6 de jul de 2009

Exames confirmam primeiros casos de gripe suína no Sul de Minas



[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Os primeiros casos de gripe suína no Sul de Minas foram confirmados no final da semana passada. Três pessoas de Extrema, que pertencem à mesma família, foram infectadas: um homem de 34 anos, sua esposa, de 32, e a filha do casal, que tem 12 anos. Os extremenses identificaram os sintomas da doença dias após visitarem um primo de Taubaté que havia viajado à Argentina.

A família foi isolada e monitorada pela Secretaria de Saúde de Extrema até 26 de junho. A escola em que a adolescente estuda suspendeu as aulas por 10 dias. Quatro pessoas que tiveram contato com os infectados estão recebendo visitas médicas em casa. Uma delas trabalha no Hospital e Maternidade São Lucas, onde cerca de 60 profissionais passaram a usar máscaras cirúrgicas.

Santa Rita do Sapucaí registrou dois casos suspeitos até o momento. O primeiro foi descartado após exame feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro. O laudo sobre o segundo caso deve ser divulgado até a próxima segunda-feira, 6, conforme informação da Assessoria de Imprensa da Prefeitura.

Em Cambuí, três pessoas apresentaram sintomas da nova gripe, mas exames da Fiocruz eliminaram as suspeições. Um morador de Varginha e outro de Itajubá foram internados com os sintomas da doença, mas ambos os casos foram descartados. Um habitante de Alfenas está em observação e aguarda o resultado da análise.

As prefeituras de Santa Rita e Cambuí dizem ter orientado seus profissionais de saúde a fim de facilitar a identificação de possíveis contaminações. Três enfermeiras cambuienses foram treinadas para colher secreções das vias aéreas – material analisado pela Fiocruz. Já em Santa Rita, a coleta tem sido feita por servidores da Gerência Regional de Saúde (GRS) de Pouso Alegre.

A secretária de Saúde santa-ritense, Tetzi Oliveira Brandão, diz que o Município vem executando todas as providências necessárias, mas considera impossível impedir a chegada da doença à cidade. “Estamos tomando todas as medidas que podemos, mas é inevitável que a gripe chegue a Santa Rita. Estamos muito expostos porque nossa população é muito móvel. Sempre há viagens [de santa-ritenses] ao exterior para negócios”, argumenta Tetzi.

O médico epidemiologista Marcos Mesquita Filho, doutor em saúde pública, observa que a gripe suína perde sua força ao se difundir. Segundo Mesquita, a população cria resistência à doença, assim como o vírus resiste ao tratamento por meio de mutações. “A nova gripe foi muito forte no México. No Brasil, houve uma morte, mas a maioria dos casos é muito branda”, compara o médico.

Mesquita comenta que a gripe suína responde bem à medicação anti-viral de rotina. Ele acredita que o estoque de medicamentos do governo federal seja suficiente para a demanda do país. Embora otimista, o médico alerta que as carências sociais do Brasil ampliam os riscos de contaminação. “A pobreza, a grande exclusão social e a dificuldade de acesso aos serviços de saúde são fatores que facilitam a transmissão de qualquer doença infecciosa”.

Foto: Folha Online

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