5 de out de 2009

Bairro isolado por rodovia aguarda passarela


[Reportagem de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

A duplicação da rodovia federal Juscelino Kubitschek de Oliveira (BR-459) já foi sonho de políticos e motoristas sul-mineiros. Porém, a conclusão da obra, em 2008, representou a continuidade de um pesadelo para moradores do bairro Pedreira, em Santa Rita do Sapucaí. A estrada sempre separou o bairro do resto da cidade, mas a pista dupla dificultou o acesso à Pedreira. A comunidade de pouco mais de 50 casas fica na entrada de Santa Rita, entre dois retornos, praticamente isolada pela mureta de concreto que divide a estrada.

Pesadelo, neste caso, é sinônimo de risco de atropelamento. Quem mora no bairro e precisa atravessar a pista a pé, numa curva, corre perigo todos os dias. A possível solução – uma passarela para pedestres – começou a ser discutida na campanha eleitoral de 2008. Candidatos a prefeito e a vereador prometeram empenhar-se para que a obra fosse aprovada pelo Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit).

De março a abril deste ano, a ideia ganhou força ao ser apresentada pelos vereadores santa-ritenses aos deputados Bilac Pinto (PR) e Dalmo Ribeiro Silva (PSDB) e ao superintendente regional do Dnit, Sebastião Donizete de Souza. Na época, Bilac declarou que o projeto técnico da passarela já havia sido elaborado, Dalmo assegurou que o processo estava “adiantado” e Souza se comprometeu a buscar recursos para a obra. Cinco meses depois da última notícia oficial, a Gazeta do Vale procurou moradores e políticos para ouvi-los sobre o tema.

A servente escolar Maria Eunice Vilela, 43, atravessa a pista no mínimo quatro vezes ao dia por causa do trabalho e dos filhos que leva até a escola. Creuza Gonçalves Batista, 51, chega à Pedreira diariamente às 8h para trabalhar como doméstica e deixa o serviço às 15h30. A aposentada Maria José Guerra Pinto, 73, precisa fazer a travessia “quase todo dia” devido a consultas médicas, missas e reuniões de um grupo de terceira idade. Eunice e Maria José são moradoras da Pedreira, e Creuza tira seu sustento labutando numa casa do bairro. As três temem atropelamentos e aguardam a construção da passarela.

“Quando foram duplicar a rodovia, não ouviram a nossa opinião. Veio um engenheiro estúpido, que falou o que quis e não ouviu o que precisava”, protesta Eunice, uma das primeiras moradoras do bairro. Ela acredita que a instalação de redutores de velocidade nesse trecho da rodovia tornaria a travessia “80% mais segura”. A velocidade dos veículos na curva da Pedreira preocupa também Maria José: “Não depende de a pessoa ser esperta. É muito rápido”. “Já aconteceu de eu estar na pista, aparecer um carro e eu não saber para que lado correr”, conta Creuza.

A Pedreira tem uma grande população idosa, segundo Maria José. Um dos moradores é o pai de Creuza, que tem 79 anos, problemas de audição e visão, mas continua se arriscando a atravessar a estrada para passear. Ao mesmo perigo são submetidos bebês como o neto de Eunice, de um ano e cinco meses, transportado de um lado para o outro dentro de um carrinho. Determinadas doenças ampliam a dificuldade de se locomover agilmente – no caso de Creuza, o reumatismo a faz andar com dificuldade.

Outro lado – A reportagem telefonou para órgãos públicos e gabinetes parlamentares na quinta-feira,1, em busca de informações sobre o andamento do projeto da passarela. No escritório do Dnit em Pouso Alegre, o interlocutor afirmou desconhecer qualquer decisão do órgão para atender à reivindicação. Disse apenas que há um pedido de lombadas eletrônicas para Santa Rita. A superintendência regional do órgão não soube informar prazos e valor da obra. Assessores dos deputados Bilac Pinto e Dalmo Ribeiro Silva se comprometeram a verificar a fase atual do projeto, mas não a divulgaram até o fechamento desta edição.

Foto: Jonas Costa

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