11 de set de 2009

Independência ou morte

Pré-sal é a nova menina dos olhos do presidente Lula. “É a segunda independência do Brasil”, vaticinou o estadista, não às margens plácidas do Ipiranga, mas a respeito das descobertas da Petrobras 7 quilômetros abaixo do leito do mar. Lula não está deslumbrado à toa. A camada pré-sal tem 800 quilômetros de extensão e suas reservas seriam de 100 bilhões de barris de petróleo, segundo cálculos da estatal responsável pelo setor. Esses números seriam capazes de introduzir o país no rol dos dez maiores produtores do mundo.

O tema foi objeto de discurso presidencial em cadeia de rádio e TV, no dia 6 de setembro. Em sua página no Twitter, o jornalista Jota Geraldo, de Paraisópolis, assim comentou o pronunciamento: “Enquanto Lula discursava na televisão sobre o pré-sal, o mendigo assistia tudo debaixo do cobertor puído e pensava se era algo de comer”. A cena sugerida pelo autor desta frase resume a distância que há entre os dados sobre o pré-sal e a realidade daqueles que os viam pelo televisor.

Crítica parecida à de Jota Geraldo foi feita pelo cartunista Théo, numa edição da revista Careta, em 1960. Com o título ‘Meta de faminto’, a célebre charge ironiza o Plano de Metas adotado pelo então presidente, Juscelino Kubitschek. “Você agora tem automóvel brasileiro, para correr em estradas pavimentadas com asfalto brasileiro, com gasolina brasileira. Que mais quer?”, indaga JK. Ao que o personagem Jeca responde: “Um prato de feijão brasileiro, seu doutô!”

O mendigo tem mais sorte do que o Jeca. Isso porque Lula tem uma preocupação que faltava a JK: transformar desenvolvimento econômico em melhoria de vida para os pobres. A intenção do governo é investir os recursos oriundos do pré-sal nas áreas de educação, cultura, meio ambiente, ciência, tecnologia e combate à miséria.

O Brasil de Lula é menos desigual do que aquele deixado por Juscelino. Mas não basta distribuir renda. Há que se observar, além do pobre, o ambiente que este divide com o rico, o animal, a árvore. O pré-sal só representará uma nova independência se o Estado libertar o país do petróleo através de investimentos em energia limpa. Isso significa reservar recursos para os dias em que o planeta não mais terá seu 'ouro negro'.

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