, revelou à reportagem que um terreno que fica no fim da avenida está se tornando um depósito de lixo. “Não sei de onde vêm, mas estão descarregando muito lixo nesse lote vazio durante o dia. Tem muito lixo ali. Tenho até medo de dengue”, diz Nilza.

A reportagem visitou o terreno e verificou a presença de sacos de lixo, pilhas de entulho, mato e moscas. Foram encontrados vestígios de fogueiras e pelo menos dois objetos com água parada – um pote de plástico e uma bola de borracha rasgada. “Não adianta nada preocuparmos com a dengue”, protesta o filho de Nilza, o industriário Henrique Izaquiel da Silva, 25.

Nilza mora na avenida com sua família há três anos e cita outro problema do lugar: a presença constante de cães e cavalos. “Uns 20 cavalos passam por aqui e os cachorros correm atrás latindo. Aqui tem uns cinco cachorros que moram na rua e não têm dono. E tem carrapatos também”, explica a dona-de-casa.

Outro lado – O secretário municipal de Obras e Desenvolvimento Urbano, Luiz Alberto Duarte Julidori, foi entrevistado por telefone e comentou as reclamações dos moradores da avenida. Disse que a pavimentação depende de um abaixo-assinado com a participação da maioria dos proprietários de imóveis. Nesse caso, os interessados pagariam uma contribuição de melhoria, e os demais teriam seus nomes incluídos na dívida ativa do Município.

Julidori declarou que o recolhimento de animais será normalizado em breve. Comentou que a apreensão de cavalos e outros animais de grande porte é um serviço terceirizado, cujo contrato foi renovado recentemente. Já o veículo da Prefeitura que captura cães, disse ele, está em manutenção.

O secretário informou que a área em que há lixo e entulho pertence ao Município e será transformada em “ponto de recepção de resíduos”. A intenção é cercar o terreno e organizar a entrada e a saída de materiais úteis à Prefeitura, como os restos de construções que são espalhados em estradas rurais esburacadas.

Questionado sobre os bueiros obstruídos, Luiz Julidori afirmou que a Secretaria de Obras está efetuando a “limpeza total dos receptores de água pluvial” situados no loteamento Jardim Beira-Rio. “Começamos de baixo para cima e logo chegaremos às ruas do bairro Fernandes”, explicou.

Foto: Jonas Costa

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