4 de set de 2009

‘Rota do entulho’ incomoda moradores do Jardim das Palmeiras

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Um depósito de entulho da Prefeitura de Santa Rita do Sapucaí tem causado transtornos a moradores da rua Professora Irene Castelo de Carvalho Pereira, no bairro Jardim das Palmeiras. A via pública dá acesso à área em que os detritos são despejados e, por isso, o tráfego de caminhões da frota municipal é constante no local. Poeira, barro, incêndios, animais e danos à pavimentação são alvos de reclamações na região.

Cidadãos ouvidos pelo blog dizem que o fluxo de caminhões se intensificou após o calçamento da rua, executado em 2008 com recursos dos moradores. Os entrevistados alegam que a rua passou a ter uma série de problemas desde que se tornou uma ‘rota do entulho’. No rastro dos caminhões, começaram a aparecer veículos particulares descarregando lixo residencial. Cobras e ratos passaram a ser vistos nas casas. Lama e barro voltaram a fazer parte dos problemas da rua.

Segundo o aposentado Vicente Antônio Mate Veraldi, 61, caminhões sempre derrubam entulho pela rua. Após uma dessas ocorrências, Veraldi procurou a Prefeitura para registrar uma reclamação. Ele afirma que o material foi recolhido no dia da denúncia, mas o problema se repetiu outras vezes, sem providência alguma da Prefeitura.

A nutricionista Mariana Carvalheiro Cotrim Lima, 30, levou à Secretaria Obras outra queixa: a falta de limpeza e muros em terrenos particulares próximos à sua residência, onde duas cobras peçonhentas já foram encontradas. A moradora diz ter sido informada de que os proprietários dos lotes seriam notificados e, se não houvesse resposta em 10 dias, a Prefeitura custearia o serviço. O problema ainda não foi solucionado.

A nutricionista critica também a falta de fiscalização na unidade de recebimento de entulho, o que facilita o despejo de materiais inadequados. A reportagem visitou o depósito de entulho na tarde de segunda-feira, 31, e flagrou dois homens descartando quatro sacos de lixo residencial e uma casinha de cachorro.

Outra preocupação dos moradores é a contribuição da poeira e da queima de lixo na evolução de doenças respiratórias. O desempregado Antônio Marcos de Lima, 36, relata que sua esposa sofre de tosse alérgica há três meses. O aposentado José Aparecido de Souza, 59, teme pela saúde de sua nora, grávida, e da neta que nascerá em breve. Ambas irão residir na mesma rua.

Lotes com água parada e ausência de garis também incomodam os habitantes da região. Para Vicente Veraldi, essas deficiências demonstram que o governo do Partido Verde não prioriza a qualidade de vida das pessoas. “Mereceríamos um pouco mais de respeito e atenção. Fazer frases nas paredes é muito bonito. Agora, agir como o partido determina, ninguém age”, critica.

Outro lado - O secretário municipal de Obras, Marcos Antônio Salvador de Barros, afirma que a unidade de recebimento de entulho é provisória e será desativada quando forem iniciadas as obras do centro de eventos no local. Segundo ele, parte do material despejado pela Prefeitura está sendo usado para aterrar o espaço.

Salvador de Barros diz que um servidor público será designado para administrar o depósito de entulho, que receberá apenas restos de construção civil, móveis velhos e galhos de árvores. Ele assegura que os detritos inadequados serão encaminhados ao lixão da cidade. O secretário sustenta que não há áreas públicas disponíveis na zona rural para receber entulho, embora uma parcela dos resíduos seja despejada em estradas de terra.

O titular da pasta de Obras diz que o tráfego de caminhões não será interrompido na rua Professora Irene Castelo de Carvalho Pereira. “Infelizmente, o trânsito de caminhões ali vai continuar e, chegando os caminhões novos, vai aumentar um pouquinho”. Ele explica que o fluxo crescerá para que o aterro seja concluído rapidamente.

O secretário afirma que os proprietários de lotes abandonados já foram notificados e que a limpeza pública será aperfeiçoada na região. Já o alagamento de terrenos, diz ele, só será reduzido com a construção de galerias para águas pluviais.

Foto: Jonas Costa

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