9 de out de 2009

Proposta de 2% é desrespeito, diz presidente do Sinsep

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

O índice de reajuste salarial proposto pelo prefeito Paulo Cândido da Silva (PV) ao funcionalismo do Município é classificado de “desrespeito ao servidor” pelo presidente do sindicato da categoria, Omar Cândido de Paiva. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santa Rita do Sapucaí (Sinsep) reivindicou um acréscimo de 13%, mas o prefeito aceitou conceder apenas 2%. Os funcionários da Prefeitura não recebem aumento desde 2008. Em maio, mês da data-base, a administração municipal manteve os valores dos vencimentos para cumprir exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Entrevistado pela Gazeta na segunda-feira, 5, Omar Paiva disse que o prefeito não se mostra preocupado em melhorar as condições de vida dos servidores públicos. “O prefeito veio com uma proposta que eu considero um desrespeito ao servidor. É o funcionário que carrega a Prefeitura nas costas. Não seria justo aceitar essa contraproposta de 2% a partir de outubro”, afirmou o dirigente sindical. Paiva frisou que o índice mínimo aceito pelo Sinsep seria de 6%, acrescido de benefícios (plano de carreira, reajuste do ticket de alimentação e auxílio-transporte).

No ofício em que expôs sua proposta ao sindicato, Paulo Silva listou oito justificativas, entre as quais a dívida deixada pela gestão anterior, o fato de a folha de pagamentos estar no “limite prudencial da lei”, a recente queda de arrecadação do Município e o fechamento das empresas Phihong e RR Donnelley. Para o presidente do Sinsep, o número de contratos temporários da Prefeitura demonstra que não há crise na atual administração. “Se estivesse em crise, não estaria contratando. Se quitou essa dívida de R$ 9,8 milhões, por que não dar um aumento de 13% para os funcionários?”, questiona.

Na opinião do motorista de ambulância Benedito Vitor da Silva, conselheiro fiscal do Sinsep, o aumento proposto pelo prefeito teria efeito praticamente nulo na renda dos servidores. “Com esses 2%, não dá para comprar hoje nem meia caixa de leite para uma criança. A gente trabalha mais para comer, porque as coisas são caras. Neste mês, não sobrou dinheiro nem para fazer compra”, lamenta o motorista, cujo salário-base é de R$ 490. A reportagem ouviu também dois funcionários contratados temporariamente para atuar na limpeza urbana. Ambos declararam receber ordenado de R$ 418, além de um ‘complemento’ de R$ 47 – totalizando um salário mínimo.

Outro lado – A Gazeta procurou o prefeito Paulo Silva nas duas últimas semanas para ouvi-lo sobre a negociação com o Sinsep. Segundo a assessoria de imprensa do Executivo Municipal, uma entrevista sobre o tema será concedida na próxima semana.

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