16 de out de 2009

Um presente para o futuro

Barack Obama não é o primeiro negro a receber o Nobel da Paz. Seu prêmio não é inédito entre os presidentes dos EUA nem no Partido Democrata norte-americano. O que explica, então, a enorme repercussão dessa conquista? A surpresa se deve, principalmente, à escassa experiência administrativa do líder estadunidense. Passaram-se apenas nove meses desde sua posse. Alguns críticos da escolha de Obama sugerem que o jovem presidente ainda não fora devidamente testado como estadista.

A carreira política de Obama é, de fato, bastante recente. Sua primeira vitória nas urnas, para parlamentar estadual, aconteceu em 1996. De tão rápida, sua ascensão à Casa Branca seria como uma eleição do não menos admirável Carlos Minc à presidência do Brasil em 1998 (ou seja, 12 anos depois de se tornar deputado, numa imaginária vitória sobre próceres do PT e do PSDB). Somente o ex-presidente Jânio Quadros conseguiu façanha parecida, sendo escolhido para o Palácio do Planalto 13 anos após sua primeira eleição, para vereador.

A entrega do Nobel da Paz de 2009 não deve ter sido motivada pelo desempenho do governo Obama, mas por tudo aquilo que este cidadão do mundo conquistou antes de chegar ao poder e ainda pode conquistar até o fim de seu mandato. O próprio laureado reconheceu que o prêmio existe não apenas para reconhecer realizações, pois “também tem sido usado como meio de impulsionar um conjunto de causas”.

Obama sabe que terá de fazer jus ao Nobel da Paz. Discursos emocionantes não bastarão. Espera-se que o presidente dos EUA aja pela paz que diz defender. O primeiro obstáculo, deixado pelo belicoso antecessor George W. Bush, é a ‘ocupação’ do Afeganistão. Os ianques desembarcaram no insólito país em 2001 para capturar o terrorista Osama bin Laden e exterminar os talebans, mas até agora só contabilizaram mortes e prejuízos materiais.

Depois do Nobel, o líder da maior potência mundial tem pela frente o desafio de se tornar o presidente da paz. Só terá êxito nessa tarefa se conseguir convencer o povo de seu país a esquecer a vingança e a olhar para o futuro.

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