21 de mai de 2009

Barracas causam transtornos no bairro Família Andrade



[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Maio é mês de festa em Santa Rita do Sapucaí. O dia da padroeira (22) e o aniversário da cidade (24) são comemorados com shows e eventos religiosos. Mas nem todos os santa-ritenses conseguem se divertir neste período. Moradores de duas ruas do bairro Família Andrade se sentem incomodados pela presença de barracas que comercializam alimentos, roupas, brinquedos e outros produtos.

Os vendedores ambulantes se instalaram mais uma vez na avenida Francisco Andrade Ribeiro e na rua Augusto Rafael de Souza. Algumas barracas estão na rua Pedro Moreira, entre a ‘ponte nova’ e a praça Santa Rita. O espaço transformado em ‘camelódromo’ temporário é a principal via de acesso à cidade. Com a interrupção do tráfego de veículos nessa região, o trânsito é desviado para a ponte José Neves, que dá acesso à rodovia BR-459.

Para sair de casa e voltar do trabalho, o empresário Antônio Macedo Júnior tem de passar pelas vias ocupadas por barracas. Sua residência fica na rua Benedito Capistrano Alckmin, que faz esquina com a avenida Francisco Andrade Ribeiro. Na mesma avenida, Antônio está construindo um prédio, mas a obra foi interrompida desde o início da festa. “Não consegue chegar material. Os pedreiros ficam parados”, justifica. O empresário denuncia que necessidades fisiológicas e relações sexuais são feitas em frente à sua casa. “Quando minhas filhas vão sair à noite, têm que bater no portão antes para as pessoas saírem”.

A contabilista Maria Elizabeth Carneiro de Andrade Paiva é duplamente prejudicada. Além de morar na ‘avenida das barracas’, mantém um escritório ao lado de sua casa. Elizabeth diz que os maiores transtornos causados pela presença dos camelôs são as dificuldades de locomoção, o excesso de ruídos e o mal-cheiro proveniente de excrementos. Ela afirma que a Prefeitura deveria reservar um espaço para a Festa de Santa Rita fora do perímetro urbano. “Se tivesse um local de eventos, seria melhor para nós [moradores] e melhor para eles [barraqueiros]. Mas a Prefeitura nunca tem dinheiro”.

Um morador da rua Augusto Rafael de Souza, que não quis se identificar, diz que perde várias noites de sono durante os festejos. “É difícil dormir. O barulho vai até meia-noite ou uma hora da madrugada”, lamenta. O morador exibiu à reportagem um documento que recebeu da Prefeitura, no qual consta uma cobrança de R$ 1650 caso ele não queira receber barracas em frente à sua residência. Ele afirmou que, nos dias de festa, guarda o carro numa propriedade rural, pois o acesso à garagem do imóvel urbano fica obstruído.

A dona-de-casa Maria José Gonçalves é uma exceção. Moradora da rua Augusto Rafael de Souza há 33 anos, ela aprecia a companhia dos barraqueiros. “Estou gostando. Todos os barraqueiros são muito bons. É uma beleza. Tratam a gente muito bem. A gente adora eles”. Para Maria José, a amizade com os camelôs é garantia de segurança durante a festa. “Eles ficam aqui pertinho. Aí não tenho medo de assalto”, comenta a dona-de-casa.

Foto: Jonas Costa

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