24 de ago de 2009

Sindicalista critica concentração de renda em Santa Rita

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

"O Vale da Eletrônica é de poucos com muito e muitos sem nada. Os empresários estão ganhando sozinhos. É evidente que há exceções, mas são poucas”. Esta e outras declarações contundentes foram pronunciadas na última quarta-feira, 19, por Maria Rosângela Lopes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Eletro-eletrônica, Informática e Similares de Santa Rita do Sapucaí, Conceição dos Ouros e Cachoeira de Minas (Sindmetsrs). A líder sindical foi entrevistada pelo blog sobre a campanha salarial deste ano.

Na ótica de Rosângela, a lucratividade das empresas eletro-eletrônicas de Santa Rita é alta, mas não repercute em aumento de renda para os trabalhadores. “O arranjo produtivo local é só para ajudar os empresários”, alfineta. Um levantamento feito pela assessoria de imprensa do Sindmetsrs aponta que vários veículos de comunicação do país ouviram de empresários santa-ritenses que a crise econômica global não afetou a indústria local. “Entendo que este ano para nós [operários] é bem favorável, porque fontes econômicas e informativas dizem que Santa Rita está na contramão da crise”, diz a sindicalista.

Outro levantamento do sindicato indica que a inflação provocou grande defasagem salarial em sua base de atuação nos últimos três anos. Entre 2006 e 2007, o aumento médio de 7% nos ordenados caiu para 2,19% por conta da alta de preços. O reajuste válido de 2007 a 2008 também ficou em 7%, mas o ganho real atingiu apenas 0,17%. De outubro do ano passado até agora, o ganho real chegou a 6,69%, embora o reajuste houvesse sido de 10,58%.

Os pisos salariais propostos pelo Sindmetsrs para os próximos 12 meses são R$ 637,91 para empresas com até 120 funcionários (aumento de 38,92%) e R$ 739,98 para firmas que empregam mais de 120 trabalhadores (16% de reajuste). Rosângela Lopes afirma que esses percentuais são justos e manteriam os pisos acima do salário mínimo até a próxima data-base.

A líder metalúrgica revela que o vencimento inicial pago pelas indústrias de Cachoeira de Minas e Conceição dos Ouros é, em média, superior ao valor praticado em Santa Rita. “Tem empresa com menos de 120 trabalhadores que está pagando só R$ 465. Tem empresa em que o maior salário, para trabalhador que tem de três a quatro anos dentro da empresa, é R$ 478. Isso é salário bruto. Uma pessoa que ganha R$ 478 tem o mínimo de condições de vida”, critica.

As negociações entre o Sindmetsrs e representantes do empresariado serão concluídas no final de setembro. A pauta de reivindicações dos trabalhadores inclui ampliação de direitos trabalhistas, elaboração de planos de cargos e salários, investimentos em treinamento, criação de áreas de lazer e creches para filhos de operários. Segundo Rosângela, esses itens não vêm sendo respeitados pela maioria das empresas.

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