1 de ago de 2009

Estamos organizados?

No final de junho, o advogado Antônio Teixeira dos Santos, ex-prefeito de Santa Rita do Sapucaí, declarou em entrevista ao jornal Empório de Notícias que a cidade chegou a viver “10 ou 12 anos” sem homicídio algum. “Eu, que era advogado criminal, tive que passar para a vara cível porque não tinha trabalho na cidade”, completou o respeitado e experiente causídico. Um mês após a elogiada entrevista, a Polícia Militar convocou a imprensa local para fazer saber que Santa Rita tornou-se o município mais violento do Sul de Minas.

As estatísticas da PM surpreenderam grande parte da comunidade santa-ritense, embora a sensação de insegurança tenha se espraiado depois dos três homicídios recentes. Além disso, fugas da cadeia pública e roubos a mão armada têm sido frequentes no Vale da Eletrônica. A PM parece ter intensificado o combate à criminalidade, mas, mesmo assim, o nível de violência se mantém preocupante. Como isso se explica? Ora, a Polícia Militar não é a única peça da engrenagem da segurança pública, que só trabalhará harmonicamente se todos os componentes estiverem entrosados.

Há muito se discute a unificação das polícias Militar e Civil. Em Santa Rita, a PM funciona no mesmo prédio em que está a Guarda Municipal e onde já esteve a Defesa Civil: o Centro Integrado de Defesa Social (Cids). Não há como negar que a GM e o Cids são experiências exitosas. Sem tais estruturas, a insegurança certamente seria maior. Mas algo falta.

Faltava, até fevereiro deste ano, a participação popular na discussão e avaliação de políticas públicas de defesa social. Mas o vácuo já foi preenchido com a criação do Conselho Comunitário de Segurança Pública (Consep), organizado por destemidos cidadãos. O Consep tem atuado em parceria com associações de moradores e forças de segurança.

A Polícia Militar entende que uma quantidade considerável de delitos guarda relação com o tráfico de drogas. O tema preocupa o comandante da PM, capitão Mário Jorge Sandy, desde sua primeira passagem pela 114ª Companhia, no início dos anos 2000. Naquele período, capitão Sandy apostou na prevenção às drogas, apoiando a criação do Conselho Municipal de Entorpecentes (Comen), hoje extinto, e implementando o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), que ainda funciona com sucesso.

O tráfico volta a desafiar capitão Sandy em seu segundo período em Santa Rita. Desafiados estão também a Polícia Civil, o Poder Judiciário, a Guarda Municipal, a Prefeitura, o Consep e, enfim, a população. Fórmulas mágicas não serão encontradas, nem se reduzirá a violência com uma penada. Mas os segmentos da sociedade santa-ritense são chamados a refletir, discutir, agir. Pois o crime já está organizado, enquanto os bem-intencionados batem cabeça.

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