3 de abr de 2009

Barranco ameaça casas na Vila Operária

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Um deslizamento ocorrido há um mês e meio tirou o sossego de duas famílias da Vila Operária, pequeno bairro da área urbana de Santa Rita do Sapucaí. Parte de um barranco que fica atrás das casas cedeu na madrugada chuvosa de 15 de fevereiro, levando pedras e preocupação para os quintais. O incidente não ocasionou perdas humanas ou materiais, mas os moradores receiam que novos desmoronamentos coloquem vidas e bens em risco.

O local foi visitado por um representante da Defesa Civil no dia seguinte ao acidente, porém a Prefeitura só começou a retirar as pedras em 27 de março. A remoção coube a três funcionários da Secretaria Municipal de Obras, que esperam concluir o trabalho na tarde de hoje, 3. O material extraído é conhecido como ‘pedra morta’ e será usado para nivelar dois terrenos da Vila Operária.

O imóvel mais prejudicado pelo deslizamento pertence à família da dona-de-casa Jacira Albino Rafael, 49. Mais da metade de seu quintal foi tomado pelas pedras. A área de serviço também foi atingida. O imóvel do vigia Mário Tavares da Silva, 52, foi menos afetado, mas os cômodos de sua casa ficam mais próximos ao barranco – o quarto de ferramentas e um dormitório estão ao lado do morro.

Jacira e Mário moram na rua São Vicente de Paula há 26 e 21 anos, respectivamente. Ambos se recordam que, em 2000, outro deslizamento atingiu a residência de uma vizinha. Jacira conta que um cavalo e um garoto já caíram em seu quintal nos últimos 10 anos. Para Mário, a construção de um muro de arrimo não reduziria os riscos de acidentes. “Muro não vai resolver nada. Se arrumasse uma companhia para desbeiçar um pouco [o barranco], iria melhorar para nós. Tinha que ir tirando a terra aos poucos”.

O servidor público José Hernandes Ribeiro, 44, que atua na retirada das pedras, acredita que a redução do barranco deve ocorrer apenas onde há maior chance de desabamento. “Em coisa firme não vai poder mexer. Só vai tirar o que está solto, o que está para cair”, diz. A possibilidade de novos desmoronamentos preocupa outro operário que trabalha na remoção: Luís Antônio Serafim, 38 [foto]. Ele nasceu numa casa que ficava no lote onde hoje mora Jacira e comentou que o serviço colocou sua vida em risco.

Outro lado – O coordenador municipal da Defesa Civil, Ricardo Soares Cintra Pereira, declarou à reportagem que não há necessidade de interdição das casas da rua São Vicente de Paula. Ricardo afirmou que essa informação foi registrada em um laudo de vistoria assinado por engenheiros da Prefeitura. Ele disse ter recomendado à Secretaria Municipal de Obras que seja feita manutenção em valetas localizadas no alto do morro para desviar a água pluvial.

Procurado por telefone, o secretário de Obras do município, Luiz Alberto Duarte Julidori, não foi encontrado nem retornou as ligações até a conclusão desta edição.

Foto: Jonas Costa

Nenhum comentário: