25 de set de 2009

Estado da cadeia de Santa Rita preocupa deputados


[Reportagem de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Celas superlotadas. Instalações elétricas precárias. Iluminação deficiente. Infiltrações por todo o prédio. Dois agentes para vigiar 80 detentos. Presos ociosos e sem assistência jurídica. Facilidade para fugir. A cadeia pública de Santa Rita do Sapucaí foi assim descrita pelos deputados estaduais que a visitaram na manhã de terça-feira, 22. Dois dias antes, dois criminosos haviam protagonizado a mais recente de uma série de fugas da unidade prisional – fato que se tornou frequente na cidade.

O presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa, João Leite (PSDB), declarou-se preocupado ao concluir a visita. “A impressão que a gente tem é de uma cadeia insegura, especialmente para a população, pela grande possibilidade de fuga permanente. Ela precisa de uma recuperação”, alertou. Leite observou que se trata de uma “situação provisória”, pois o controle da cadeia deverá ser assumido, em dezembro, pela Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi). “Vamos embora daqui com o sentimento de que dezembro está distante. Podemos ter uma fuga amanhã, ou mesmo hoje, dada a vulnerabilidade da unidade”, completou o deputado.

A deputada Maria Tereza Lara (PT), vice-presidente da Comissão de Segurança Pública, manifestou sua preocupação com a ressocialização dos detentos de Santa Rita. Após percorrer as celas, a petista comentou que “99,9% dos detentos são jovens e estão sem trabalho, sem estudo, sem nenhuma atividade”. Para Lara, o estado atual da cadeia torna impossível ressocializar os encarcerados. Ela defendeu investimentos imediatos em educação, profissionalização, atendimento médico e assistência jurídica. A parlamentar frisou que cada preso brasileiro custa R$ 2,3 mil por mês aos cofres públicos e que esta quantia deve ser destinada à reintegração de apenados e serviços à sociedade.

Autor do requerimento que provocou a visita, o deputado Sargento Rodrigues (PDT) lamentou as condições de trabalho dos policiais militares e civis que atuam no estabelecimento de detenção. “O que estão fazendo aqui com os policiais é colocar a vida deles em risco o tempo todo. Não há como fazer segurança de cadeia pública apenas com um policial e um agente penitenciário. É humanamente impossível”, protestou o deputado e ex-PM. Rodrigues revelou que grande parte dos presos tem origem paulista e envolvimento com tráfico de drogas e roubo de cargas. O deputado considera que a situação da cadeia é “gravíssima” e chamou as instalações elétricas de “gambiarras”.

João Leite e Sargento Rodrigues destacaram que as condições da cadeia santa-ritense serão detalhadas num relatório a ser apreciado pela Comissão de Segurança da Assembleia. Maria Tereza Lara salientou que o colegiado não tem poder de execução, apenas o de reivindicação. “Aprovamos requerimentos, que são encaminhados aos órgãos públicos – à Secretaria de Defesa Social do estado, às chefias das polícias, ao governo do estado – reivindicando solução para os problemas que encontramos”, esclareceu a representante do PT.

Também integraram a comitiva os deputados Dalmo Ribeiro Silva (PSDB) e Ruy Muniz (DEM) e o subsecretário estadual de Políticas Antidrogas, Clóvis Benevides. Os seis políticos participaram, à tarde, de uma audiência pública na Câmara Municipal de Pouso Alegre. Durante a sessão, o comandante da 6ª Região da PM, coronel Márcio Martins Santana, confirmou que Santa Rita é considerada a cidade sul-mineira mais violenta entre 30 localidades avaliadas de janeiro a agosto deste ano. Já o prefeito de Pouso Alegre, Agnaldo Perugini (PT), declarou que a violência urbana deve ser combatida com inclusão social.

Foto: Cíntia Ferreira

3 comentários:

marcio disse...

Vai toma no seu cu, cadê as notícias atualizadas sobre o processo de venda da phihong para linear, é sobre isso que a população santarritense quer saber !

Jonas Costa disse...

"Márcio",
Boa tarde.
Neste blog, os comentários são livres, sem necessidade de aprovação para serem publicados. Mas há uma regra que proíbe palavras de baixo calão. E mesmo que não houvesse tal regra, sempre espero bom senso de meus leitores.
Não irei apagar sua manifestação por dois motivos: sou tolerante com as críticas e sua preocupação tem sentido.
Tenho buscado novidades sobre o caso Phihong a cada sete dias, no mínimo. Toda semana. Na última semana, tentei entrevistar um membro da comissão de ex-funcionários, mas ele viajou e não retornou minhas ligações.
Voltei a procurar essa pessoa hoje e tentarei ouvi-la até o fechamento da próxima edição do jornal em que trabalho.
Não sei se você sabe, mas estou entre os repórteres que mais se dedicam à cobertura desse caso. Fui eu que descobri os deslizes e segredos da Esquadriaço, aquela empresa que se comprometeu a comprar os bens da Phihong, mas depois não pagou parcela alguma.
Caso você considere minha atuação falha, visite o site da Rádio Difusora Santarritense (http://www.difusora1550.com.br). Essa emissora tem dois respeitáveis profissionais que também vêm noticiando a novela da Phihong: Marcelo Marçal e Daniele Peixoto.
Continue acompanhando o blog e o site da Difusora. Nós, repórteres, somos solidários com o calvário de vocês, ex-funcionários, desempregados, vítimas. Vocês não são invisíveis para mim.
Abraço.

Jonas Costa disse...

"Márcio",
Estou buscando e checando dados. Logo que tiver informações suficientes, eu as publicarei neste blog e na Gazeta do Vale.
Se quiser, me mande um e-mail para que eu te passe endereços eletrônicos de quem pode tirar suas dúvidas sobre o caso Phihong.