25 de set de 2009

Jogadoras de futsal reclamam apoio para competir


[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Elas começaram a chegar à quadra com timidez e curiosidade. Uma delas levou sua bola de futsal. Foi o bastante para reunir 20 meninas por dia de treino. No início, jogavam sem treinador, sem coletes, algumas até sem jeito. À medida que a habilidade crescia, aumentava a vontade de enfrentar outros times em outras cidades. Mas faltavam competições e condições. Algumas sentiam desânimo; outras, indignação.

Foram esses os primeiros lances da formação de um novo grupo de futsal feminino em Santa Rita do Sapucaí. As 42 meninas de 12 a 22 anos treinam no Ginásio Poliesportivo ‘Alcidão’ desde o início do ano. O jogo começou a virar há dois meses, quando a Prefeitura contratou o treinador Fábio de Souza Amarins, 27. No início de agosto, as garotas finalmente conseguiram participar de uma competição. Um veículo do Município as levou até Consolação, onde Santa Rita ficou em primeiro lugar na classificação geral.

As meninas santa-ritenses se dividiram em três times e disputaram partidas com equipes de Consolação e Munhoz. Além do título, Santa Rita ficou com a artilharia: a atacante Kátia Neli Ribeiro, 22, marcou 14 gols no certame. A artilheira se entusiasma com o resultado, mas diz que várias deficiências ainda precisam ser dribladas. A principal delas é a falta de patrocínio. “Falta bastante coisa. Falta a cidade conhecer o nosso trabalho. Falta material. Se as empresas daqui patrocinassem, tudo seria mais fácil”.

Kátia aponta outra dificuldade: a de encontrar competições de futsal feminino na região. A atacante sugere que a Prefeitura crie torneios e convide municípios vizinhos para jogar no Vale da Eletrônica. O técnico Fábio também veste a camisa de uma competição regional em Santa Rita. Ele pretende agendar partidas em cidades sul-mineiras para preparar as meninas e estimular o surgimento de campeonatos femininos na região.

Dona da primeira bola usada nos treinos, a zagueira Pryscilla Batista Moussa Dayoub, 14, diz que a vitória em Consolação atraiu mais jogadoras para o grupo. Pryscilla está ansiosa para voltar a competir, bem como a atacante Renata de Cássia Teodoro, 20. “A gente precisa participar de campeonatos de fora. Aqui [em Santa Rita] quase não tem campeonatos”, lamenta Renata.

Os treinamentos das garotas acontecem às terças e quintas-feiras, das 13h30 às 15h30. O técnico Fábio espera que o grupo cresça nos próximos meses e que os horários dos treinos sejam ampliados. Com novas adesões, diz ele, será possível dividir as atletas por categoria e montar mais times.

Foto: Jonas Costa

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