4 de set de 2009

Novo comandante da PM quer participação da comunidade

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Trabalhar em parceria com a comunidade é uma das metas do recém-empossado comandante da 114ª Companhia de Polícia Militar, primeiro-tenente Júlio César de Campos Silva. Para o oficial, a população santa-ritense colabora pouco com a PM por meio de denúncias. O novo comandante diz que a participação popular é imprescindível para que o Vale da Eletrônica deixe de ser o município mais violento do Sul de Minas, como constatou a própria polícia em levantamento divulgado em julho.

Campos Silva, 32, assumiu o posto no dia 25 de agosto no lugar do capitão Mário Jorge Sandy, que passou a atuar em Pouso Alegre na Assessoria de Comunicação Organizacional da PM. A companhia tem, ainda, um novo subcomandante: o segundo-tenente Maximiliano Silva Soares. O segundo-tenente Valdeci Moreira foi mantido em Santa Rita e agora responde pelos destacamentos de Cachoeira de Minas, Conceição dos Ouros e São Sebastião da Bela Vista.

Em entrevista a este blog na última segunda-feira, 31, o comandante declarou que a informação é a melhor forma de prevenção à criminalidade. O tenente Campos Silva comentou que todo cidadão tem o direito de informar a polícia sob a condição de anonimato. Ele disse acreditar que a baixa participação da comunidade se deve, principalmente, ao medo de represálias e à dificuldade de perceber “atitudes suspeitas”. Para facilitar a identificação de criminosos e estimular denúncias anônimas, o novo comando planeja realizar palestras sobre medidas de autoproteção.

Segundo informações obtidas pelo tenente Campos Silva, a PM recebe, com frequência, ligações telefônicas após a ocorrência de crimes que poderiam ser evitados. “Estamos aqui para evitar o crime. Depois que ele acontece, o aparato policial que se gasta é muito maior. Então, nossa intenção é tentar evitar que ocorra e, quando ocorrer, vamos trabalhar para solucionar esses delitos”, afirma. O novo comandante da 114ª Companhia pretende estabelecer uma relação de parceria com os comerciantes santa-ritenses, especialmente nas áreas em que há maior incidência de assaltos.

O tenente acredita que o tráfico de entorpecentes é responsável por grande parte dos homicídios, roubos a mão armada e furtos registrados em Santa Rita. “Ou o usuário de drogas se envolve numa dívida e acontece algum tipo de represália nesse sentido, ou assalta para poder adquirir a droga”, exemplifica. Campos Silva, que já comandou a PM em São Gonçalo do Sapucaí e Monte Sião, percebe que crimes relacionados a drogas ilícitas têm crescido em pequenos municípios sul-mineiros.

O comandante citou outra preocupação dos órgãos de segurança de Santa Rita: a “estrutura defasada” da cadeia pública. Ele afirmou que irá discutir com os delegados da Polícia Civil a melhor forma de a PM colaborar com a prevenção às fugas, que têm sido constantes. O tenente entende que não basta reformar a unidade prisional, a qual, em sua visão, deveria ser administrada pela Subsecretaria de Administração Penitenciária (Suape).

Foto: Cíntia Ferreira

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