9 de out de 2009

Responsabilidade e sensibilidade

A cidade precisa de um líder ou de um síndico? Com uma indagação similar a esta, Fernando Gabeira (PV) tentou se diferenciar do concorrente Eduardo Paes (PMDB) na disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro, no ano passado. Paes acabou vencendo o duelo – menos pelo estilo de administrar, mais pela rica e inescrupulosa estrutura de campanha. Coube a Gabeira, como sempre, introduzir temas ou abordá-los de maneira nova. A dicotomia líder-síndico é um exemplo de debate que merece ser travado a qualquer tempo, seja qual for a cidade.

A complexidade da administração pública exige de todo prefeito a combinação de características do líder e do síndico – ou do político e do gerente. A adoção de procedimentos da iniciativa privada num governo pode ser saudável, desde que o chefe do Executivo tenha sensibilidade social e política para governar para todos, atendendo principalmente aos mais pobres. Não basta falar em responsabilidade social; é preciso exercitá-la no cotidiano para que não se torne expressão vazia de sentido.

A responsabilidade social, a exemplo da fiscal, deveria se tornar lei para que as questões sociais sejam tratadas com o mesmo rigor que as metas orçamentárias. A dignidade do ser humano poderia, assim, prevalecer sobre quaisquer limites legais.

Governar com eficiência não significa substituir seres humanos por planilhas, e carências sociais por metas frias. Não se deve confundir cidadão com cliente, embora o Estado exista para prestar serviços àqueles que o sustentam. Do mesmo modo, convém tratar a coisa pública com austeridade – não para produzir superávits inúteis, mas para que os impostos regressem à sociedade em forma de realizações necessárias.

Administrar politicamente não quer dizer, necessariamente, lotear a máquina pública, engolir indicações políticas em troca de apoio parlamentar. É possível unir aspectos positivos do líder e do síndico a serviço da coletividade. Infelizmente, faltam gerentes dispostos a fazer política e políticos aptos a gerenciar. Se fossem híbridos e honestos, os prefeitos seriam quase perfeitos.

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