26 de jun de 2009

‘SOS Cafeicultura’ busca apoio em Brasília



[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Cafeicultores de vários estados brasileiros se reuniram em Brasília na última terça-feira, 23, para pedir apoio ao governo federal. Adeptos do movimento SOS Cafeicultura, eles reclamam da desvalorização do grão e querem pagar suas dívidas em sacas de café. Os produtores participaram de uma audiência pública promovida por duas comissões da Câmara dos Deputados: a de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; e a de Finanças e Tributação.

Alguns cafeicultores chegaram à Câmara com camisetas pretas e narizes de palhaço. O movimento cobra medidas do governo desde 16 de março, quando a Marcha do Café reuniu 13 mil manifestantes em Varginha. Os líderes do SOS Cafeicultura alegam que a crise começou há 10 anos. De 2000 a 2008, os custos de produção do setor teriam crescido 500%, ao passo que o valor da saca de café subiu apenas 22%.

Os cafeicultores brasileiros contraíram uma dívida superior a R$ 4 bilhões com bancos. O movimento defende que esse débito seja quitado em sacas – cada uma valendo, no mínimo, R$ 320. Os produtores entregariam as sacas ao governo em 20 anos, sem desembolsar dinheiro para pagar juros. Os ministérios da Agricultura e da Fazenda ainda analisam estas reivindicações.

Na audiência pública de terça-feira, a crise do café foi discutida por representantes do governo e líderes ruralistas. Entre os debatedores estava o santa-ritense Breno Pereira de Mesquita, presidente da Comissão Nacional de Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Também representaram Santa Rita do Sapucaí Leonilton Moreira (presidente do Sindicato dos Produtores Rurais) e Roberto Machado Mendes de Barros (diretor de Café da CooperRita).

Leonilton retornou de Brasília mais otimista, mas não espera medidas rápidas do governo federal. “Foi uma reunião proveitosa. Como sempre, na audiência ficamos mais animados com as respostas dadas pelos representantes dos ministérios da Fazenda e da Agricultura. Mas, na realidade, ficamos preocupados porque Brasília não resolve nada em dois ou três dias. Lá dá resultado em 30, 60 ou 90 dias”, opina.

O presidente do Sindicato Rural de Cachoeira de Minas, Antônio Dionísio Filho, é cético quanto a um possível gesto de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Parece que o Lula não está dando importância para o que vem acontecendo com o café. Acho que a política dele é outra”, diz Antônio Dionísio. Ele entende que o preço mínimo da saca de café, que hoje é R$ 261, deveria ser R$ 320. “Há quatro anos, a saca de café valia mais que um salário mínimo. Hoje, vale meio salário. A desproporção é muito grande”.

Além dos sindicatos rurais de Santa Rita e Cachoeira, apoiam o movimento SOS Cafeicultura entidades de mais de 100 municípios – entre eles, Pouso Alegre, Cambuí e Bom Repouso.

Foto: Agência Câmara

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