11 de set de 2009

Dirigente do Sindvel defende reajuste na ‘média do mercado’

[Entrevista a Jonas Costa publicada na Gazeta do Vale]

O empresário Gustavo Bueno Borges representa a classe patronal na negociação salarial com o Sindicato dos Trabalhadores de Santa Rita do Sapucaí, Conceição dos Ouros e Cachoeira de Minas (Sindmetsrs). Borges integra a diretoria do Sindicato das Indústrias do Vale da Eletrônica (Sindvel) e recebeu a reportagem na última semana para expor a posição dos empresários sobre o acordo coletivo de trabalho que vem sendo discutido desde agosto. A negociação deve ser encerrada até o final deste mês.

Borges evitou comentar os percentuais de reajuste salarial propostos pelo Sindmetsrs – 16% ou 38,92%, conforme a quantidade de funcionários da empresa. O dirigente do Sindvel limitou-se a dizer que o aumento dos vencimentos deve se basear na “média do mercado”. “As empresas de Santa Rita têm que aceitar, no máximo, a média do mercado, a média de todas as outras regiões para que o produto [do Vale da Eletrônica] não deixe de ser competitivo dado a um reajuste muito alto. Tem que ser feito um reajuste justo para a situação do mercado atual”, ponderou.

Ao contrário da presidente do Sindmetsrs, Maria Rosângela Lopes, o empresário avalia que a crise econômica mundial deve influenciar o resultado da negociação salarial. “Todos os setores de Santa Rita foram afetados. Alguns usaram de artifícios para sair da crise, mudaram um pouco a forma de trabalho. E há alguns que foram muito prejudicados e que temos notícias que não estão tendo dinheiro nem para pagar impostos nesta época de crise”, argumentou.

Gustavo Borges comentou outra declaração recente de Rosângela Lopes, segundo a qual a lucratividade das empresas eletro-eletrônicas de Santa Rita é alta, mas não repercute em aumento de renda para os trabalhadores. “Há muitas empresas com poucos funcionários e faturamento muito alto, assim como há grandes empresas com muitos funcionários e faturamento na média. Cada uma tem seu ramo. Creio que as empresas com maior lucratividade são aquelas que hoje possuem maior tecnologia”.

O diretor do Sindvel falou também de um item das cláusulas sociais do acordo coletivo que, segundo o Sindmetsrs, tem sido ignorado pelo empresariado: criação de creches para filhos de operários. De acordo com Borges, a classe patronal espera que as creches municipais sejam ampliadas pela Prefeitura – comandada atualmente pelo empresário Paulo Cândido da Silva (PV), ex-presidente do Sindvel. “Creche é um assunto meio crítico para uma empresa, dependendo do seu porte, ter responsabilidade de criar, haja vista os vários casos de morte de crianças em creches não preparadas para atendê-las”, opinou Borges.

Foto: Jonas Costa

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