14 de ago de 2009

Moradores de Santa Rita divergem sobre corte de árvores



[Reportagem de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Moradores da região central de Santa Rita do Sapucaí divergem sobre um procedimento adotado pela Prefeitura nas últimas semanas: o corte de árvores nas proximidades do cemitério da cidade. Houve poda na maioria dos casos, mas pelo menos dois troncos foram mutilados por funcionários da Secretaria de Obras. Lixo e mato foram retirados do barranco do cemitério durante um mutirão de limpeza. A Prefeitura desbeiçou o barranco com a intenção de construir calçadas no local.

Segundo relatos ouvidos na região, as árvores cortadas haviam sido plantadas por moradores. O operador de máquinas Márcio Costa Rezende, 37, entende que a população local deveria ser consultada antes da derrubada. “O corte de árvores nos deixa um pouco indignados, mas não podemos fazer nada. É uma perda. O que demora 10, 15, 20 ou 30 anos para crescer, em questão de minutos vai ao chão”, protesta o morador da rua Renato Gomes.

Rezende elogia o corte do barranco e o mutirão de limpeza. Ele observa que, concluído esse serviço, a administração municipal deve se preocupar com a manutenção da área. O açougueiro Miguel Francisco de Almeida, 39, vizinho de Rezende, tem a mesma opinião: “O trabalho aqui está ficando bonito. O mais importante é manter este lugar organizado e limpo”. Moradora da mesma rua, a dona-de-casa Valdete Aparecida Machado Dias, 32, diz que uma das árvores foi cortada a seu pedido, pois “estava caindo”.

O corte de outra árvore foi requerido pelo aposentado Benedito José de Almeida, 70, cuja residência fica na avenida Antônio Paulino. O alvo de sua solicitação é uma grande paineira localizada na entrada no cemitério, em frente à sua casa. A árvore foi apenas podada. “Os galhos estavam todos em cima da minha casa, galhos grossos. E eu passava um medo! A paina que estava seca caía e quebrava telha. Quando dava pé de vento, ela [copa da árvore] voava para cima da minha casa”, conta o aposentado, que se sente incomodado pela paineira há 20 anos.

A reportagem presenciou o corte de galhos da paineira na tarde de quarta-feira, 12. O prefeito Paulo Cândido da Silva, presidente municipal do Partido Verde, também acompanhou o trabalho e orientou servidores. Um galho caiu sobre cabos de eletricidade ao ser arrancado por uma máquina retroescavadeira. A queda dos fios derrubou uma telha da residência da dona-de-casa Maria Rita de Jesus Vieira, 51, na praça Quinze de Agosto. Vieira estava na janela de casa quando ocorreu o incidente. Para ela, não havia necessidade de poda da paineira.

Depois de assegurar que a telha quebrada seria reposta pela Prefeitura, Paulo Cândido falou a este blog. O prefeito disse que mais de 15 moradores da região solicitaram o corte de galhos da paineira. Segundo o político, duas árvores foram cortadas porque “estavam no meio do passeio e com a raiz para fora”, impedindo a construção da calçada. Ele disse que os cortes serão compensados com o plantio de 300 mudas “assim que começar a chuva”.

Foto: Jonas Costa

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