5 de out de 2009

"Estamos mobilizados para greve", diz líder sindical


[Entrevista concedida a Jonas Costa e publicada na Gazeta do Vale]

A negociação salarial entre o Sindicato dos Metalúrgicos de Santa Rita do Sapucaí (Sindmetsrs) e o Sindicato das Indústrias do Vale da Eletrônica (Sindvel) deveria ter sido encerrada na última quarta-feira, 30. Mas um impasse havia se formado sete dias antes, com a apresentação da contraproposta da classe patronal. No dia 24, o Sindmetsrs iniciou a mobilização sindical, fase em que os trabalhadores são ouvidos e preparados para uma possível paralisação.

“Já estamos mobilizados para greve”, admitiu a presidente do Sindmetsrs, Maria Rosângela Lopes, em entrevista exclusiva à Gazeta do Vale. A líder metalúrgica apresentou à reportagem sua versão sobre a campanha salarial de 2009 e a situação do trabalhador santa-ritense. O presidente do Sindvel, Roberto de Souza Pinto, e o representante dos empresários na negociação, Gustavo Bueno Borges, não foram encontrados para comentar as declarações da sindicalista.

A seguir, trechos da entrevista de Rosângela Lopes:

Mobilização: “Fiz um comunicado dizendo que já estamos mobilizados para greve, para uma possível paralisação. A gente começa a divulgar aos trabalhadores o resultado das negociações, colocá-los em alerta e envolvê-los para que eles se manifestem. Até o presente momento, os trabalhadores já rejeitaram os 5,5% por unanimidade.”

Defasagem de salários: “O piso salarial da categoria está baixo demais. Temos empresa aí com 50 trabalhadores que está praticando um piso de R$ 465. Quando o salário mínimo aumentou, ultrapassou o piso da categoria metalúrgica.”

Sem valorização: “Nossa mão-de-obra é qualificada, trabalha com alta tecnologia. Não é admissível que as empresas pratiquem piso da categoria para trabalhador que está há mais de quatro anos dentro da empresa. A política deles é essa. O governo usa o salário mínimo; eles usam o piso salarial, que é um marco regulatório. Faltam planos de cargos e salários nas empresas.”

Altos salários: “O que, todo ano, emperra as negociações? São os altos salários daqueles profissionais que não pertencem à nossa categoria. São os engenheiros, os gerentes industriais, os operadores de processos. Um engenheiro tem a livre negociação do salário dele com o empregador, quando um trabalhador do chão de fábrica não tem.”

Quem perde: “A data-base está assegurada em 1º de outubro. Quanto mais eles amarrarem, pior fica para eles, porque tudo é retroativo: salário, férias, adiantamento de 13º, horas extras, encargos... O trabalhador não está perdendo nada. Se eles fecharem em dezembro, vão pagar novembro e outubro.”

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