23 de out de 2009

Jefferson Mendes e Ronaldo Carvalho divergem sobre o caso BPS

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Os dois homens que polarizaram a disputa pelo poder em Santa Rita por mais de duas décadas têm versões distintas sobre o caso BPS. Os ex-prefeitos Jefferson Gonçalves Mendes (PSB) e Ronaldo de Azevedo Carvalho (PSDB) demonstraram, em entrevistas à Gazeta, que o fim dessa batalha nos tribunais não encerra as divergências de seus grupos políticos sobre a dívida milionária.

Um dos pontos de discordância é a data em que se iniciou o débito do Município com a empresa BPS. Carvalho afirma que os pagamentos teriam sido interrompidos durante o primeiro mandato de Mendes (1989/1992), mas este se defende dizendo que a ação de desapropriação teve início antes de sua posse. Segundo o tucano, seu adversário parou de pagar a BPS ao sancionar a lei que isentou os moradores da Nova Cidade das parcelas restantes. “Ele deu uma barretada com chapéu alheio”, acusa. Entretanto, Mendes nega que a isenção tenha relação com a dívida: “O valor das parcelas era simbólico e não dava para pagar o BPS”.

Para Ronaldo Carvalho, seu desafeto não se empenhou em negociar uma redução da dívida nos outros dois mandatos na Prefeitura (1997/2000 e 2001/2004). Numa crítica velada ao rival, Jefferson Mendes afirma ter quitado todas as desapropriações que executou como prefeito, citando como exemplo a compra dos casarões que foram demolidos para possibilitar a ampliação da praça Santa Rita. “Desapropriar é fácil. O problema é pagar”, salienta Mendes.

Carvalho teme que os advogados de BPS peçam uma intervenção no Município. Segundo ele, uma medida dessa natureza comprometeria grande parte da receita da Prefeitura, sendo preservados apenas os serviços públicos essenciais – saúde e educação, por exemplo. Um advogado ouvido pela Gazeta entende que a ideia de intervenção pode ser considerada “ficção jurídica”, mas esta hipótese chegou a ser mencionada pelo advogado Gilberto Faria numa entrevista publicada em abril de 2000.

Outras vozes – A reportagem vem tentando entrevistar o prefeito Paulo Cândido da Silva (PV) sobre o caso BPS desde 6 de outubro, mas só conseguiu agendar um encontro para a próxima semana. A procuradora-geral do Município, Carla Carvalho Costa Mendes, não foi encontrada para falar a respeito do processo. O empresário Benedito Pereira dos Santos também não foi localizado.

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