24 de ago de 2009

Leonardo Boff faz palestra sobre ecologia em Pouso Alegre


[Reportagem de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

O teólogo e escritor Leonardo Boff ministrou uma conferência sobre meio ambiente no ginásio do Colégio Cenecista Senador Eduardo Amaral (CNEC), em Pouso Alegre, na noite de quarta-feira, 19. A palestra marcou o lançamento do programa Mais Formação, Mais Qualidade, criado pela Prefeitura para capacitar profissionais da rede municipal de ensino. Educadores, estudantes e admiradores do palestrante lotaram o ginásio durante o evento, que teve entrada franca.

Autor de mais de 60 livros sobre espiritualidade, ecologia e ética, Boff lançou na cidade sul-mineira sua mais recente obra: ‘Opção-Terra – a solução da Terra não cai do céu’. O intelectual distribuiu autógrafos e posou para fotografias. Sua conferência foi prestigiada por vários líderes da região, entre as quais o prefeito de Pouso Alegre, Agnaldo Perugini (PT), o reitor da Universidade do Vale do Sapucaí (Univás), Virgínio Cândido Tosta de Souza, e o bispo da Diocese de Campanha, dom Diamantino Prata de Carvalho.

A conferência teve como tema ‘As quatro ecologias’. Conforme o pensamento de Boff, esse campo do conhecimento não se restringe à dimensão ambiental, incluindo também os aspectos social, mental e integral. O expoente da Teologia da Libertação conclamou os educadores a contribuírem com a formação de uma nova consciência sobre o planeta Terra. Ele criticou os governos que priorizam o crescimento econômico em detrimento do meio ambiente.

O teólogo alertou que não é mais possível impedir o aquecimento global, mas apenas desacelerá-lo. “Não vamos ao encontro do aquecimento, já estamos dentro. A Terra já mudou”, lamentou. Boff destacou que a crise climática coloca a vida humana em risco e que uma de suas consequências será o deslocamento de povos mais atingidos. “Haverá milhões e milhões de refugiados climáticos. E milhões desaparecerão”.

Ao falar da escassez de recursos hídricos, o conferencista citou a responsabilidade do Brasil como “potência das águas”. A água doce, disse ele, representa apenas 3% de toda a água do planeta, e somente 0,7% desses recursos são considerados disponíveis para consumo. Por isso, Boff previu que 2 bilhões de seres humanos terão menos água de que necessitam nas próximas décadas.

Leonardo Boff mencionou uma passagem do Velho Testamento para ilustrar o destino da humanidade: “Não teremos outra arca de Noé”. O teólogo defendeu que homens e mulheres foram criados com a missão de “cuidar, cultivar e guardar a herança que Deus nos deixou”, ou seja, a Terra e sua biodiversidade. Boff comentou que o planeta azul é um organismo vivo com recursos finitos, mas humanidade parece não perceber essas características. “Para mim, a grande crise mundial é de sensibilidade. Nós não sentimos”.

Em rápida entrevista ao blog, o escritor defendeu a candidatura presidencial da senadora Marina Silva (sem partido-AC), que havia deixado o PT poucas horas antes e deve ingressar no Partido Verde. Boff relatou um recente telefonema que recebeu da ex-ministra do Meio Ambiente. “Ela me telefonou para pedir apoio no sentido de suscitar a questão ecológica como uma questão estratégica de todos os partidos, e não só do PT. E eu disse que, se ela assumir essa causa ecológica como fundamental para o Brasil e para a salvaguarda da vida do planeta, ela podia contar com o meu apoio explícito”.

Foto: Jonas Costa

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