11 de jun de 2009

Inoportuna discussão

Pseudotema. Este foi o neologismo empregado pelo ministro Nelson Jobim (Defesa) para qualificar a possibilidade de um terceiro mandato consecutivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Jobim é filiado ao PMDB, mesmo partido do deputado sergipano Jackson Barreto, autor de uma proposta que abriria espaço para duas reeleições continuadas à presidência da República, aos governos estaduais e às prefeituras. Barreto buscou, na última semana, o apoio formal de sua legenda à inoportuna proposição. Mas o PMDB, como sempre, está dividido.

Dividido está também o eleitorado brasileiro sobre esse tema. Uma sondagem do Datafolha promovida no final de maio aponta que 47% dos brasileiros apoiam a proposta, que foi rejeitada por 49% dos entrevistados. Com popularidade estratosférica, Lula tem insistido em rechaçar a ideia do terceiro mandato. O estadista sabe que uma manobra dessa natureza ocasionaria desgastes políticos incalculáveis.

O PSDB é contrário à alteração da regra do jogo. Pura conveniência, uma vez que os tucanos e seus aliados foram responsáveis pela aprovação da emenda da reeleição, em 1997. A mudança beneficiou o então presidente, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que acabou acusado de utilizar métodos pouco ortodoxos para convencer o Congresso Nacional.

Quando os interesses pessoais e partidários são colocados acima de tudo, a democracia corre risco. Os governadores tucanos José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) costuram um acordo tão nocivo ao país quanto as emendas da reeleição e do terceiro mandato. Ambos são presidenciáveis e querem organizar a fila do PSDB instituindo um mandato improrrogável de cinco anos. Caso o pacto vingue, Aécio seria candidato a vice de Serra em 2010 e disputaria o Planalto em 2015.

Se Lula resistir à tentação do terceiro mandato, anotará em sua biografia uma inesquecível lição de democracia. Espera-se que Serra e Aécio tenham a mesma postura democrática, para que manobras oportunistas não passem de pseudotemas.

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