21 de set de 2009

Poluição sobre rodas


O governo federal deu um passo importante na trilha do consumo consciente na semana passada. O Ministério do Meio Ambiente divulgou uma lista de veículos classificados de acordo com a emissão de gases poluentes. Figuram no ranking, por enquanto, somente os carros de passeio fabricados no Brasil em 2008. A classificação foi feita com base em dois critérios: a nota verde (índice de emissão de monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio) e o indicador de CO2 (gás carbônico).

A pesquisa apresenta informações curiosas. Quatro dos cinco modelos com pior nota verde são movidos a álcool. Na outra ponta, os cinco menos poluentes são carros a gasolina. Os motores flex produzem mais monóxido de carbono quando se usa álcool combustível. Uma das explicações para esse resultado seria o fato de o motor flex ser mais adequado à gasolina do que ao etanol.

Embora o álcool seja conhecido como ‘combustível limpo’ no Brasil, seu sucesso no país não se deve à preocupação dos motoristas com o meio ambiente. O que tem atraído o consumidor é tão-somente o preço. O fator econômico foi o que motivou o Estado brasileiro a incentivar o combustível derivado da cana-de-açúcar. Na década de 1970, a ditadura militar criou o Programa Nacional do Álcool (ProÁlcool) para evitar que as variações de preço do petróleo prejudicassem a economia nacional.

O ranking do MMA é uma tentativa de reduzir os prejuízos ambientais de uma medida tomada pelo próprio governo: a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para estimular a venda de veículos. A pretexto de tirar o Brasil da crise financeira mundial, o Estado contribuiu para agravar a crise climática planetária.

O ministro Carlos Minc faz sua parte para incentivar um consumo ecologicamente correto. Agora é a vez do cidadão brasileiro e – por que não? – do presidente Lula se mostrarem sensíveis ao apelo da agonizante Terra. O consumidor pode escolher um carro menos poluente da mesma forma que opta por uma geladeira econômica. Já o presidente tem condições de baixar impostos sobre veículos de transporte coletivo movidos a gás natural.

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