5 de jun de 2009

Semana sem ambiente

A Semana do Meio Ambiente de 2009 não poderia ter sido pior para a maior autoridade desta área no governo federal. Cada vez mais isolado na equipe de Lula, o ministro Carlos Minc (PT) se tornou alvo de denúncia na Comissão de Ética Pública do governo e de representação na Procuradoria Geral da República por suposto crime de responsabilidade. A acusação recaiu sobre Minc depois que ele classificou os grandes produtores rurais de “vigaristas”.

A denúncia e a representação partiram da presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO). A líder ruralista pertence a um partido de oposição, mas sua atitude encontra entusiastas na base aliada e até mesmo no primeiro escalão da administração petista. Há um cabo-de-guerra entre Minc e os titulares da Agricultura, Reinhold Stephanes (PMDB), dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR), e dos Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger (PRB).

O ministro do Meio Ambiente chegou a se reunir com o presidente da República na semana passada para reclamar de suas sucessivas derrotas. O titular da pasta verde alegou que alguns setores da máquina federal fazem pouco caso da legislação ambiental. O encontro foi, para Lula, o reprise de um filme de 2008. Em maio daquele ano, a então ministra Marina Silva (PT-AC) jogou a toalha depois de mais de cinco anos de embates com colegas da Esplanada.

Minc está no meio do fogo cruzado entre defensores da proteção ambiental e do desenvolvimento econômico. Lula tem, pela segunda vez, a oportunidade de demonstrar que os dois polos não necessariamente se excluem. Soará estranho se o presidente de origem esquerdista cerrar fileiras com os latifundiários que o Partido dos Trabalhadores sempre combateu.

Carlos Minc não caiu de paraquedas no ministério que ocupa. Fundador do Partido Verde, é um dos mais antigos ecologistas em atividade no Brasil. Com seu estilo midiático, o ministro teria na Semana do Meio Ambiente um prato cheio para sair do governo bem maior do que entrou. O Brasil, infelizmente, não teria o que comemorar.

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