24 de abr de 2009

Buraco de 6 metros de profundidade preocupa moradores



[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Um buraco com seis metros de profundidade tem preocupado moradores do bairro Cidade Jardim Santo Antônio, em Santa Rita do Sapucaí. A abertura fica num trecho sem calçamento da rua Leopoldo de Luna e teria surgido há seis anos. A erosão aumenta a cada chuva, já que faltam bueiros nas ruas mais altas da região.

A casa do professor universitário Fabiano Valias de Carvalho, na rua Ophélia de Luna, é uma das mais próximas ao buraco. Entre o imóvel e a vala, há um terreno baldio que vem sendo ‘engolido’. Em fevereiro, um engenheiro contratado por Fabiano vistoriou o local e constatou que a erosão pode comprometer a casa. “Ele disse que estava no limite. E o problema aumentou de fevereiro para cá”, relata o professor.

Fabiano diz que apresentou reclamações à Prefeitura por “várias vezes”. Como resposta, segundo ele, o buraco é preenchido com terra. Uma das empregadas da casa, Vera Lúcia de Oliveira, entende que esse tipo de medida é pouco eficaz: “Quanto mais eles colocam terra, é pior ainda. Eles entopem com terra, vem a chuva e carrega tudo de novo”.

Na última vez em que procurou a Prefeitura, Fabiano foi informado que a rua Leopoldo de Luna passaria por obras a partir de 13 de abril. Até o momento, a única providência partiu da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil, que sinalizou o local para impedir o tráfego de pedestres e veículos.

De acordo com Daniel Teixeira, engenheiro civil da Secretaria Municipal de Obras, o trecho receberá bueiros e manilhas. O início do trabalho está previsto para a próxima segunda-feira, 27. Teixeira diz que os proprietários do loteamento devem oferecer materiais e mão-de-obra, cabendo a Prefeitura disponibilizar o maquinário.

Foto: Jonas Costa

Vereadores discutem águas pluviais e trânsito

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Águas pluviais e trânsito foram alguns dos temas debatidos pelos vereadores de Santa Rita do Sapucaí na sessão de segunda-feira, 20. As reuniões ordinárias da Câmara Municipal acontecem nas noites de terça-feira, mas o feriado do Dia de Tiradentes motivou o encontro na tarde de segunda. A reunião contou com a presença dos nove vereadores e de membros do Governo Mirim do município.

Um dos assuntos comentados foi o buraco que causou a interrupção do trânsito na rua Elpídio Costa nos últimos três meses. O problema surgiu após o rompimento de tubos que levam água pluvial ao rio Sapucaí. O prefeito Paulo Cândido da Silva (PV) enviou ofício à Casa informando que a administração municipal vem realizando obras no local, como a colocação de bueiros. “Graças a Deus, tapou o buraco. Só não entendi por que esperou tanto tempo”, disse o vereador Vagner Fernandes Mendes (PR).

Em outro ofício, o prefeito citou mais ruas que vêm recebendo novas bocas-de-lobo: Juca Castelo, Monsenhor Calazans, Vereador José Eduardo Costa, Zequinha Major e Professor Francisco do Nascimento. O presidente da Câmara, Magno Magalhães Pinto (PT), afirmou que a solução definitiva para o escoamento da água de chuva seria um sistema de galerias.

Na mesma reunião, a Câmara recebeu um abaixo-assinado de moradores do Centro que pedem a reativação do tráfego automotivo na rua Major José Feliciano (rua dos Marques) no sentido rua Erasmo Cabral-praça Urbana Carolina de Azevedo (praça do Murilo). Atualmente, a via é de mão única no sentido oposto. O vereador João Batista Rezende (PSB) declarou apoio à reivindicação.

Outra reclamação na área de trânsito foi feita por João Paulo Sampaio (PDT): a afixação de placas indicando a localização de instituições santa-ritenses. Em ofício, o prefeito declarou que “já está sendo feito um levantamento” sobre a questão, mas alegou falta de verbas para implementar a medida. João Paulo afirmou que solucionar as deficiências na sinalização é simples: “Com poucos recursos e com um pouco de boa vontade, o senhor prefeito consegue resolver isso facilmente”.

Oito membros do Governo Mirim acompanharam a sessão. O ‘vereador’ Ranfleis Loranz Silvério dos Santos, 9, ocupou a tribuna para relatar sua contribuição ao bairro em que mora, o Bom Retiro. O pequeno parlamentar Guilherme Gomes Lemos Ribeiro, 12, fotografou o plenário e disse que pretende voltar a visitar o Paço Legislativo. “Achei interessante. Aqui tem mais discussão do que na nossa Câmara”, analisou Guilherme.

Marcos & Douglas preparam seu primeiro CD



[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

A dupla sertaneja Marcos & Douglas iniciou a gravação de seu primeiro CD há três semanas. O álbum independente terá 10 faixas, todas com canções inéditas. Os músicos de Santa Rita do Sapucaí estreiam no mercado fonográfico apostando no sertanejo universitário e em letras românticas. O lançamento do disco está previsto para o mês de julho.

A carreira da dupla começou em maio do ano passado. Marcos Martins Minguta, 21, procurava um parceiro musical para realizar um desejo que o acompanhava desde a infância: formar uma dupla sertaneja. Um tio de Marcos lhe apresentou Douglas Francisco da Silva, 20, que já se apresentava a amigos do bairro Vintém, na zona rural santa-ritense.

Onze meses depois, a banda tem seis integrantes. Douglas faz a primeira voz e Marcos, a segunda. Jessé Costa Silva, 21, é responsável por violão, guitarra e viola. Na bateria está Mateus Baldoni, 18. Marcelo Amaral Silva, 38, é o baixista. Já Mateus Cintra Couto, 20, é o tecladista do conjunto.

A dupla é influenciada por expoentes do sertanejo universitário, como Victor & Leo, Maria Cecília & Rodolfo, Jorge & Mateus, João Neto & Frederico, entre outros. A música sertaneja raiz também faz parte do repertório de Marcos & Douglas. Alguns shows são encerrados com um número de psy-trance.

A próxima apresentação de Marcos & Douglas acontecerá hoje, 24, a partir das 22h, no Placar Sport Bar (em frente ao trevo de Santa Rita). A agenda da dupla está disponível no perfil ‘Marcos & Douglas Banda’ no site de relacionamentos Orkut. O agendamento de shows pode ser feito pelo telefone 35-9103-0705.

Foto: acervo particular

17 de abr de 2009

Há um ano no poder, Paulinho diz que falta consciência ao cidadão



[Entrevista a Jonas Costa e Luís César Fonseca, da Gazeta do Vale]

“A grande dificuldade não é administrar. A grande dificuldade é o povo que faz. O próprio povo não tem consciência de que, se não fizer a parte dele, a Prefeitura não dá conta”. A afirmação é do prefeito de Santa Rita do Sapucaí, Paulo Cândido da Silva (PV), 49, que completou um ano de mandato no dia 11 de abril. ‘Paulinho da Cirvale’, como é mais conhecido, recebeu a reportagem em seu gabinete na última terça-feira, 14, e comentou esse período de trabalho.

O político e empresário declarou que “a Prefeitura tem que funcionar como uma empresa”. Paulinho disse também que não se arrepende de ter criado e reajustado tributos. Ele alega que a atual administração herdou uma dívida de R$ 9,8 milhões e “dificuldade em tudo”. O prefeito defende a aprovação de uma reforma administrativa para ajustar funções e reduzir salários de ocupantes de cargos de confiança.

Paulinho da Cirvale cita galerias pluviais e pavimentação de ruas como obras prioritárias. Ele revela que o projeto Cidade Digital, uma de suas bandeiras de campanha, ainda não foi iniciado por questões burocráticas. Por outro lado, assegura que quatro indústrias abrirão unidades no Vale da Eletrônica nos próximos meses.

Eleito vereador em 2000, o empresário se candidatou a prefeito quatro anos depois. Foi derrotado por Ronaldo de Azevedo Carvalho (PSDB), mas assumiu a Prefeitura após a cassação do tucano por suposto abuso de poder econômico. Candidatou-se novamente no ano passado e reelegeu-se com 62,85% dos votos válidos.

Como a Prefeitura estava quando o senhor a assumiu e como está hoje?
Paulinho –
Encontramos a Prefeitura com dificuldade em tudo. Documentos não existiam, muitos cheques dentro do cofre, das gavetas, uma bagunça mesmo. Não estou querendo difamar a imagem de ninguém, é uma realidade, tenho provas disso. Tivemos que resgatar tudo isso e levou muito tempo, porque a maioria da documentação que não estava aqui, tivemos que buscar fora. Fomos atrás de muitos contratos, de documentos no INSS, de CND [certidão negativa de débitos]. Com muito custo, fizemos todo esse levantamento e fomos fazendo as coisas acontecer. Hoje temos uma prefeitura com quase todos os documentos em dia. Tudo o que a lei pede está sendo feito, justamente para se evitar um problema mais tarde.

O que foi possível fazer em um ano e que deve ser lembrado?
Paulinho –
Acho que a moralidade é uma coisa a ser lembrada. Não podemos perder nunca a idoneidade. Temos que passar confiança para que as outras pessoas possam enxergar isso como dever, como obrigação.

Além da dívida, quais foram os maiores obstáculos neste período?
Paulinho –
A dívida foi um problema muito sério. Tivemos que tentar resgatar aquilo que tínhamos perdido, que era a confiança do fornecedor. Não tínhamos fornecedor de muita coisa. Asfalto é um exemplo: até hoje tenho problema com fornecedor de asfalto. A cidade está cheia de buracos e não temos condições de comprar asfalto, porque não temos fornecedores aqui por perto, só em São Paulo, Belo Horizonte, Campinas. É inviável sair com um caminhão daqui e ir a Campinas ou São Paulo buscar esse material, porque tem que chegar aqui quente. E não temos usina de asfalto.
Outra dificuldade é a mão-de-obra especializada. As gestões anteriores não deram oportunidade para o pessoal concursado fazer curso. Eles estão muito desatualizados da realidade que uma prefeitura precisa, e hoje estamos resgatando tudo isso.

A criação e o reajuste de tributos são as únicas formas de vencer as dificuldades financeiras? O senhor se arrepende de ter criado ou reajustado algum deles?
Paulinho –
Não. Sei que sem a Contribuição da Iluminação é impossível uma prefeitura sobreviver. A Prefeitura arca hoje com R$ 85 mil, se não estou enganado, de taxa de iluminação pública e cobramos apenas 40% disso [dos consumidores]. Aquele pessoal mais carente não entra nessa contribuição.
Outra taxa que criamos foi do uso do campo de futebol [Estádio Erasmo Cabral]. Lá não se usa energia? O campo de futebol funciona das 6h da manhã às 6h da tarde. Existe, sim, uma taxa de contribuição de energia. Imagina se não existisse? Tudo ficaria a Deus dará, aí todo mundo faz o que quer. Pagamos uma grande conta lá. O que a Prefeitura recebe é muito pouco para administrar uma cidade deste tamanho.

O senhor é empresário. Até que ponto a visão empresarial auxilia na administração pública?
Paulinho –
Se não houver um gestor, um administrador, a cidade não vai para frente. Isso é uma certeza absoluta. Se os prefeitos de hoje, da nova era, não forem empreendedores, não forem no mínimo administradores, não vão ter sucesso, terão problemas sérios. Tanto é que tivemos um. Por que a dívida foi de R$ 9,8 milhões? Porque não houve critério, não houve estudo, não houve planilha, não houve um planejamento para fazer a administração. Herdamos uma dívida de R$ 9,8 milhões por falta de competência. Hoje a gente enxerga que faltou nitidamente isso: planejamento.

O que o senhor classifica como prioritário para a cidade e que deve ser executado nos próximos anos?
Paulinho –
Uma das grandes prioridades que Santa Rita precisa é fazer galerias, para tirar a grande quantidade de água que se acumula nos períodos de chuva. Outra obra muito importante, mas que Santa Rita não comporta, devido ao solo que tem, é asfaltar as ruas. Para asfaltar as ruas não pode ser em cima de paralelepípedo ou bloquete, tem que ser asfalto profissional. O asfalto que fizeram aí todos esses anos é para inglês ver, para ganhar eleição. Não vou fazer enganação na minha gestão. São quatro anos só e não quero mais mesmo. Quero fazer as coisas para ter sucesso. O que a cidade precisa hoje é de galerias da Estamparia até o rio, do Asilo até o rio e outras galerias, mas essas duas são as principais.

A pavimentação de ruas é uma das reivindicações mais frequentes em Santa Rita. O que a sua administração tem feito para solucionar essa deficiência?
Paulinho –
Desde que entramos, estamos consertando ruas e mais ruas, não paramos um minuto. Contratamos empresas de fora quando tínhamos dinheiro e agora, como não temos mais, vamos fazer com nosso pessoal mesmo. O deputado Bilac [Pinto, do PR] tem nos enviado sempre uma boa quantia de dinheiro para se fazer esse conserto. Devido às chuvas, o conserto é constante, não acaba nunca, porque o solo de Santa Rita não permite. Já consertamos a rua Monsenhor Calazans quatro vezes. Ontem [segunda-feira, 13], com aquela chuva, estragou de novo porque não tem galeria. A água que sai lá do Loteamento do Valle e do Anchieta é grande e tinha apenas duas bocas-de-lobo naquela rua. Hoje são 22 bocas. São 20 a mais e, mesmo assim, não foi suficiente para captar toda água.
Colocamos para funcionar a fábrica de bloquetes, que faz uma média de 600 por dia. Conhecemos a qualidade do nosso bloquete. Vamos fazer os calçamentos necessários, que vão durar por muitos anos. Na última vez que fizemos calçamento grande, foi feita licitação e ganhou uma empresa de fora. Qual é a qualidade do bloquete? Testes não são suficientes. Amostragem não é um parâmetro que, nesse tipo de assunto, satisfaça.

O senhor pretende encaminhar à Câmara um projeto de reforma administrativa? A redução de cargos de confiança é um dos objetivos da proposta?
Paulinho –
Não. A ideia de se fazer a reforma administrativa é ajustar o que falta. Precisamos mandar um projeto de lei para ajustar o desvio de função para que aquele profissional daquela área possa exercer o que ele sabe fazer. O que acontece hoje é que ele está trabalhando num setor que não faz parte daquilo que estudou.
O objetivo de fazer uma reforma administrativa é reajustar os salários para baixo, não para cima, e fazer ajuste de funções. Mesmo com a reforma, [o gasto com pessoal] ainda vai ficar menor do que a lei permite.
A Prefeitura tem que funcionar como uma empresa: se o funcionário é bom, ele fica exercendo aquela função; se não é bom, ou a gente dá condição para ele ficar bom ou é eliminado do sistema. Muita gente atrapalha em vez de ajudar.

Durante a campanha eleitoral, o senhor se comprometeu a criar programas para atrair empresas. Quando isso acontecerá?
Paulinho –
Na realidade, já fizemos isso. Temos quatro empresas engatilhadas, todas elas estão muito voltadas a vir para Santa Rita, mas querem esperar a crise passar. São quatro empresas de grande resultado de retorno de ICMS, com quantidade máxima de 500 funcionários. Uma empresa é da área de metalurgia, de grandes estruturas de aço. Outra empresa é de ótica, na área de biomedicina. Outra é de software. E a outra é da área automobilística, de desenvolvimento de painéis para carros. Os protocolos de intenções já foram assinados. Devido à crise, pediram para esperar um pouquinho.

Outra meta de seu programa de governo é a implantação do projeto Cidade Digital. O que falta para que comece a funcionar?
Paulinho –
Aconteceu o seguinte: o dinheiro estava na conta da Caixa Econômica em Belo Horizonte. O Inatel doou o projeto, mas a Caixa Econômica não aceitou que o Inatel fizesse só para Santa Rita. Tinha que fazer para Santa Rita, Pouso Alegre e Itajubá porque o dinheiro era para as três cidades. Então, ficou parado e o dinheiro voltou para o governo. Estamos negociando e arrumando documentação para que seja feito só em Santa Rita, não nas três cidades em conjunto. Essa é a história da Cidade Digital, que já me irritou muito.

Há data prevista para a entrega das escrituras a moradores de conjuntos habitacionais?
Paulinho –
Quando as pessoas cobram alguma coisa da Prefeitura, elas acham que é apenas apertar um botão e imprimir um documento. Prefeitura tem a sua complexidade, já nasceu complexa. Não existe qualquer documento da Prefeitura que se faça com rapidez. O sistema é lento. O Brasil não está preparado para ser um país democrático por conta do jeito que o brasileiro é. Iniciamos o processo das escrituras dois meses depois que entrei aqui. Só que tive que esperar três meses antes da eleição e três meses depois, quando eu não podia doar nada. Retomamos em fevereiro. Está quase pronto, devemos entregar a qualquer momento. Mas depende do cartório, que não faz 1.800 escrituras em alguns dias. Isso demora.

Qual é a Santa Rita que o senhor deseja ver daqui a três anos e meio, quando sair da Prefeitura?
Paulinho –
Gostaria de poder ver uma cidade limpa e organizada, onde as pessoas chupassem uma bala e colocassem o papelzinho dentro do lixo, onde os vândalos não colocassem fogo nas lixeiras, onde pudéssemos ter dezenas de árvores plantadas e as pessoas não quebrassem o protetor e a árvore. É o que falta na cidade.
A Prefeitura funciona bem, apesar das dificuldades. O prefeito apenas direciona para onde a cidade vai crescer. Não é o prefeito que suja a cidade; é o cidadão. Não é o prefeito que coloca saco de lixo antes do horário; é o cidadão. Não é o prefeito que joga sacola e garrafa pet nas ruas; é o cidadão. O prefeito não está aqui para varrer rua. O prefeito está aqui para organizar isso tudo. E o pessoal de Santa Rita é muito difícil de organizar.
A grande dificuldade não é administrar. A grande dificuldade é o povo que faz. O próprio povo não tem consciência de que, se não fizer a parte dele, a Prefeitura não dá conta. Está no Código de Posturas: cada morador tem por obrigação zelar pelo seu quadrado. Se cada cidadão zelasse pelo seu quadrado, pela frente da sua casa, pelo seu quintal, pelo lixo que provoca, a cidade seria outra.

Foto: Jonas Costa

Rua sem calçamento dificulta mobilidade de idosos



[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Transitar pela rua dos Beija-Flores em dia chuvoso é tarefa difícil. Lama, buracos e mato estão presentes nos três quarteirões dessa via pública, que fica no bairro Arco-Íris, em Santa Rita do Sapucaí. As dificuldades são ainda maiores para os moradores mais velhos. Foi o que verificou a reportagem ao visitar o local na última semana.

A Beija-Flores liga a rua dos Curiós à dos Colibris – a última é um dos caminhos para o Centro Empresarial Paulo Frederico Toledo. Sem calçamento, a via é escorregadia, desnivelada e repleta de buracos. O mato cresce no meio da rua e principalmente onde deveria haver calçadas. Faltam cestos de lixo. Cães sem dono incomodam os transeuntes.

A costureira Maria Benedita de Jesus, 84, está entre os moradores que mais sofrem. Viúva há 58 anos, ela mora sozinha e têm saúde frágil. Para sair de casa, usa táxi ou ônibus. Os carros de praça não passam pela Beija-Flores nos dias de chuva, o que torna necessária uma caminhada sobre o barro até uma via pavimentada. Já o ponto de ônibus fica em um bairro vizinho, o Novo Horizonte.

Benedita enfrenta outro obstáculo para chegar ao ponto de ônibus: os cachorros soltos que encontra pelo caminho. Há alguns meses, uma cadela atacou a costureira, perfurando um vaso sanguíneo de sua perna esquerda. Depois do incidente, Benedita passou a carregar um galho de árvore para se defender. “Tem cachorro solto para todo lado. Tenho que andar com um pau até pegar o circular”.

A costureira conta que a limpeza da rua é feita pelos moradores. “Quando estou com saúde, capino e varro meu pedacinho. Agora, ficou largado”, comenta. A dona-de-casa Maria José Pinto, 64, relata que problemas de saúde a impossibilitam de participar dos mutirões de limpeza. “Dias atrás, foi preciso cada um capinar a sua parte. Estou com osteoporose nos joelhos e não posso mexer com essas coisas. Um vizinho capinou a minha parte”, explica.

Maria José também se queixa da incômoda presença de cães pelas ruas do bairro Arco-Íris. “Cachorro é o que mais tem aqui. Dizem que os cachorros têm dono, mas eles não aparecem”, diz a dona-de-casa.

Outro lado – O secretário municipal de Obras, Luiz Alberto Duarte Julidori, disse à reportagem, por telefone, que a pavimentação da rua dos Beija-Flores está entre as prioridades da administração municipal. Afirmou que a Prefeitura está empenhada em buscar verbas em outras esferas de governo para executar obras na cidade. “Estamos apagando incêndios. Pedimos à população um pouco de paciência”, afirmou Julidori.

Foto: Jonas Costa

9 de abr de 2009

Buracos causam descrença na rua da Esperança



[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

A rua da Esperança é das mais pacatas de Santa Rita do Sapucaí, mas seu asfalto esburacado tem irritado moradores e motoristas que por ali passam. Trata-se de uma via do bairro Vista Alegre que liga duas importantes avenidas: João de Camargo e Antônio Paulino, ambas na região central da cidade. Essa rua é uma das opções para deslocamentos entre o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) e a Escola Técnica de Eletrônica (ETE).

De acordo com antigos moradores, a rua da Esperança recebeu asfaltamento em 1968, na gestão do ex-prefeito Arlete Telles Pereira. Desde então, 41 anos se passaram e outros 10 políticos chegaram ao Paço Municipal. Nos últimos 20 anos, poucas operações ‘tapa-buracos’ foram vistas no local. “Entra prefeito, sai prefeito, ninguém dá bola para esta rua”, protesta uma moradora que não quis se identificar.

O aposentado José Mauro Monteiro, 64, mora na rua da Esperança há 34 anos e diz que os últimos reparos no calçamento aconteceram durante a primeira passagem de Jefferson Gonçalves Mendes pela Prefeitura (1989-1992). José Mauro afirma que as reclamações à administração municipal tem sido inúteis nos últimos anos. “Reclamar não adianta. Eu ia fazer um convite para o prefeito passar aqui duas vezes por semana de carro”, sugere o aposentado.

Morador da rua há sete anos, o estudante Tiago Augusto Chagas, 21, conta que estragos em automóveis são frequentes em frente à sua casa. Ele relata que, há aproximadamente duas semanas, o escapamento de um carro enroscou num buraco, danificando peças do veículo. Tiago diz que nunca presenciou obras da Prefeitura na via pública. “Desde que eu moro aqui, ninguém mexeu na rua. Só vi um vizinho que estava fazendo construção colocar entulho nos buracos”.

A reportagem visitou um trecho em que alguns buracos foram preenchidos com areia, nas proximidades do templo da Comunidade Evangélica da Paz. O material foi colocado por um morador que está reformando sua residência. Há buracos em todos os quarteirões da rua. Nos pontos onde o asfalto foi colocado sobre paralelepípedos, as aberturas fazem as pedras reaparecerem.

Outro lado – A Divisão de Licitações da Prefeitura informou à reportagem que um pregão será realizado no dia 15 de abril para a aquisição de concreto betuminoso usinado a quente (CBUQ) e concreto asfáltico – materiais empregados na pavimentação de vias.

A definição das ruas a serem beneficiadas compete à Secretaria Municipal de Obras e Desenvolvimento Urbano. Nenhum representante do órgão foi encontrado para esclarecer se a rua da Esperança será contemplada.

Foto: Jonas Costa

Pressão por obras chega a Bilac Pinto

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Depois de se reunirem com o deputado estadual Dalmo Ribeiro Silva (PSDB), os vereadores de Santa Rita do Sapucaí pressionaram o representante da cidade na Câmara Federal, Olavo Bilac Pinto (PR), em busca de apoio a obras de infraestrutura urbana. O encontro com o congressista ocorreu na quinta-feira, 2, e foi articulado pelo presidente da Câmara Municipal, Magno Magalhães (PT). Todos os nove vereadores santa-ritenses participaram do evento no Paço Legislativo Antônio Procópio da Costa.

Os pleitos levados a Bilac Pinto foram os mesmos apresentados ao deputado Dalmo uma semana antes. Os vereadores pediram empenho do parlamentar federal para acelerar a execução de quatro obras: calçamento de ruas da Nova Cidade, passarela de acesso ao bairro Pedreira, reforma da ponte do Matadouro e construção de galerias pluviais. Bilac afirmou que o orçamento do governo federal para 2009 destina R$ 850 mil para pavimentação de vias públicas e outras demandas de infraestrutura de Santa Rita – galerias, por exemplo.

O deputado destacou que o projeto técnico da passarela sobre a rodovia BR-459 já foi elaborado. Ele disse que o próximo passo é um processo licitatório para escolha da empreiteira que realizará a obra. O órgão responsável por essa licitação é o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), vinculado ao Ministério dos Transportes. O titular da pasta, Alfredo Nascimento, pertence ao mesmo partido que Bilac.

A proximidade do parlamentar com o governador Aécio Neves (PSDB) – de quem foi secretário – deve facilitar a liberação de verbas para a reforma da ponte sobre o ribeirão do Vintém, ao lado do Matadouro Municipal. Isso porque o projeto já foi encaminhado ao governo estadual. Na semana anterior, Dalmo disse que os recursos para a ponte poderiam “sair a qualquer momento”.

O vereador Magno Magalhães saiu satisfeito da reunião com Bilac Pinto. Para o petista, a pressão dos vereadores é legítima e ajuda o deputado a buscar recursos para o Vale da Eletrônica. “Sabemos que liberar verbas neste momento é difícil. Por isso, pressionamos o deputado para que ele tenha mais argumentos quando também for pressionar os governos”, diz o presidente da Câmara.

O representante do PV no Legislativo municipal, Hudson Carvalho, classificou o encontro político como “produtivo”. Hudson entende que a pressão sobre os deputados explicita o comprometimento dos vereadores com a população. “Sabemos dos problemas e não estamos sendo omissos. Essas reuniões demonstram isso”, afirma o verde. Já o vereador Sebastião Cláudio da Silveira (PR) diz que está mais otimista depois dos dois encontros. “A esperança é a última que morre”, comenta.

Escritora santa-ritense lança e-book

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

A escritora santa-ritense Jandyra Adami Neves de Carvalho, 71, lançou seu segundo e-book no dia 31 de março. ‘Sonhos e lembranças’ é o título do novo livro eletrônico, editado pela Academia Virtual Brasileira de Letras (AVBL). A obra tem 70 páginas e pode ser acessada gratuitamente no site www.ebooks.avbl.com.br.

Fundadora da AVBL, Jandyra havia lançado seu primeiro e-book, ‘Momentos’, em 2002. Ela é autora, ainda, dos livros ‘Rosas e espinhos’, ‘Passarela da vida’, ‘Para todos os momentos’ e ‘Devaneios – acalanto para gente grande’.

Em ‘Sonhos e lembranças’, Jandyra trata de assuntos do cotidiano. Ela nega que os textos reunidos no novo e-book tenham caráter autobiográfico. “O que escrevo é pura ficção. Nada aconteceu comigo. Inspiro-me em conversas com as amigas na internet”, explica.

Jandyra Adami diz que a rede mundial de computadores tem papel fundamental na divulgação de sua obra. Na AVBL, criada em 2001, há troca de mensagens eletrônicas entre escritores de várias regiões do país. A lista de contatos de Jandyra reúne quase 900 endereços do Brasil e de outros países, para os quais são enviados textos e links para downloads.

A escritora afirma que a infância em Santa Rita influencia sua obra. Moradora de Belo Horizonte, ela é auditora fiscal aposentada e integrante da Academia de Letras, Ciências e Artes de Santa Rita do Sapucaí.

Foto: acervo particular

Rezek desmente Sarney e o chama de "oligarca"

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

O jurista sul-mineiro José Francisco Rezek chamou de “oligarca” o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), em nota divulgada na semana passada. O texto foi publicado em resposta a uma carta em que o senador se queixa da atuação de Rezek na defesa do governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT). O pedetista venceu a filha do ex-presidente da República, Roseana Sarney (PMDB), nas eleições de 2006, mas teve seu mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Lago recorreu da decisão, classificada por Rezek como “tentativa de golpe de estado pela via judiciária”.

A carta redigida por Sarney faz menção à sua suposta intervenção pela nomeação de Rezek para o Supremo Tribunal Federal (STF) em 1983. O peemedebista cobra gratidão e alega que teria agido a pedido do ex-deputado Bilac Pinto (1908-1985).

Rezek nega que o senador tenha sido seu ‘padrinho’. O advogado foi indicado para o STF duas vezes, em 1983 e 1992. As nomeações foram feitas pelos ex-presidentes João Figueiredo e Fernando Collor. Sarney presidiu o país de 1985 a 1990.

3 de abr de 2009

Barranco ameaça casas na Vila Operária

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Um deslizamento ocorrido há um mês e meio tirou o sossego de duas famílias da Vila Operária, pequeno bairro da área urbana de Santa Rita do Sapucaí. Parte de um barranco que fica atrás das casas cedeu na madrugada chuvosa de 15 de fevereiro, levando pedras e preocupação para os quintais. O incidente não ocasionou perdas humanas ou materiais, mas os moradores receiam que novos desmoronamentos coloquem vidas e bens em risco.

O local foi visitado por um representante da Defesa Civil no dia seguinte ao acidente, porém a Prefeitura só começou a retirar as pedras em 27 de março. A remoção coube a três funcionários da Secretaria Municipal de Obras, que esperam concluir o trabalho na tarde de hoje, 3. O material extraído é conhecido como ‘pedra morta’ e será usado para nivelar dois terrenos da Vila Operária.

O imóvel mais prejudicado pelo deslizamento pertence à família da dona-de-casa Jacira Albino Rafael, 49. Mais da metade de seu quintal foi tomado pelas pedras. A área de serviço também foi atingida. O imóvel do vigia Mário Tavares da Silva, 52, foi menos afetado, mas os cômodos de sua casa ficam mais próximos ao barranco – o quarto de ferramentas e um dormitório estão ao lado do morro.

Jacira e Mário moram na rua São Vicente de Paula há 26 e 21 anos, respectivamente. Ambos se recordam que, em 2000, outro deslizamento atingiu a residência de uma vizinha. Jacira conta que um cavalo e um garoto já caíram em seu quintal nos últimos 10 anos. Para Mário, a construção de um muro de arrimo não reduziria os riscos de acidentes. “Muro não vai resolver nada. Se arrumasse uma companhia para desbeiçar um pouco [o barranco], iria melhorar para nós. Tinha que ir tirando a terra aos poucos”.

O servidor público José Hernandes Ribeiro, 44, que atua na retirada das pedras, acredita que a redução do barranco deve ocorrer apenas onde há maior chance de desabamento. “Em coisa firme não vai poder mexer. Só vai tirar o que está solto, o que está para cair”, diz. A possibilidade de novos desmoronamentos preocupa outro operário que trabalha na remoção: Luís Antônio Serafim, 38 [foto]. Ele nasceu numa casa que ficava no lote onde hoje mora Jacira e comentou que o serviço colocou sua vida em risco.

Outro lado – O coordenador municipal da Defesa Civil, Ricardo Soares Cintra Pereira, declarou à reportagem que não há necessidade de interdição das casas da rua São Vicente de Paula. Ricardo afirmou que essa informação foi registrada em um laudo de vistoria assinado por engenheiros da Prefeitura. Ele disse ter recomendado à Secretaria Municipal de Obras que seja feita manutenção em valetas localizadas no alto do morro para desviar a água pluvial.

Procurado por telefone, o secretário de Obras do município, Luiz Alberto Duarte Julidori, não foi encontrado nem retornou as ligações até a conclusão desta edição.

Foto: Jonas Costa

Vereadores cobram ação de deputado

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Os nove vereadores de Santa Rita do Sapucaí cobraram empenho do deputado estadual Dalmo Ribeiro Silva (PSDB) em encontro realizado no dia 26 de março. Os parlamentares santa-ritenses pediram o apoio do tucano para a viabilização de obras de infraestrutura urbana. A reunião foi proposta pelo vereador João Paulo Sampaio (PDT) e aconteceu no prédio da Câmara Municipal. Aliado de Dalmo, o prefeito Paulo Cândido da Silva (PV) não participou do encontro.

Uma das reivindicações apresentadas foi a construção de uma passarela para pedestres sobre a rodovia BR-459, em frente ao bairro Pedreira. Também foram solicitadas a pavimentação de ruas do conjunto habitacional Pedro Sancho Vilela, a reforma da ponte próxima ao Matadouro Municipal e a construção de galerias pluviais.

Dalmo comunicou aos vereadores que a ponte e a passarela já estão incluídas em projetos dos governos estadual e federal. O deputado se comprometeu a buscar recursos financeiros para o calçamento e as galerias, mas ponderou que a liberação de verbas só deve ser retomada no segundo semestre. Segundo o tucano, essa dificuldade se deve à crise financeira global, que vem causando queda na arrecadação de impostos no país.

De acordo com o vereador João Paulo, Dalmo disse que o calçamento e a galeria são “obras de valor grande e que não vão sair agora”. O representante do PSDB comentou que os dois projetos ainda não foram elaborados, mas estão entre suas preocupações. O deputado salientou que sua ligação política com o prefeito santa-ritense e com o governador Aécio Neves (PSDB) deve facilitar a obtenção de recursos para as obras solicitadas.

João Paulo alega que procurou Dalmo porque “o prefeito argumenta que não tem verba”. “Como nós sabemos que o governo estadual e o governo federal contemplam em seus orçamentos verbas para essas questões, com o auxílio de um deputado as verbas podem ser direcionadas também para o nosso município”, explica o vereador do PDT.

O vereador Waldecir Maciel Januário (PDT) considerou positiva a conversa com Dalmo. O pedetista pediu “calçamento e segurança para a Nova Cidade”. Waldecir afirma que o deputado demonstrou interesse em contribuir com a solução dos problemas apresentados.

Para Clarismon Inácio (PSDB), único vereador da oposição, a reunião foi “ótima”. Clarismon pediu apoio à construção de galerias pluviais no bairro Fernandes e sugeriu que o deputado federal Bilac Pinto (PR) fosse convidado para um encontro semelhante.

Natural de Ouro Fino, Dalmo Ribeiro Silva foi o parlamentar estadual mais votado em Santa Rita do Sapucaí nas eleições de 2006 – obteve 2.959 votos (16,2% dos votos válidos). Na disputa para deputado federal, a liderança ficou com o santa-ritense Bilac Pinto, que atingiu 11.550 votos (61,6%).

Foto: acervo particular