11 de set de 2009

Exposição inédita em Santa Rita provoca diferentes sensações


[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Quem visitou o Museu Delfim Moreira nos 11 primeiros dias de setembro teve a oportunidade de participar de uma experiência inédita em Santa Rita do Sapucaí: uma exposição sensorial. Na entrada do prédio, um aviso em braille e letras grandes anunciava que aquela era uma mostra especial, voltada principalmente aos deficientes visuais. “O toque às obras é permitido”, dizia o aviso.

Poucos passos eram necessários para que o visitante se deparasse com a primeira obra de Nadja Costa de Souza, criadora da exposição. O grande girassol nem parecia plano e preso a uma moldura. No miolo da flor, centenas de sementes foram cuidadosamente coladas pela artista. Na sala à direita, foram colocados outros cinco quadros, confeccionados com papel machê e papelão.

As pessoas desprovidas de visão encontraram ao lado de cada peça uma ficha técnica em braille. Aqueles que não possuem deficiência visual podiam apreciar as obras vendados. Foi o que fez a professora Terezinha de Jesus Carvalho Souza, 75. “Quem tem tudo funcionando não dá valor. Só valorizamos aquilo que perdemos. A exposição foi uma oportunidade para pensarmos nos deficientes visuais”, comenta a professora.

Terezinha não foi sozinha à mostra ‘Sensações’. Levou consigo alguns alunos da Associação Pró-Desenvolvimento Através da Arte (Prodarte), da qual é fundadora. Os jovens conheceram obras incomuns, como o quadro em que Nadja retrata o Sítio do Mufumbo, localizado na Paraíba. A paisagem rural foi construída pela artista a partir das lembranças de sua amiga Salete, que perdeu a visão aos cinco anos.

Em outra sala, Nadja montou a instalação ‘Coisas do cotidiano’. O que é considerado comum pelas pessoas tidas como normais foi apresentado de forma bastante criativa pela artista. Frutas, flores e insetos estimulavam a percepção tátil, olfativa, auditiva e gustativa. Podia-se sentir o aroma e a textura de uma pera, uma maçã e uma laranja confeccionas por Nadja em tamanho de melancia. Formigas e borboletas também foram ampliadas.

O que mais chamou a atenção do músico Jovani Ribeiro, 48, foi a colmeia instalada no canto da sala, com aroma, som de abelhas e mel para degustação. Portador de deficiência visual desde o nascimento, ele se diz impressionado com as obras que exalavam essências, como o quadro ‘Bananeira’. “Foi uma experiência muito interessante. A impressão que eu tive é que tinha abelha lá dentro. Ficou um clima de colmeia mesmo. Fui criado na roça, mas o deficiente urbanizado nunca chega perto de uma bananeira ou de um pé de laranja”, diz.

Jovani Ribeiro e Terezinha Souza voltaram ao museu para o encerramento da exposição ‘Sensações’, quando participaram de apresentações musicais ao lado de alunos da Prodarte. O zumbido das abelhas e o ruído produzido pelo atrito do vento com as flores de papel machê e garrafa pet deram lugar ao som da flauta doce, do saxofone e do violão.

Foto: Arquivo Museu

2 comentários:

André disse...

Posso dizer que uma experiência como essa provoca, mesmo, sensações diferentes e inéditas. Falo isso porque tive a oportunidade de conhecer, aqui em Lavras, o Jardim Sensorial. É a inclusão sensorial e artística fazendo parte da inclusão social.

:: Cíntia Ferreira :: disse...

Amor... Parabéns pela matéria! Eu gostei muito! Não é à toa que eu sempre digo que você é inteligente e que eu tenho muito orgulho de você!
Você é sensacional e enfrenta qualquer desafio que lhe é colocado!

Te amO para sempre!!!