14 de ago de 2009

O grito da floresta

Tudo indica que a senadora acreana Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, trocará o PT pelo PV. Os verdes a querem na disputa pela presidência da República no próximo ano. O segundo mandato senatorial de Marina expira em fevereiro de 2011, mas ela diz não estar disposta a concorrer à reeleição. Além de um desafio pessoal, sua candidatura ao Planalto seria um gesto simbólico.

Marina não enfrentaria grandes dificuldades se buscasse a recondução à cadeira que ocupa desde 1995. Mas prefere incomodar a acomodar-se. Por isso, avalia a possibilidade de alçar um voo mais alto e arriscado, sabendo que corre o risco de se sacrificar. Sua campanha presidencial seria uma jornada cívica – e não mais uma unidade de combate.

A ex-seringueira já empunhava a bandeira do meio ambiente antes da criação do Partido Verde, ocorrida em 1986. Companheira de lutas de Chico Mendes, fez da política um sacerdócio. Não chegou à pasta do Meio Ambiente por acaso. E só deixou a Esplanada dos Ministérios quando os chamados ‘desenvolvimentistas’ a venceram num cabo-de-guerra.

Marina foi titular da pasta verde de 2003 a 2007. Do começo ao fim de seu mandato, enfrentou obstáculos para colocar a ecologia como prioridade governamental. Comandar o MMA não bastava; era preciso que toda a máquina federal encampasse a defesa do meio ambiente. O Plano Amazônia Sustentável aparentava ser uma luz no fim do túnel, mas o presidente Lula preferiu entregá-lo ao então ministro Mangabeira Unger, um alienígena na floresta. Foi a gota d’água para Marina.

A ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, é apontada como uma das responsáveis pela queda de Marina. A poderosa ‘mãe do PAC’ teria pressionado o MMA a agilizar licenciamentos ambientais para obras do Programa de Aceleração do Crescimento. Outrora em campos opostos no governo Lula, Dilma e Marina podem se enfrentar na sucessão presidencial. Travariam um debate que muito interessa ao país: há como compatibilizar crescimento econômico e preservação ambiental? A opção Marina surge para dizer que sim.

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