6 de mar de 2009

Para nova secretária, saúde precisa de organização em SRS

[Entrevista a Jonas Costa publicada na Gazeta do Vale]

A ginecologista e obstetra Tetzi Oliveira Brandão, 30, completa um mês no cargo de secretária de Saúde de Santa Rita do Sapucaí na segunda-feira, 9. Tetzi recebeu a reportagem no Centro de Atendimento ao Cidadão (Cac) e analisou o funcionamento da saúde pública no Vale da Eletrônica. Para a secretária, a maior deficiência desse serviço é a falta de organização. Tetzi acredita que Santa Rita pode se tornar um “polo de saúde” a partir da inauguração do Hospital Maria Thereza Rennó.

Qual foi sua primeira impressão sobre o serviço público de saúde em Santa Rita?
Tetzi Brandão – Já o conhecia, porque dou plantão no Hospital Antônio Moreira da Costa. Sabia das falhas. A saúde pública de Santa Rita precisa de organização. A cidade não é cheia de dinheiro, mas também não é miserável. Não temos problemas graves como no Norte de Minas. Nosso IDH [índice de desenvolvimento humano] é melhor que o de muitos municípios por aí, mas falta organizar a saúde. Santa Rita está com um pouco de atraso na medicina, que funciona de maneira precária, lenta. As coisas não são integradas.

Só no setor público ou também no privado?
Tetzi – Nos dois. Notamos que não existe uma integração do hospital com a rede básica, e já estamos mudando isso. Contratamos o projeto de um software que vai fazer um prontuário eletrônico do paciente. Lá vai ter tudo registrado: consultas em que o paciente foi e não foi, farmácia, atendimentos de especialistas, agendamentos. O que o médico do PSF [Programa Saúde da Família] vir na tela do seu computador vai poder ser visto pelo médico do Pronto-Atendimento. Essa base de dados vai ser online. Vai demorar de seis meses a um ano para se implantar o software em toda Santa Rita. Vamos precisar de computadores em todos os postos de saúde – e ainda não temos. Isso vai diminuir gastos.

O PSF funciona bem no município?
Tetzi – Funciona. Parece que o PSF dá prejuízo para a Prefeitura, porque o governo federal só manda uma parte do dinheiro. Só que, quando se instaura o PSF no município, se recebe do governo outros benefícios, como recursos para a saúde em casa e a saúde bucal. O dinheiro da saúde vem em bloco. O PSF tem, hoje, uma cobertura de 51% em Santa Rita. O planejamento é que seja mais de 70%. Com isso, vamos abrir outro PSF, o sétimo, no Bairro Santana.

Santa Rita depende menos do Cisamesp [Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Sapucaí] do que outras cidades da região?
Tetzi – Santa Rita precisa do consórcio. Não faz sentido uma cidade de 35 mil habitantes comprar um equipamento de ressonância magnética, por exemplo. O consórcio propõe que as cidades pequenas se juntem e paguem uma cota a alguém que tenha esse aparelho. O mesmo acontece com a UTI móvel, que seria muito cara para o município. É uma boa parceria.

Sua expectativa é que, com o novo hospital [Maria Thereza Rennó], Santa Rita se torne referência na área de saúde?
Tetzi – Sim. A ideia do vice-prefeito [David Carvalho Kallás, cirurgião] é que Santa Rita seja um polo de saúde. Podemos ser sede da nossa microrregião e, com a saúde, aumentar o comércio e o setor de serviços da cidade.

Foto: Jonas Costa

Um comentário:

Bernardo disse...

Dá muito medo o fato do novo governo municipal misturar com tanta facilidade o público e o privado. Onde acaba o vice-prefeito Sr. Kallás e onde começa o empresário da saúdo Dr. Kallás? É algo gravíssimo que está se desenhando. E essas declarações da secretária de saúde só alimentam esta fogueira.