7 de ago de 2009

Poder aos 'reservas'

Os holofotes de Brasília se voltaram para uma figura tida como apagada até a última semana: Paulo Duque, presidente do Conselho de Ética do Senado. Ao mesmo tempo em que os flashes faziam sua careca reluzir como nunca, o senador protagonizava o ato pouco brilhante de arquivar quatro representações contra o presidente do Congresso, José Sarney. A atitude de Duque impede que as acusações sejam investigadas pelo colegiado.

Quem desconhece Paulo Duque pode imaginar que este seja representante de algum pequeno e distante estado. Nada disso. Ele ocupa uma das três cadeiras do Rio de Janeiro. É o segundo suplente de Sérgio Cabral Filho, que deixou o Senado ao se eleger governador, levando para seu secretariado o primeiro suplente, Regis Fichtner. Foi assim, sem receber voto algum, que Duque passou a representar os fluminenses.

Outro ‘reserva’ que tem atuado no time titular de Sarney é o cabeludo Wellington Salgado de Oliveira. Mais um carioca. Mas, inacreditavelmente, ele faz parte da bancada mineira desde que assumiu a vaga de Hélio Costa, licenciado para comandar o Ministério das Comunicações. Salgado e Duque pertencem ao mesmo PMDB de Sarney e Renan Calheiros e defendem os dois caciques de qualquer denúncia.

A distorção no sistema representativo não atinge apenas os eleitores mineiros e fluminenses. É comum ver suplentes em exercício que dificilmente venceriam eleições. No ‘banco de reservas’ estão empresários que financiam campanhas ao Senado, políticos indicados para sacramentar acordos e, claro, parentes dos parlamentares. Dormem suplentes e acordam senadores da República, adquirindo algumas vantagens que os acompanharão pelo resto da vida, como planos de saúde.

Os senadores são eleitos para oito anos de mandato. Geralmente, estão de olho nas eleições para os governos estaduais e, em alguns casos, para prefeituras de capitais. No próximo ano, portanto, devem ocorrer novas trocas. Poucos eleitores percebem, mas os suplentes também são (ou devem ser) citados durante a campanha eleitoral. Fazem parte de chapas da mesma forma que os candidatos a vice-presidente, vice-governador e vice-prefeito. Cabe ao eleitor procurar conhecê-los durante o período eleitoral. Ou esperar que mais um careca ou cabeludo, sem votos e sem escrúpulos, fale e atue em seu nome.

Nenhum comentário: