24 de ago de 2009

Batalhas na mídia

Duas batalhas simultâneas acontecem no Brasil e têm a mídia como arena. Uma delas é a suposta cruzada da oposição pela ética, em Brasília. A outra, mais recente, coloca frente a frente duas grandes emissoras de televisão do país. Nos dois casos, os veículos de comunicação são utilizados como trincheiras, e as informações são como armas. No meio do fogo cruzado, é mais cômodo ao cidadão comum dividir o mundo entre bem absoluto e mal absoluto. Uma análise cuidadosa revela que os limites não são tão nítidos.

A maioria da oposição e alguns setores governistas afirmam querer a degola política de José Sarney. Esse é o desejo de 74% dos brasileiros, segundo pesquisa do instituto Datafolha. Denúncias contra o presidente do Senado pipocam praticamente todo dia em vários órgãos de imprensa. Pela lógica, ele já deveria ter caído. Todavia, um acordo vem sendo costurado nos subterrâneos do poder para poupar Sarney e alguns de seus acusadores não menos enlameados.

Acordo é palavra proibida na guerra entre Globo e Record. O estopim do combate foi a abertura de uma ação criminal contra o bispo Edir Macedo e outros membros da cúpula da Igreja Universal do Reino de Deus, multinacional da fé que inclui a Record. Macedo e seus auxiliares mais próximos são acusados de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. A entusiasmada cobertura da Globo sobre o processo provoca reações agressivas da emissora rival. A TV de Macedo tem se dedicado a revirar o passado pouco glorioso do canal da família Marinho.

Sarney e Macedo usam argumentos parecidos. Os dois se dizem injustiçados e sentem-se perseguidos pela mídia ‘adversária’. Ambos sabem que não são acusados por acaso: colhem os frutos amargos que semearam em suas vidas públicas. Outros políticos e religiosos também cometeram deslizes similares, mas o bispo e o senador são as bolas da vez. Por quê? Difícil responder. Sabe-se apenas que interesses poderosos estão em jogo.

Há muitas outras dúvidas sobre a atuação desses líderes e de seus inimigos na imprensa. Duas merecem ser suscitadas. 1. A Igreja Universal é a única a financiar meios de comunicação com o dízimo? 2. A grande imprensa só descobriu os atos secretos na gestão Sarney? Com a palavra, as personagens de dois filmes que não têm mocinhos.

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