6 de jul de 2009

Santa-ritenses discutem plano para a Bacia do Sapucaí

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Representantes da Prefeitura e da sociedade civil de Santa Rita do Sapucaí iniciaram no dia 23 de junho a discussão do Plano Diretor de Recursos Hídricos da Bacia do Rio Sapucaí. Cerca de 20 pessoas participaram de uma oficina de trabalho no Centro Vocacional Tecnológico (CVT) da cidade. Compareceram ao evento três funcionários da empresa Vida Meio Ambiente, contratada pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) para elaborar o plano.

O documento foi solicitado por ambientalistas ao governo de Minas Gerais, que pretende construir barragens para contenção de enchentes na bacia do Sapucaí. A elaboração do plano inclui um diagnóstico da situação atual da bacia e a aprovação de ações a serem desenvolvidas nos próximos 10 anos. O estudo oferecerá subsídios ao governo estadual para a tomada de decisões sobre o projeto de barramento.

O biólogo Giancarlo Mendes de Carli, diretor de Meio Ambiente de Santa Rita, explica que a finalidade da primeira oficina foi reunir informações relacionadas à bacia nos aspectos ambiental e socioeconômico. “Esse estudo é importante para que entendamos quais são os principais usos [da água do Sapucaí] que ocorrem hoje, qual é a qualidade da água da bacia, quais áreas de conservação devem ser preservadas, além dos principais impactos que ocorrem”, detalha o biólogo.

O desmatamento foi um dos dados negativos apontados pelos participantes da oficina. Segundo os santa-ritenses, a destruição atinge nascentes, matas ciliares, matas de topo e áreas de descarga de aquífero. Também foram mencionadas as seguintes ocorrências prejudiciais: lançamento de esgoto in natura no rio, efluentes industriais, uso de agrotóxicos e fertilizantes, loteamentos em áreas inundáveis e deposição de lixo e entulho em locais inadequados.

Entre os pontos positivos estão o Plano Diretor Participativo e o Plano de Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos Urbanos, criados nos últimos anos. Foram citadas, ainda, a expansão da rede de captação de esgoto da cidade, a proteção da reserva biológica municipal e a distribuição gratuita de mudas de árvores nativas pela Prefeitura. Outros aspectos positivos enumerados na oficina são os sistemas de monitoramento e alerta de enchentes na região.

Os participantes listaram propostas para a Bacia Hidrográfica do Sapucaí. Uma das ideias é a criação de unidade de conservação na Serra da Mantiqueira. Aterros sanitários consorciados e subcomitês de microbacias também foram defendidos. Houve a reivindicação do pagamento de royalties aos municípios da região por empresas que produzem energia elétrica (Furnas e Cemig). Além disso, os santa-ritenses pediram incentivos fiscais para o reflorestamento e a ampliação de programas estaduais de preservação ambiental.

A primeira fase da elaboração do plano será encerrada com um encontro em Itajubá, cuja data ainda não foi definida. Devem participar das atividades representantes dos 39 municípios da Bacia do Sapucaí, entre os quais Pouso Alegre, Santa Rita, Cambuí, Paraisópolis, Cachoeira de Minas, Conceição dos Ouros e Córrego do Bom Jesus.

Um comentário:

OFICINA TECNOLÓGICA disse...

O Plano de Bacias que se inicia deverá, em conjunto com o Plano Diretor Participativo, fornecer subsídios para que possamos redimensionar o desenvolvimento da nossa região, em especial Santa Rita do Sapucaí que vem crescendo desordenadamente a partir da década de 80 com a criação do Vale da Eletrônica.

João Paulo
Eng. Industrial
jpon70@gmail.com