25 de jul de 2009

Perigosos camaleões

Tudo parece normal na política brasileira. Velhos vícios são legitimados por não serem contestados – ou descobertos. A conduta criminosa de um indivíduo é perdoada por elementos igualmente infratores. O uso da máquina pública para fins particulares é justificado ao sabor das conveniências. Entre inúmeras práticas políticas reprováveis, há uma que tem se acentuado desde a redemocratização: o ziguezague fisiológico, ou seja, as constantes ‘mudanças de lado’ para obtenção de vantagens governamentais.

Todos os governos do período pós-ditatorial se serviram dos viracasacas. Aliás, o regime militar somente foi superado quando dissidentes do PDS (então partido do governo) romperam com os generais para apoiar a candidatura presidencial de Tancredo Neves, do quase oposicionista PMDB. Com a morte de Tancredo, o poder central ficou nas mãos de seu vice, o coronel José Sarney, um filhote da ditadura. O governo Sarney estimulou o fisiologismo distribuindo concessões de rádio e TV em troca de votos no Congresso Nacional.

Sarney foi sucedido por Fernando Collor, que lhe fazia oposição e prometia expulsar os marajás do templo. Apesar de neoliberal, a ‘República de Alagoas’ foi apoiada por supostos quadros de esquerda. Collor caiu e deu lugar ao vice Itamar Franco, que, seduzido pelos oportunistas, patrocinou o projeto presidencial de Fernando Henrique Cardoso. FHC, por sua vez, foi beneficiado pela emenda da reeleição, cuja aprovação pelo Congresso permanece sob a suspeita de compra de votos.

Quando Luiz Inácio Lula da Silva subiu a rampa do Planalto, acreditou-se que a governabilidade passaria a ser buscada de uma forma, por assim dizer, mais republicana. Mas PSDB e PFL (hoje Democratas) caminharam para a oposição, forçando uma aproximação entre PT, PMDB e pequenas legendas de aluguel. Assim surgiu a denúncia do ‘mensalão’, que teria sido usado para compra de apoio parlamentar.

A existência do ‘mensalão’ ainda não foi comprovada. Mas é triste ver que Lula pareça à vontade com aliados fisiológicos. Os recentes elogios a Collor e Renan Calheiros e o apoio incondicional a Sarney são baldes de água fria àqueles que acreditam em coerência na política. Os oportunistas agradecem, enquanto afiam seus punhais para futuras traições.

18 de jul de 2009

Nova CPI, velho filme

O Brasil tem uma nova comissão parlamentar de inquérito (CPI) desde a última terça-feira, 14. O alvo das investigações é a Petrobras, maior estatal do país. Durante os próximos seis meses (ou 12, caso haja prorrogação de trabalhos), serão escarafunchados os dados contábeis da empresa e suas relações com o mundo político. A depuração pode ser saudável se os senadores que integram a CPI souberem utilizar os “poderes de investigação próprios das autoridades judiciais”, conforme reza a Constituição Federal. Coisa difícil.

Políticos não são bons juízes. Não raro, ignoram a coerência em nome da conveniência. Chegam a poupar aliados corruptos enquanto atacam adversários honestos. Tem sido assim nas CPIs brasileiras. A julgar pelos primeiros atos de seus integrantes, a comissão da Petrobras não será diferente. Mais uma vez, oposicionistas defenderam o uso de um ‘instrumento da minoria’ e a situação o qualificou como ‘instrumento de luta política’.

Se fossem sinceras, as queixas das duas facções teriam sentido. CPIs não devem servir à minoria nem à luta política. São espaços para investigação de irregularidades e punição de culpados, estejam eles no governo ou na oposição.

No caso da Petrobras, as suspeitas recaem sobre a gestão petista. O autor do requerimento, como era de esperar, é um tucano: Álvaro Dias. O PMDB, como sempre, terá grande influência sobre os trabalhos. Três correligionários de José Sarney foram escalados pelo partido e deverão chantagear o governo durante suas ‘investigações’. O ex-presidente Fernando Collor (PTB), aquele que sofreu impeachment, representará na CPI a legenda presidida por Roberto Jefferson, ele mesmo... Personagens conhecidos pretendem reprisar um velho filme.

As denúncias são graves e exigem uma postura diferente do ‘elenco’. Onze senadores deverão investigar com seriedade indícios de fraudes em licitações, contratos, documentos contábeis, patrocínios e no pagamento de royalties, entre outras acusações.

Parafraseando Ulysses Guimarães, líder de um PMDB que não existe mais, é possível dizer que a CPI da Petrobras não é para amadores. “Nem para aproveitadores”, completaria Aparício Torelly, o Barão de Itararé.

17 de jul de 2009

Linear assume prédio que pertenceu à Phihong

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

A empresa Linear Equipamentos Eletrônicos tomou posse do prédio e das máquinas que pertenciam à Phihong PWM Brasil, às margens da rodovia BR-459, em Santa Rita do Sapucaí. Os novos proprietários assumiram os bens no dia 9 de julho. A Linear havia anunciado a aquisição no final de maio. O valor do negócio é superior a R$ 14 milhões.

A Phihong fechou as portas em 2008, teve seus bens penhorados para pagamento de dívidas trabalhistas e acabou sendo adquirida por mais de 1.100 ex-funcionários em leilão judicial. Os operários elegeram uma comissão de representantes que passou a negociar a venda do prédio e dos equipamentos. A oferta da Linear foi a mais alta das sete propostas que a comissão diz ter recebido.

A transferência dos bens estava programada para agosto, mas foi antecipada para evitar que os trabalhadores continuassem a custear a manutenção e a vigilância do prédio. “Daqui para frente, os ex-funcionários não serão mais penalizados. A Linear assumiu as despesas com água, luz e segurança”, diz o vogal da comissão de operários da Phihong, Alberto Ken Kawamura.

Um gesto simbólico marcou o início das novas operações: a instalação da logomarca da Linear no alto de um totem localizado na entrada do prédio. O imóvel industrial receberá profissionais das seguintes áreas: administrativa, financeira, comercial, projetos e produção eletrônica.

Alberto Kawamura afirma que as indenizações aos ex-colaboradores da Phihong começarão a ser quitadas 30 dias após o pagamento da Linear. “Já foi feito o cálculo da distribuição do dinheiro, a porcentagem que cada um vai receber. Só falta acertar a documentação e passar escritura para a Linear”.

Presidente do partido de Bilac critica doação de terreno ao INSS

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

O cirurgião-dentista Carlos José Ribeiro, presidente do Partido da República (PR) em Santa Rita do Sapucaí, é contrário à doação do terreno da rua Adelino Carneiro Pinto para a construção de uma agência da Previdência Social na cidade. ‘Carlinhos Dentista’ revelou seu posicionamento em entrevista solicitada pela Gazeta do Vale e concedida na última quarta-feira, 15. O PR é o partido do deputado federal Bilac Pinto e integra a base de sustentação do prefeito Paulo Cândido da Silva (PV).

Carlinhos Dentista defende a construção de uma piscina pública no espaço que a Prefeitura pretende doar ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ele argumenta que esse equipamento esportivo completaria a ‘praça de esportes’ da cidade, já que a área ociosa fica ao lado do Estádio Municipal Coronel Erasmo Cabral e do Ginásio Poliesportivo Municipal Dr. José Alcides Rennó Mendes (Alcidão).

O presidente do PR sustenta que a aprovação do terreno pelo INSS, anunciada no dia 10 de julho, foi uma decisão de caráter político. Para Carlinhos, a construção de 720 agências da Previdência até 2010 servirá para impulsionar a candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). “Por que esse açodamento de começar agora e terminar antes da eleição? Por que 700 empreiteiras estão rodando aí para construir com prazo fixo?”, indaga o dirigente partidário. “A eleição da Dilma está aí”, completa.

O dentista se diz favorável à construção da unidade do INSS em outro espaço. Parte do Mercado Municipal, diz ele, poderia dar lugar à agência. Carlinhos acredita que as atividades desenvolvidas no Ginásio Alcidão podem provocar ruídos capazes de incomodar os profissionais e usuários da nova agência. “Quando tiver jogo ali, com batuque, como o médico vai trabalhar ao lado? É incoerente!”

Atleta na juventude e ex-vereador (1963-66), Carlinhos Dentista lembra que os ex-proprietários da área a ser doada só aceitaram vendê-la à Prefeitura para possibilitar a criação de um centro esportivo municipal. Ele relata que o ex-prefeito José Alcides Rennó Mendes (1955-59) iniciou as negociações com os antigos donos ao receber uma verba obtida por intermédio do então deputado estadual José Cabral.

Segundo Carlinhos, a ideia inicial de José Alcides era usar os recursos para cobrir a praça de esportes da Associação Santarritense de Atletismo (ASA). O então prefeito acabou optando por desapropriar um terreno para construir o Estádio Erasmo Cabral, que recebeu este nome em homenagem ao pai do deputado. A desapropriação foi concluída durante a passagem de Antônio Capistrano de Alckmin pelo paço municipal (1959-62).

O projeto – O INSS planeja construir a agência de Santa Rita até o primeiro semestre do próximo ano. A unidade atenderá moradores de outras cinco cidades vizinhas: Cachoeira de Minas, Conceição dos Ouros, Natércia, São José do Alegre e São Sebastião da Bela Vista. Perícias médicas e processos de aposentadoria e pensão passarão a ser realizados em Santa Rita. De acordo com a Prefeitura, o prédio será construído numa área de 759 m2. A doação do terreno carece de aprovação da Câmara Municipal, que está em recesso parlamentar.

Foto: Jonas Costa

Associação ‘Viver Feliz’ faz campanha para concluir sede

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

A Associação Novo Estilo de Vida realiza há alguns meses uma campanha de arrecadação de recursos financeiros para concluir a construção de sua nova sede. Também chamada de ‘Viver Feliz’, a organização não-governamental atua em Santa Rita do Sapucaí. A entidade funciona numa residência alugada, na avenida Frederico de Paula Cunha. As novas instalações da associação estão sendo edificadas no bairro Santa Felicidade.

Para obter doações, a ONG tem feito contatos telefônicos com cidadãos e empresas santa-ritenses. A meta é arrecadar R$ 150 mil, que serão investidos na construção do segundo piso do novo prédio. O primeiro pavimento já foi concluído e tem 280 m2. A associação usa esse espaço para promover palestras, cursos, reuniões e oficinas de artesanato.

Segundo a coordenadora-geral da Viver Feliz, Marlene de Fátima Juvêncio, a sede atual não permite a expansão das atividades da ONG. O imóvel residencial abriga setores administrativos e oferece pouco espaço para aulas. A sede oferece um curso de alfabetização de adultos inspirado no método do educador pernambucano Paulo Freire (1921-1997).

A associação promove conferências e cursos para elevar a qualidade de vida e o nível de consciência política dos participantes. Um dos temas mais frequentes é o aproveitamento de alimentos. Há também atendimento gratuito por uma nutricionista. “Fazemos um trabalho de educação para a saúde e a cidadania. O direito principal que trabalhamos aqui é o direito humano à alimentação”, explica Marlene Juvêncio.

A Viver Feliz foi criada em 1999 por militantes de pastorais sociais da Igreja Católica. O terreno para a construção da sede, de 1.011 m2, foi doado durante o terceiro mandato do ex-prefeito Jefferson Gonçalves Mendes (2001-2004). No segundo governo de Ronaldo de Azevedo Carvalho (2005-2008), a Prefeitura doou mais 172 m2 à instituição. A ONG não recebe apoio financeiro da administração municipal há três anos.

As doações para a Viver Feliz podem ser feitas por meio de depósito em conta bancária (Bradesco, agência 1875-9, conta corrente 7417-9). Informações sobre a atuação da entidade podem ser obtidas em sua sede (avenida Frederico de Paula Cunha, 731, Maristela) ou por telefone (3471-4120). O atendimento é realizado de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h30.

Grupão comemora 100 anos com exposição



[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

O primeiro semestre letivo já havia chegado ao fim, mas a Escola Estadual Dr. Delfim Moreira estava repleta de alunos na última terça-feira, 14. Sem mochilas ou cadernos, os jovens se concentraram na quadra de esportes e no corredor que a liga ao pátio. Balões e cartazes indicavam que algo estava sendo comemorado no ‘Grupão’. O motivo: uma exposição sobre a história da instituição santa-ritense, que completou um século de atividades em fevereiro.

A mostra faz parte do projeto ‘Resgatando o Passado’, idealizado e coordenado pela professora de educação física Erivan Cariri Moura. Desenvolvidos por estudantes do ensino médio, os trabalhos foram expostos em salas de aula e estandes montados na quadra. As atividades foram iniciadas em março e compreenderam pesquisas, entrevistas e coleta de fotografias antigas.

Maquetes de isopor e madeira mostraram as mudanças por que passou o prédio desde sua inauguração, em 1920. Uniformes usados por várias gerações foram exibidos em desfiles de alunos. Uma sala de cinema improvisada apresentou a história do Grupão em cenas desenhadas pelos estudantes Luana Gomes e Dênis Vieira. Em outra sala, era possível assistir 13 depoimentos gravados por alunos – a lista de entrevistados inclui a professora Anna Abdalla, que dirigiu a escola por 25 anos, e as cantineiras Sebastiana Cândida Ribeiro e Bássima Hale da Fonseca.

Um dos grupos chegou a reunir textos e fotos num livro patrocinado pela Prefeitura e sete empresas da cidade. A obra contém a lista dos 28 alunos matriculados em 1909 e uma homenagem ao estudante José Carlos, falecido recentemente aos 18 anos.

O professor de língua portuguesa Rafael Ferrari, um dos organizadores da exposição, declara-se surpreso com a dedicação dos alunos e com a qualidade dos trabalhos. Já a coordenadora do projeto, Erivan Moura, e o diretor do ‘Grupão’, Paulo Cézar Ribeiro, afirmam que o evento alcançou o resultado que esperavam. “Não fui surpreendida porque conheço o potencial dos alunos e acompanhei o projeto desde o início. Eles são capazes e surpreenderam a si mesmos”, opina Erivan.

Uma nova mostra está programada para novembro, mês em que deverão acontecer também um almoço de confraternização e o lançamento de um anuário comemorativo. Os eventos ainda não têm data definida e devem ocorrer após a conclusão da reforma da escola.

Foto: Jonas Costa

Consep e Amoj ouvem moradores sobre segurança

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Dirigentes do Conselho Comunitário de Segurança Pública de Santa Rita do Sapucaí (Consep) se reuniram com moradores de vários bairros urbanos no último sábado, 11, na Escola Municipal Coronel Joaquim Inácio. O encontro atraiu 27 pessoas que residem na área de atuação da Associação de Moradores do Maristela, Ozório Machado, Juquita e Adjacências (Amoj). A reunião serviu para levantar informações sobre as políticas públicas de defesa social desenvolvidas na região.

Para a maioria dos participantes, o tráfico de drogas e a iluminação pública deficitária facilitam a ação de criminosos na cidade. Assaltos, terrenos baldios, ruas mal pavimentadas e animais soltos estão entre os principais problemas relacionados à segurança pública, segundo o levantamento. A reunião priorizou as carências da região que fica entre a avenida Frederico de Paula Cunha e o bairro Anchieta. Um novo encontro irá discutir os problemas da área localizada abaixo da avenida.

O evento serviu para apresentar o Consep e a Amoj para pessoas que ainda não conheciam as entidades. O Grupo de Escoteiros Papa-Léguas apoiou a iniciativa distribuindo 2 mil panfletos que convidavam os moradores a participar. O presidente do Consep, José Leandro Romero Costa, lamenta que o comparecimento tenha sido baixo. “A reunião foi muito produtiva, apesar da participação pequena. O povo de Santa Rita é muito solidário, mas pouco participativo”, comenta.

O presidente do conselho salienta que os cidadãos podem utilizar vários meios para encaminhar denúncias a órgãos de segurança pública. Ele cita como exemplos o disque-denúncia do governo estadual (181) e o endereço eletrônico do Consep (consepsrs@gmail.com). Nos dois casos, a identidade do denunciante é preservada.

11 de jul de 2009

Pêndulo latino

A história política da América Latina alterna períodos de avanço e recuo, deslocamentos para a esquerda e para a direita, assemelhando-se ao movimento de um pêndulo de relógio. O golpe de Estado promovido em Honduras em 28 de junho é a mais recente guinada em direção ao retrocesso e ao conservadorismo.

Escolhido democraticamente em 2005, o presidente Manuel Zelaya foi vítima de um tipo de ação política que parecia ter ficado na poeira do século XX. Seu ‘crime’: aderir à Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), bloco liderado pelo presidente venezuelano Hugo Chávez.

Zelaya caiu após tentar aprovar a convocação de um referendo sobre alterações na constituição hondurenha. O chefe do Estado Maior das Forças Armadas discordou do presidente e acabou destituído. Foi o que bastou para uma reação militar apoiada por políticos, empresários e magistrados.

O gabinete golpista não foi reconhecido nem mesmo pelos Estados Unidos, outrora patrocinador de ditaduras latino-americanas. Sinal dos tempos. O presidente Barack Obama e sua chanceler Hillary Clinton se comprometeram a avalizar a restauração da democracia na nação caribenha. O retorno de Zelaya tornou-se uma bandeira até da insuspeita Organização dos Estados Americanos (OEA), que suspendeu a participação de Honduras no colegiado.

A queda de Zelaya não é o primeiro contra-ataque direitista ante ao avanço das forças de esquerda na região. Em 2002, Chávez foi deposto pela elite venezuelana, mas logo retomou ao Palácio de Miraflores. Desde então, o líder da Alba tem sido acusado de sofrer tentações autoritárias, supostamente influenciado pelo ex-presidente cubano Fidel Castro. Ocorre que Chávez ocupa o poder com apoio popular manifestado em eleições e referendos. Numa das consultas ao eleitorado, os chavistas chegaram a ser derrotados por uma pequena diferença.

Os aliados de Chávez enfrentam dificuldades para aprovar suas reformas, em menor ou maior grau. Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Bolívia) e Daniel Ortega (Nicarágua) vêem seus projetos políticos esbarrarem em setores reacionários de seus países. Entre avanços e recuos, dois espectros rondam a América Latina: o novo socialismo, que se pretende democrático; e o velho conservadorismo, que nada aprendeu com a história.

Artistas santa-ritenses expõem obras em museu

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Flores, frutas, formas geométricas, casarios e rostos famosos. Temas como estes estiveram presentes no Museu Delfim Moreira, de Santa Rita do Sapucaí, de 1º a 10 de julho. A instituição comemorou um ano de reativação abrindo espaço para artistas locais. A exposição recebeu o nome de ‘Pintores de nossa terra’ e reuniu 60 obras de 11 santa-ritenses.

A mostra foi caracterizada pela diversidade de posturas, técnicas e estilos. Rafael Ferrari criticou estadistas de diferentes matizes ideológicos no quadro ‘Imagine’, no qual cravou um rolo de papel higiênico sob a pergunta “Tempo de limpar a cagada?” Nilsen Rodrigues Teixeira usou óleo sobre tela para retratar flores, navios e a popular ‘rua do Queima’. Simone desenhou os rostos do cantor Michael Jackson e da atriz Juliana Paes tendo o lápis preto como única ferramenta.

De acordo com o coordenador do museu, Breno Luís Costa de Mendonça, a exposição aumentou o fluxo de visitantes e despertou o interesse de outros artistas da cidade. Mendonça afirma que o talento santa-ritense voltará a ser exposto em novas mostras. “Por falta de espaço, não pudemos colocar mais pessoas desta vez. Mas vamos ter outros eventos”, assegura.

Mendonça lamenta que a sala de exposições temporárias não ofereça espaço suficiente para grandes eventos. As aulas de desenho promovidas no mesmo ambiente são suspensas durante as mostras. O museu dispõe também de seis salas temáticas, que tratam de tropeiros, religiosidade, café, Segunda Guerra Mundial e das trajetórias de Delfim e Sinhá Moreira.

10 de jul de 2009

INSS confirma nova agência em Santa Rita



[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pretende construir uma agência da Previdência Social em Santa Rita do Sapucaí até 2010. O ‘Vale da Eletrônica’ está entre as 720 cidades que deverão receber novas unidades do órgão devido ao Plano de Expansão da Rede de Atendimento (PEX). Engenheiros do INSS vistoriaram, no dia 1º de julho, o terreno oferecido pela Prefeitura. A administração municipal recebeu ofício nesta sexta-feira, 10, confirmando a aprovação da área.

Santa Rita já possui um posto avançado conhecido como PREVCidade, mas alguns serviços só são executados pela agência de Pouso Alegre. A agência a ser construída atenderá segurados de outros cinco municípios: Cachoeira de Minas, Conceição dos Ouros, Natércia, São José do Alegre e São Sebastião da Bela Vista. Essa região possui 72,7 mil habitantes, dos quais 11,1 mil têm benefícios previdenciários. Perícias médicas e processos de aposentadoria e pensão passarão a ser realizados em Santa Rita.

A construção do prédio será financiada pelo governo federal. O Município é responsável pela doação da área. Após descartar terrenos dos bairros Fernandes, Pôr-do-Sol e Monte Líbano, o INSS aprovou uma área de 759 m2 na rua Adelino Carneiro Pinto, atrás do Ginásio Poliesportivo Municipal Dr. José Alcides Rennó Mendes (Alcidão).

O local escolhido faz parte de um terreno de 16,4 mil m2 adquirido pela Prefeitura em 1962 para a construção de um estádio de futebol. Os antigos proprietários, Antônio Moreira Carneiro e Maria Rennó Moreira Carneiro, registraram em escritura que “reservam para si o direito de reclamarem uma avaliação judicial do valor do terreno (...) caso não seja utilizado para o fim para que foi desapropriado amigavelmente e vendido, isto é, construído no terreno o Estádio Municipal ‘Cel. Erasmo Cabral’.” Os ex-donos, hoje falecidos, receberam 766 mil cruzeiros do então prefeito Antônio Capistrano de Alckmin.

O assessor da Prefeitura César Antônio Patta acompanhou os servidores do INSS durante a vistoria e acredita que o desmembramento da área não enfrentará problemas jurídicos. “A lei [municipal número 518, que oficializou a desapropriação] diz que era para construir o estádio. O estádio foi construído e sobrou espaço para o Ginásio Alcidão e para a agência do INSS, que vai beneficiar toda a população”, argumenta. A doação ainda necessita da aprovação da Câmara Municipal.

César Patta diz que a construção da agência não irá obstruir a entrada do estádio localizada na rua Adelino Carneiro Pinto. De acordo com o assessor, haverá um corredor de acesso ao campo de futebol, entre o Ginásio Alcidão e o novo prédio, com 12,8 metros de largura. “Vão sobrar mais de 500 metros quadrados”, diz ele.

Segundo a assessoria de comunicação da Gerência Executiva do INSS de Poços de Caldas, o terreno a ser doado atende às exigências do Ministério da Previdência Social, como localização central, acessibilidade e dimensões mínimas. A assessoria informa que “Santa Rita do Sapucaí foi escolhida para receber uma unidade por ter mais de 20 mil habitantes e necessitar dos serviços previdenciários”.

Moradores de Santa Rita debatem segurança pública

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

A segurança pública estará em pauta numa reunião de moradores de Santa Rita do Sapucaí neste sábado, 11, a partir das 16h, na Escola Municipal Coronel Joaquim Inácio. O encontro será organizado pelo Conselho Comunitário de Segurança Pública (Consep) e pela Associação de Moradores do Maristela, Ozório Machado, Juquita e Adjacências (Amoj). Qualquer cidadão pode participar do evento.

A reunião se destina a levantar informações sobre as políticas públicas de defesa social desenvolvidas na área em que a Amoj atua. A região foi dividida em dois setores pelo Consep – acima e abaixo da avenida Frederico de Paula Cunha. No primeiro encontro, serão discutidas as condições de segurança da área entre a avenida e o bairro Anchieta. Panfletos sobre o encontro foram distribuídos nessa região pelo Grupo de Escoteiros Papa-Léguas.

O vice-presidente do Consep, Giácomo Henrique Costanti, antecipa que os participantes da reunião serão convidados a listar os principais problemas de seus bairros na área de segurança. Em seguida, diz ele, todos irão propor soluções para as deficiências apontadas. Costanti relata que uma experiência semelhante foi promovida na Nova Cidade, em maio, e gerou bons resultados. “Surgiram informações que desencadearam operações policiais que obtiveram êxito. A Polícia Militar encontrou armas em locais citados na reunião”, conta.

Para o vice-presidente da Amoj, Miguel Garcia Caputo, os índices de criminalidade de Santa Rita são preocupantes. O líder comunitário entende que as associações de moradores podem contribuir para a alteração desse quadro. “A associação é um facilitador, uma ponte entre a comunidade e o Consep. A segurança é uma questão social e tem tudo a ver com o nosso trabalho”. Caputo afirma que a Amoj “age preventivamente” ao atender jovens da região com dois projetos: Escolinha de Futebol e Semente de Esperança (artesanato e aulas de música).

Consep e Amoj lideram um movimento pela formação de núcleos comunitários em bairros que ainda não dispõem de associações de moradores. O Conselho de Segurança planeja também reuniões com a Associação dos Deficientes do Vale da Eletrônica (Adevale) e encontros em templos de várias denominações religiosas. Outra ação programada pelo conselho é uma campanha educativa na Semana Nacional do Trânsito, em setembro.

Prefeitura cede a pressão e reduz taxa para esportistas

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Pressionada por políticos e esportistas há meses, a Prefeitura de Santa Rita do Sapucaí reduziu à metade as taxas de utilização do Estádio Municipal Coronel Erasmo Cabral e do Ginásio Poliesportivo Municipal Dr. José Alcides Rennó Mendes (Alcidão). A informação foi confirmada na última semana pelo diretor municipal de Esportes, Hildeu Garcia Ribeiro. As taxas de locação são pagas para a realização de treinos e jogos no período noturno.

A utilização do estádio começou a ser cobrada em janeiro. O valor inicial (R$ 80 por hora) foi reduzido para R$ 40. No Ginásio Alcidão, a locação por 60 minutos caiu de R$ 30 para R$ 15. No início do ano, a Prefeitura havia diminuído a taxa no Ginásio Poliesportivo da Nova Cidade de R$ 20 para R$ 10, cedendo à pressão de usuários do espaço.

Um dos porta-vozes da reivindicação é o vereador João Paulo Sampaio (PDT). O parlamentar solicitou a redução das taxas por meio de um requerimento, que foi aprovado pela Câmara Municipal em 9 de junho e enviado ao prefeito Paulo Cândido da Silva (PV). O requerimento ainda não foi respondido, mas os valores menores começaram a vigorar na primeira semana de julho.

Sampaio diz que oficializou a solicitação por entender que a Prefeitura deve incentivar os atletas amadores da cidade. Ele defende a gratuidade do uso de áreas esportivas municipais. “O estádio e o ginásio deveriam ser gratuitos porque são para aqueles que não têm acesso a outros espaços. Mas isso ainda não é possível, segundo as informações do Executivo”, comenta. O vereador sugere que a Divisão Municipal de Esportes crie um calendário anual de competições de modalidades como vôlei e handebol.

7 de jul de 2009

Perdemos Tereza da Maria Bonita

Comunico, com imensa tristeza, o falecimento de Maria Tereza Marcolino Tobias, simpaticíssima senhora alcunhada de “Tereza da Maria Bonita” pelo povo santa-ritense. Ela havia completado 78 anos em março e estava internada no Hospital Antônio Moreira da Costa.

Filha de Maria Idalina de Jesus (Maria Bonita) e Antônio Marcolino (Teotônio), deixou cinco filhos, o irmão João Balbino do Rosário (Tuca), netos e bisnetos.

Tive o privilégio de conhecer essa dona-de-casa simples, franca e laboriosa. Transmito aos familiares e amigos de dona Tereza minhas condolências e peço a Deus que os conforte neste momento de dor.

6 de jul de 2009

Exames confirmam primeiros casos de gripe suína no Sul de Minas



[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Os primeiros casos de gripe suína no Sul de Minas foram confirmados no final da semana passada. Três pessoas de Extrema, que pertencem à mesma família, foram infectadas: um homem de 34 anos, sua esposa, de 32, e a filha do casal, que tem 12 anos. Os extremenses identificaram os sintomas da doença dias após visitarem um primo de Taubaté que havia viajado à Argentina.

A família foi isolada e monitorada pela Secretaria de Saúde de Extrema até 26 de junho. A escola em que a adolescente estuda suspendeu as aulas por 10 dias. Quatro pessoas que tiveram contato com os infectados estão recebendo visitas médicas em casa. Uma delas trabalha no Hospital e Maternidade São Lucas, onde cerca de 60 profissionais passaram a usar máscaras cirúrgicas.

Santa Rita do Sapucaí registrou dois casos suspeitos até o momento. O primeiro foi descartado após exame feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro. O laudo sobre o segundo caso deve ser divulgado até a próxima segunda-feira, 6, conforme informação da Assessoria de Imprensa da Prefeitura.

Em Cambuí, três pessoas apresentaram sintomas da nova gripe, mas exames da Fiocruz eliminaram as suspeições. Um morador de Varginha e outro de Itajubá foram internados com os sintomas da doença, mas ambos os casos foram descartados. Um habitante de Alfenas está em observação e aguarda o resultado da análise.

As prefeituras de Santa Rita e Cambuí dizem ter orientado seus profissionais de saúde a fim de facilitar a identificação de possíveis contaminações. Três enfermeiras cambuienses foram treinadas para colher secreções das vias aéreas – material analisado pela Fiocruz. Já em Santa Rita, a coleta tem sido feita por servidores da Gerência Regional de Saúde (GRS) de Pouso Alegre.

A secretária de Saúde santa-ritense, Tetzi Oliveira Brandão, diz que o Município vem executando todas as providências necessárias, mas considera impossível impedir a chegada da doença à cidade. “Estamos tomando todas as medidas que podemos, mas é inevitável que a gripe chegue a Santa Rita. Estamos muito expostos porque nossa população é muito móvel. Sempre há viagens [de santa-ritenses] ao exterior para negócios”, argumenta Tetzi.

O médico epidemiologista Marcos Mesquita Filho, doutor em saúde pública, observa que a gripe suína perde sua força ao se difundir. Segundo Mesquita, a população cria resistência à doença, assim como o vírus resiste ao tratamento por meio de mutações. “A nova gripe foi muito forte no México. No Brasil, houve uma morte, mas a maioria dos casos é muito branda”, compara o médico.

Mesquita comenta que a gripe suína responde bem à medicação anti-viral de rotina. Ele acredita que o estoque de medicamentos do governo federal seja suficiente para a demanda do país. Embora otimista, o médico alerta que as carências sociais do Brasil ampliam os riscos de contaminação. “A pobreza, a grande exclusão social e a dificuldade de acesso aos serviços de saúde são fatores que facilitam a transmissão de qualquer doença infecciosa”.

Foto: Folha Online

Metalúrgicos iniciam campanha salarial dia 15

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

O Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Santa Rita do Sapucaí, Conceição dos Ouros e Cachoeira de Minas (Sindmetsrs) iniciará a campanha salarial de 2009 no dia 15 de julho. Esta foi a data escolhida para a realização da assembleia geral da categoria, que terá chamadas às 9h, 15h e 18h na sede da entidade, no centro de Santa Rita. No encontro, os operários definirão o percentual de reajuste salarial a ser defendido pelo sindicato nas negociações com o empresariado.

A assembleia geral aprovará cláusulas sociais e econômicas da convenção de trabalho e dos acordos coletivos. A pauta de reivindicações inclui a ampliação de direitos trabalhistas previstos na legislação federal e o aumento dos valores de benefícios (auxílio-maternidade e horas extras, por exemplo).

A presidente do Sindmetsrs, Maria Rosângela Lopes, considera prioritário um reajuste salarial que assegure ganho real aos metalúrgicos. Para tanto, o aumento deve superar a inflação acumulada dos últimos 12 meses, tendo como parâmetro o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Rosângela diz que os setores de eletrônica e autopeças não poderão usar a crise econômica global como argumento para propor um reajuste baixo. Ela lembra que o Vale da Eletrônica mostrou-se imune à crise em reportagens de TV e que a indústria de automóveis foi beneficiada pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). “Esta é a bandeira: com crise ou sem crise, o Brasil tem que andar e a dignidade do trabalhador deve ser respeitada”, pontifica a dirigente sindical.

As negociações com a classe patronal ocorrerão de 15 de julho a 30 de setembro. Caso a proposta do empresariado não seja aceita pela categoria, Rosângela Lopes não descarta a possibilidade de greve.

Santa-ritenses discutem plano para a Bacia do Sapucaí

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Representantes da Prefeitura e da sociedade civil de Santa Rita do Sapucaí iniciaram no dia 23 de junho a discussão do Plano Diretor de Recursos Hídricos da Bacia do Rio Sapucaí. Cerca de 20 pessoas participaram de uma oficina de trabalho no Centro Vocacional Tecnológico (CVT) da cidade. Compareceram ao evento três funcionários da empresa Vida Meio Ambiente, contratada pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) para elaborar o plano.

O documento foi solicitado por ambientalistas ao governo de Minas Gerais, que pretende construir barragens para contenção de enchentes na bacia do Sapucaí. A elaboração do plano inclui um diagnóstico da situação atual da bacia e a aprovação de ações a serem desenvolvidas nos próximos 10 anos. O estudo oferecerá subsídios ao governo estadual para a tomada de decisões sobre o projeto de barramento.

O biólogo Giancarlo Mendes de Carli, diretor de Meio Ambiente de Santa Rita, explica que a finalidade da primeira oficina foi reunir informações relacionadas à bacia nos aspectos ambiental e socioeconômico. “Esse estudo é importante para que entendamos quais são os principais usos [da água do Sapucaí] que ocorrem hoje, qual é a qualidade da água da bacia, quais áreas de conservação devem ser preservadas, além dos principais impactos que ocorrem”, detalha o biólogo.

O desmatamento foi um dos dados negativos apontados pelos participantes da oficina. Segundo os santa-ritenses, a destruição atinge nascentes, matas ciliares, matas de topo e áreas de descarga de aquífero. Também foram mencionadas as seguintes ocorrências prejudiciais: lançamento de esgoto in natura no rio, efluentes industriais, uso de agrotóxicos e fertilizantes, loteamentos em áreas inundáveis e deposição de lixo e entulho em locais inadequados.

Entre os pontos positivos estão o Plano Diretor Participativo e o Plano de Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos Urbanos, criados nos últimos anos. Foram citadas, ainda, a expansão da rede de captação de esgoto da cidade, a proteção da reserva biológica municipal e a distribuição gratuita de mudas de árvores nativas pela Prefeitura. Outros aspectos positivos enumerados na oficina são os sistemas de monitoramento e alerta de enchentes na região.

Os participantes listaram propostas para a Bacia Hidrográfica do Sapucaí. Uma das ideias é a criação de unidade de conservação na Serra da Mantiqueira. Aterros sanitários consorciados e subcomitês de microbacias também foram defendidos. Houve a reivindicação do pagamento de royalties aos municípios da região por empresas que produzem energia elétrica (Furnas e Cemig). Além disso, os santa-ritenses pediram incentivos fiscais para o reflorestamento e a ampliação de programas estaduais de preservação ambiental.

A primeira fase da elaboração do plano será encerrada com um encontro em Itajubá, cuja data ainda não foi definida. Devem participar das atividades representantes dos 39 municípios da Bacia do Sapucaí, entre os quais Pouso Alegre, Santa Rita, Cambuí, Paraisópolis, Cachoeira de Minas, Conceição dos Ouros e Córrego do Bom Jesus.