11 de jul de 2009

Pêndulo latino

A história política da América Latina alterna períodos de avanço e recuo, deslocamentos para a esquerda e para a direita, assemelhando-se ao movimento de um pêndulo de relógio. O golpe de Estado promovido em Honduras em 28 de junho é a mais recente guinada em direção ao retrocesso e ao conservadorismo.

Escolhido democraticamente em 2005, o presidente Manuel Zelaya foi vítima de um tipo de ação política que parecia ter ficado na poeira do século XX. Seu ‘crime’: aderir à Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), bloco liderado pelo presidente venezuelano Hugo Chávez.

Zelaya caiu após tentar aprovar a convocação de um referendo sobre alterações na constituição hondurenha. O chefe do Estado Maior das Forças Armadas discordou do presidente e acabou destituído. Foi o que bastou para uma reação militar apoiada por políticos, empresários e magistrados.

O gabinete golpista não foi reconhecido nem mesmo pelos Estados Unidos, outrora patrocinador de ditaduras latino-americanas. Sinal dos tempos. O presidente Barack Obama e sua chanceler Hillary Clinton se comprometeram a avalizar a restauração da democracia na nação caribenha. O retorno de Zelaya tornou-se uma bandeira até da insuspeita Organização dos Estados Americanos (OEA), que suspendeu a participação de Honduras no colegiado.

A queda de Zelaya não é o primeiro contra-ataque direitista ante ao avanço das forças de esquerda na região. Em 2002, Chávez foi deposto pela elite venezuelana, mas logo retomou ao Palácio de Miraflores. Desde então, o líder da Alba tem sido acusado de sofrer tentações autoritárias, supostamente influenciado pelo ex-presidente cubano Fidel Castro. Ocorre que Chávez ocupa o poder com apoio popular manifestado em eleições e referendos. Numa das consultas ao eleitorado, os chavistas chegaram a ser derrotados por uma pequena diferença.

Os aliados de Chávez enfrentam dificuldades para aprovar suas reformas, em menor ou maior grau. Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Bolívia) e Daniel Ortega (Nicarágua) vêem seus projetos políticos esbarrarem em setores reacionários de seus países. Entre avanços e recuos, dois espectros rondam a América Latina: o novo socialismo, que se pretende democrático; e o velho conservadorismo, que nada aprendeu com a história.

Nenhum comentário: