27 de nov de 2009

Plano Diretor provoca divergências sobre desenvolvimento urbano

[Reportagem de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Desenvolvimento urbano é o tema central do Plano Diretor Participativo (PDP) e motivo de divergências em Santa Rita do Sapucaí. O projeto de lei complementar que institui o PDP da cidade aguarda votação na Câmara Municipal. Desde que foi enviado aos vereadores, em agosto, o documento tem sido discutido por grupos políticos e empresariais. A Gazeta do Vale entrevistou, nas últimas semanas, cinco representantes de diferentes setores: o secretário municipal de Obras, Marcos Antônio Salvador de Barros; os proprietários de imobiliárias Alex Ander Menezes Capistrano de Alckmin e Giovanni Perrotta; o engenheiro e membro do Núcleo Gestor do PDP João Paulo de Oliveira Neto; e a arquiteta e urbanista Daniela Togawa.

Entre os pontos mais polêmicos do Plano Diretor estão alguns parâmetros urbanísticos, como os valores mínimos para tamanho de lote (360m2), largura de rua (14m) e largura de calçada (3m). Oliveira defende vias públicas e calçadas mais largas para que a acessibilidade seja assegurada aos cidadãos. Togawa afirma que passeios com menos de 2,4m não oferecem conforto aos pedestres, que dividem espaço com postes, árvores e lixeiras. Capistrano diz que a “largura tradicional” de ruas e calçadas deve ser mantida e que lotes de 360m2 não serão vendidos por menos de R$ 100 mil. Perrotta também prevê elevação nos preços de imóveis com as novas dimensões.

O Plano Diretor prevê instrumentos para coibir a especulação imobiliária e ocupar os vazios urbanos. Um deles é o IPTU progressivo no tempo (aumento da alíquota do imposto por cinco anos ou até que o proprietário realize parcelamento, edificação ou utilização compulsória). A medida está prevista no Estatuto da Cidade (lei federal 10.257/2001). Barros e Oliveira concordam com a adoção do mecanismo e salientam que a população tem custeado a limpeza e a iluminação de áreas não-utilizadas à espera de valorização. Capistrano e Perrotta defendem a “pulverização da oferta de loteamentos”, o que segundo eles derrubaria os preços de imóveis. Já Togawa sugere uma alternativa ao IPTU progressivo, também prevista no Estatuto da Cidade: consórcios imobiliários entre poder público e proprietários.

Outro instrumento do Estatuto incluído no PDP é o direito de preempção, que confere ao Município a preferência na aquisição de imóveis para execução de projetos habitacionais, criação de espaços de lazer ou outras ações de interesse público. Os dois proprietários de imobiliárias ouvidos pela Gazeta classificam a preempção como “autoritária” e “comunista”, pois consideram que esta proposta coloca em risco a livre iniciativa. Oliveira diz que a opinião dos empresários é “completamente retrógrada”. Ele e o secretário de Obras defendem a tese de que o direito de preempção foi criado para que a propriedade cumpra sua função social. O projeto do Plano Diretor estabelece que as áreas de interesse do Município serão delimitadas numa lei específica.

Se o conteúdo atual do PDP for transformado em lei, os condomínios residenciais fechados serão proibidos em Santa Rita. Alex Capistrano discorda, alegando que esse tipo de empreendimento garante segurança aos moradores e vantagens à Prefeitura. “Tudo é por conta do proprietário, até o recolhimento de lixo. O único trabalho da Prefeitura é recolher IPTU”, diz o empresário. João Paulo de Oliveira tem opinião oposta: “Os condomínios favorecem uma parcela minoritária da população, e o poder público é chamado a investir o dinheiro de todos na infraestrutura adequada”. Daniela Togawa alerta que os condomínios fechados geram discriminação social por estarem fisicamente isolados dos bairros.

O crescimento vertical da cidade também divide opiniões. Isso porque o projeto de lei do Plano Diretor só permite a construção de prédios com mais de quatro pavimentos (no máximo 12) numa área situada entre o Centro e o bairro Maristela. Perrotta afirma que a regra deveria ser flexível, já que o impacto ambiental de um loteamento seria “muito maior do que o da verticalização”. Para Oliveira, “flexibilizar é permitir que a cidade continue crescendo de uma maneira aleatória”. Togawa diz que um “Centro vertical” provocaria supervalorização nesta área. O secretário de Obras, por sua vez, reconhece que a Zona de Expansão Vertical poderia ser ampliada, mas ressalta que a construção de prédios altos precisa ser regulamentada no município.

O projeto do Plano Diretor cita, entre as diretrizes da política fundiária municipal, a contenção do crescimento da cidade além dos limites da rodovia BR-459. Barros aprova a ideia, citando os bairros Pedreira e São José como exemplos de isolamento e risco de acidentes. A mesma preocupação é manifestada por Oliveira, que alerta para a necessidade de se criar escolas e postos de saúde caso surjam novos bairros do outro lado da pista. Os empresários Perrotta e Capistrano assumem posição contrária: os dois chamam a proposta de “absurda” e entendem que a expansão urbana não deve ser limitada por lei.

Saiba mais - O projeto de lei do Plano Diretor e seus anexos estão disponíveis no site da Câmara Municipal. O endereço é www.camarasrs.mg.gov.br/Opine.asp

Imagem: reprodução

Ex-prefeito é condenado por superfaturamento de show

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

O ex-prefeito santa-ritense Ronaldo de Azevedo Carvalho (PSDB) foi condenado em segunda instância, no dia 20 de novembro, pelo suposto superfaturamento de um show da dupla sertaneja Milionário & José Rico. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais manteve a decisão do juiz José Sérgio Palmieri, titular da Segunda Vara da Comarca de Santa Rita do Sapucaí. O TJMG decidiu que Carvalho deve ficar inelegível e devolver R$ 26,7 mil aos cofres públicos.

A apresentação da dupla aconteceu em maio de 2006, durante a segunda gestão do tucano (2005-2008). De acordo com o Ministério Público, que propôs a ação, a Prefeitura teria gasto R$ 59,7 mil na contratação, alimentação e hospedagem da banda. O MP apurou que as apresentações de Milionário & José Rico custavam, na época, aproximadamente R$ 33 mil – valor orçado em Pouso Alegre e Congonhal, por exemplo.

O político declarou à reportagem que recorrerá da decisão do tribunal. Carvalho acredita que o processo terá “muitos desdobramentos”, já que o preço de uma produção artística é, segundo ele, uma “questão subjetiva”. “[O valor] depende da data contratada, do número de profissionais participantes, da distância do local de moradia do artista. Não é o mesmo de falar em um produto tabelado, como um veículo”, argumenta.

No início de outubro, o TJMG absolveu o tucano em outro processo, referente ao plano corporativo de telefonia móvel contratado em sua segunda passagem pela Prefeitura. Ao contrário do Ministério Público e do juiz Palmieri, os desembargadores do tribunal entenderam que o então prefeito não agiu de má-fé, bem como o vereador Clarismon Inácio (PSDB) e o ex-vereador Renato Antônio de Martha (PMDB). Carvalho alega que o uso de celulares reduziu os gastos com ligações telefônicas de R$ 15 mil para R$ 7 mil mensais.

Ronaldo Carvalho considera irônico o fato de ser processado por “alguns reais” no momento em que a Prefeitura é condenada a pagar mais de R$ 20 milhões à construtora itajubense BPS Terraplenagem – dívida classificada por ele como “fruto da omissão irresponsável de uma administração municipal”. O ex-prefeito afirma ser necessário comparar seu último governo com o atual. Segundo ele, a gestão tucana aplicou R$ 12 milhões em imóveis, adquiriu 20 veículos novos e atraiu 30 indústrias para a cidade, ao passo que a administração de Paulo Cândido da Silva (PV) “afugenta investimentos”.

Para Carvalho, a imprensa santa-ritense tem atuado com equilíbrio quando cobre assuntos relativos à sua carreira política. “Existe um princípio elementar do bom jornalismo: ouvir as partes interessadas, procurar as diversas versões. Entendo que a nossa imprensa, rádios e jornais, tem procurado cumprir este princípio”, reconhece.

Livro sobre Dona Chiquita deve ser publicado em 2010

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Um trabalho iniciado há mais de duas décadas e concluído em 1999 deverá ser publicado no primeiro semestre de 2010. Intitulado ‘Consciência Iluminada’, o livro da advogada e professora Ilma de Faria Dutra narra a infância e a juventude da líder espírita Francisca Celira da Silva Dias (1914-1993). ‘Dona Chiquita’, como era chamada, foi a responsável pela criação do Centro Espírita Amor a Verdade Mãe Maria, em Santa Rita do Sapucaí.

Quando decidiu escrever a obra, a autora se propôs a desvendar os anos menos conhecidos da vida de Dona Chiquita. Para tanto, entrevistou mais de 20 pessoas e vasculhou documentos em cartórios da região. Ilma Faria afirma que sempre planejou lançar o livro após 15 anos da morte da biografada. “Quis esperar partindo do princípio da justiça da Terra: não se deve fazer nada na emoção”, justifica.

A biógrafa conta que a família de Chiquita percebeu que ela possuía poderes paranormais ainda na infância, morando na cidade de Careaçu. Aos três anos, a menina teria ouvido os pensamentos da mãe pela primeira vez. Dona Laura pensava nas duas filhas que havia perdido quando Chiquita a abraçou e disse: “Mãe, eu estou aqui! Eu também sirvo!”

O livro conta outra passagem famosa em Careaçu. O padre Carmelo D’Angelo, padrinho de Chiquita, ganhou um desafeto ao impedir uma moça de participar da procissão de Nossa Senhora da Conceição com vestido de festa. Percebendo que o sacerdote seria baleado pelo pai da jovem, Chiquita, então com 12 anos, se postou à frente do padrinho. Segundo Ilma Faria, houve um tiro à queima-roupa, mas a cápsula teria desaparecido misteriosamente.

Francisca Celira nasceu em Varginha e faleceu em Santa Rita. Católica na infância, aderiu à doutrina espírita depois de casada. Foi na fase adulta que a líder espírita passou a ter notoriedade. Dizia-se que ela enxergava a parte interna do organismo humano a olho nu, além de ler auras. Médicos de várias regiões do Brasil a procuravam para se aconselhar ou até para checar seus próprios diagnósticos.

De acordo com a escritora, Chiquita decidiu fundar um centro espírita após ver um hanseniano se ajoelhar diante dela para implorar cura. Além do trabalho espiritual, Francisca auxiliava famílias pobres com alimentos, roupas e medicamentos que arrecadava. “Dona Chiquita foi uma figura notável em Santa Rita, no Sul de Minas e em partes até mais longínquas. Vinham de muito longe para se aconselhar com ela”, relata Ilma Faria.

Foto: acervo particular

Julgamento no escuro

Cesare Battisti não ocupa cargo político nem participa de reality show, mas é um dos nomes mais citados nos últimos meses pelos veículos de comunicação brasileiros. Ele é um escritor italiano que nos anos 70 pegou em armas para defender suas idéias revolucionárias. Condenado a prisão perpétua pela Justiça da Itália, é apontado como autor de quatro homicídios.

O grupo no qual Battisti militou chamava-se Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Coincidência ou não, essa mesma sigla designa o Programa de Aceleração do Crescimento, plano de investimentos em infraestrutura que tem como mentora a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), que participou da luta armada durante a ditadura militar. Curiosamente, a exposição de Battisti aumenta na medida em que se aproximam as eleições presidenciais de 2010, quando Dilma deve concorrer pelo PT.

O interesse de atingir Dilma indiretamente é apenas uma hipótese. Mas quais seriam os outros motivos para tamanha atenção sobre a trajetória de um homem outrora desconhecido no Brasil? Talvez seja pela atuação de políticos brasileiros e italianos, a favor ou contra a extradição do ativista. Na Itália, a classe política parece unida contra Battisti, do premiê direitista Silvio Berlusconi ao líder de centro-esquerda Massimo D’Alema. No Brasil, só uma parte da esquerda acredita em sua inocência.

O caso Battisti começou a repercutir internacionalmente em janeiro deste ano, mais precisamente no momento em que o ministro Tarso Genro (Justiça) concedeu refúgio político ao escritor. Ele havia sido detido no Brasil em 2007. É no Presídio da Papuda, em Brasília, que o escritor aguarda a decisão do presidente Lula que selará seu destino. Compete apenas ao mandatário aprovar ou rejeitar a extradição.

Não é fácil opinar sobre um processo tão polêmico. Muito menos decidir o futuro de uma vida humana cercada de dúvidas. Mesmo assim, figuras como Alexandre Garcia pedem quase diariamente que Battisti seja defenestrado. É por essas e outras que o jornalista Paulo Henrique Amorim alerta que a ‘grande mídia’ atua como partido político.

20 de nov de 2009

Atividades culturais lembram Dia da Consciência Negra

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

O Dia Nacional da Consciência Negra (20 de novembro) começou a ser celebrado hoje em Santa Rita do Sapucaí. Uma série de atividades culturais foi programada como parte do Projeto Cultura Afro Santarritense, em parceria com a Associação José do Patrocínio, a Escola de Samba Mocidade Independente do Sapucaí e a Colônia Africana.

Uma missa promovida na noite de hoje no Santuário de Santa Rita de Cássia marcou a abertura dos eventos. Após a cerimônia religiosa, a praça central da cidade foi palco de apresentações da Lira Santa Rita e de grupos de samba, hip-hop e capoeira. A barraca de alimentação da Colônia Africana movimentou a noite e arrecadou fundos para a Creche Santa Rita.

As atividades terão continuidade amanhã, a partir das 13h, na sala de exposições temporárias do Museu Delfim Moreira. A instituição sediará uma mostra de fotografias, vídeos e pratos de origem africana. Três palestras serão ministradas durante a exposição. Jéssica Alcione Ribeiro Alves dos Santos apresentará o Projeto Cultura Afro Santarritense. ‘Cultura Negra’ será o tema da conferência de Ana Lúcia Marcelino da Costa. Já Rafael Aflísio discorrerá sobre culinária africana e candomblé.

A mostra homenageará o músico santa-ritense Adail Ribeiro (1935-2004), que foi regente da Lira Santa Rita. Serão expostas peças que pertenceram ao maestro, como seu clarinete preferido e duas faixas conquistadas na época em que jogou no Minas Gerais, time conhecido como ‘Cabeça de Vaca’. O Bloco dos Músicos e ritmistas da Escola de Samba Azul e Branco se apresentarão em homenagem a Adail. Haverá números de samba e capoeira, além de declamação de poesia pela estudante Jéssica Cristina.

O Projeto Cultura Afro Santarritense foi criado em agosto pela professora Jéssica Alcione. Ela estuda aspectos da cultura negra há dez anos e abordou o Dia da Consciência Negra em trabalho de conclusão do curso de Pedagogia. A principal meta do projeto é resgatar manifestações culturais dos negros santa-ritenses, como os bailes da Associação José do Patrocínio e a congada da Rua Nova.

Sons da Prodarte ecoam há 30 anos


[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Foi durante uma conversa com o violonista João Argolo, em 1979, que Terezinha de Jesus Carvalho Souza teve a ideia de criar um projeto de promoção humana por meio de atividades artísticas. Ela estudava no Conservatório Estadual de Música de Pouso Alegre e sentiu-se provocada ao ouvir João descrever uma iniciativa desenvolvida por seu irmão em terras distantes. “Por que não fazemos o mesmo em Santa Rita?”, dizia a jovem idealista a amigos ligados à música.

As palavras de Terezinha começaram a ganhar eco em sua própria família – o marido e músico José Maria à frente. O entusiasmo não demorou a contagiar as filhas do casal. Em pouco tempo, estava formado um grupo disposto a levar a ideia adiante. À primeira reunião compareceram Heliana Maria Miranda, Antônio Anézio Felipe, Janete Borges Chaves, Maria Alice Baracat e outros incentivadores da cultura. Coube ao juiz aposentado e escritor Cyro de Luna Dias elaborar o primeiro estatuto do Projeto de Desenvolvimento Através da Arte. Nascia a Prodarte.

A sigla foi mantida, mas questões burocráticas provocaram a substituição de ‘Projeto de Desenvolvimento’ por ‘Associação Pró-Desenvolvimento’. A nova denominação possibilitou a inclusão da entidade entre os Pontos de Cultura do governo federal, a partir de 2006. No mesmo ano, um prédio alugado pela Prefeitura converteu-se na primeira sede da Prodarte. O imóvel residencial sofreu algumas adaptações e continua abrigando os instrumentos e sonhos da associação.

Cinco professores e 40 alunos lançam seus sons na rua do Queima de segunda a sexta-feira. São violinos, violas, violoncelos, saxofones, flautas e vozes da Orquestra Experimental da Prodarte. Entre os mestres está o saxofonista Antônio Anézio Felipe, o popular Tonico, fundador que à casa retornou em 2001. “Estou aqui porque este é um trabalho muito sério. Noto progresso nas pessoas com quem trabalho”, justifica o experiente músico.

A estudante Mônica Cássia Bernardes de Souza faz aulas de violino há apenas nove meses, mas já sente que o contato com a música erudita alterou sua relação com os sons do mundo. Já a professora Rita Helena de Souza Magalhães, assessora pedagógica da associação, percebe que a música une pessoas e transforma vidas.

Atenta a estes depoimentos, a idealizadora Terezinha Souza resumiu três décadas de trabalho voluntário com um sorriso discreto e uma curta declaração. “Valeu a pena pelo fato de termos chegado até aqui. Apesar das dificuldades, o saldo é positivo”, sentenciou a professora de cabelos brancos que fez de seu antigo sonho uma nova realidade para muitos santa-ritenses.

Foto: Jonas Costa

Caso Phihong avança mais uma etapa

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

O processo de transferência dos bens da antiga Phihong PWM Brasil para a Linear Equipamentos Eletrônicos cumpriu mais uma exigência burocrática na última segunda-feira, 16. O Cartório de Registro de Imóveis de Santa Rita do Sapucaí emitiu uma certidão que oficializa a arrematação do prédio da Phihong por seus ex-funcionários. A conclusão do caso depende agora de outra certidão do cartório, desta vez transferindo o imóvel para a Linear, que o adquiriu juntamente com suas máquinas em maio.

Multinacional do setor eletroeletrônico, a Phihong desativou sua unidade santa-ritense no ano passado, demitindo mais de 1.400 operários sem pagar as devidas verbas rescisórias. Os empregados dispensados ingressaram com ações na Justiça do Trabalho, que acabou penhorando e leiloando o patrimônio do grupo empresarial. Como o leilão não teve lances, os próprios ex-funcionários usaram seus créditos trabalhistas para assumir os bens a partir de dezembro de 2008.

Para se tornar proprietária de fato, a diretoria da Linear tem auxiliado os representantes dos ex-funcionários da Phihong. No final de outubro, os advogados dos operários e dos futuros donos viajaram a Belo Horizonte para uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho. A soma de esforços resultou na expedição das cartas de arrematação do prédio e dos equipamentos. Um dos advogados dos trabalhadores, Ronaldo Kersul, diz que o principal entrave foi resolvido com a entrega dessas cartas.

O presidente da Linear, José de Souza Lima, recebeu a certidão do cartório na terça-feira, 17, e no mesmo dia encaminhou o documento à Caixa Econômica Federal (CEF), que financiará parte do negócio. A documentação está sendo analisada pelo departamento jurídico do banco e, após aprovada, retornará ao cartório para que os bens sejam registrados em nome da Linear. O último passo antes do pagamento será uma nova análise pelo setor jurídico da CEF.

O presidente da comissão de advogados dos trabalhadores, Fernando Luiz Andrade, acredita que a liberação do dinheiro será rápida, mas não se arrisca a citar data-limite para os depósitos. “Estipular um prazo exato para liberação do dinheiro no momento não é possível, pois não depende de nós. No entanto, estamos mantendo contato direto com a CEF, procurando acompanhar todo procedimento de perto, bem como fazendo tudo que é possível para apressar o desenrolar da presente situação”, assegura Andrade.

O gestor da comissão de ex-funcionários, Mozart Zaghi, considera possível que os pagamentos sejam efetuados até o final deste ano. Zaghi diz que, durante a entrega da certidão ao presidente da Linear, todos os participantes chegaram a essa conclusão. “Não temos data exata, mas foi unânime o sentimento de que passaremos um Natal tranquilo, com dinheiro no bolso”. O advogado Ronaldo Kersul concorda que o processo está em sua “fase final”, mas evita sugerir um prazo.

Para Andrade e Kersul, é injusto atribuir aos advogados a demora no pagamento. “Os trabalhadores trabalharam e não receberam. Os advogados continuam trabalhando e ainda não receberam nada. Os advogados têm o mesmo interesse e todos vão receber na mesma data”, salienta Kersul. Andrade assegura que “as pessoas envovidas nessa operação estão trabalhando incansavelmente para que esta questão seja solucionada com a maior brevidade”.

República renovada

Convencionou-se chamar de Nova República o período da história brasileira inaugurado com a eleição do civil Tancredo Neves, em 1985, depois de 21 anos de presidentes militares. Porém, a nova fase nasceu com ares de velha. Eleito aos 74 anos, Tancredo morreu sem assumir o cargo, que acabou sendo exercido pelo vice José Sarney, antigo apoiador da ditadura. Os dois velhos políticos profissionais foram escolhidos por colegas de ofício, numa votação restrita aos membros do Congresso Nacional.

A República brasileira só voltou a ser verdadeiramente pública em 1989. Não por acaso, a primeira eleição direta para a presidência desde 1960 ocorreu no dia 15 de novembro – data em que a República fora proclamada, exatamente 100 anos antes. O povo recuperou o direito de escolher seu líder e teve 22 opções na cédula. Pela primeira vez, estavam na disputa um operário, uma mulher e um negro. Os partidos comunistas não eram mais clandestinos; os exilados haviam regressado à sua pátria.

Todas as grandes agremiações partidárias foram representadas no pleito. O PMDB ainda tinha Ulysses Guimarães. O antigo PFL era a legenda de Aureliano Chaves. Pelo PDT lançou-se Leonel Brizola. O candidato do PSDB era Mário Covas. Lula da Silva era o nome oferecido pelo PT. Já o extinto PDS tinha Paulo Maluf como líder. Também concorreram Roberto Freire (PCB), Afif Domingos (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Fernando Gabeira (PV)... e Fernando Collor de Melo (PRN).

Collor venceu por obra e graça de uma propaganda tão eficiente quanto inescrupulosa. Seduziu o país com sua cara lavada e com a promessa de lavar mais branco. Teve apoio da Rede Globo e de quase todo o resto da mídia. Fugiu dos debates do primeiro turno, mas soube usar a TV a seu favor.

O personagem ridículo apelidado de caçador de marajás nem chegou a terminar seu mandato. Foi cassado, morto e sepultado, mas ressuscitou ao terceiro pleito, em 2006. Collor e o Brasil mudaram nos últimos 20 anos. O ex-presidente hoje apóia o ex-desafeto Lula. Muitos partidos mudaram de sigla, de lado e de dono. As fronteiras entre esquerda e direita estão menos nítidas. A forma de eleger o presidente não foi alterada – e isso garante que a República seja sempre renovada.

13 de nov de 2009

Com parceiros renomados, Insel prepara novos projetos


[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

O Instituto Santarritense de Esporte e Lazer (Insel) firmou importantes parcerias nos últimos meses e pretende expandir suas atividades. A organização não-governamental prepara novos projetos para ampliar o número de pessoas atendidas. O cadastro do Insel é composto por 400 nomes, mas, por falta de espaço, somente 93 atletas de quatro a 18 anos participam dos trabalhos da entidade. Os jovens podem praticar triathlon (esporte que inclui natação, atletismo e ciclismo) ou apenas natação.

Os exercícios na piscina passarão por modificações até o final deste ano. Isso ocorrerá porque o instituto está credenciado desde agosto para aplicar a Metodologia Gustavo Borges (MGB). O método foi sistematizado pelo professor William Urizzi de Lima a partir da experiência do renomado nadador. O Insel é a primeira ONG a receber o credenciamento, antes restrito a academias, clubes e colégios.

Segundo a presidente do instituto, Tatiane Bono Costa Pina, o manual do MGB descreve detalhes que podem ser decisivos no desempenho dos nadadores. A parceria com Gustavo Borges prevê material pedagógico, boletins mensais com dicas aos credenciados, calendário de objetivos semanais, cursos de capacitação para professores e visitas periódicas da assessora Mariella Bosquirolli. “Esse método muda a postura do aluno, que não irá só fazer aulas de natação. Ele vai ter objetivos”, salienta Pina.

Outra parceria beneficiará a equipe de triathlon do Insel, que terá San Palma como assessor técnico. Palma é treinador de Carla Moreno (heptacampeã do Troféu Brasil de Triathlon) e planeja treinar atletas santa-ritenses para os Jogos Olímpicos de 2016, a serem realizados no Rio de Janeiro. O técnico procurou a diretoria do instituto no final de outubro, após acompanhar o desempenho da equipe de Santa Rita do Sapucaí nas oito etapas do Campeonato Paulista de Aquathlon. Uma das triatletas do Insel, Aline Tenório de Faria, ficou em primeiro lugar na classificação geral da competição.

Projetos – As atividades do Insel devem ser transferidas para um novo local ainda neste ano. A ONG decidiu alugar o prédio em que funcionaram as academias Aquanauta e Life, no bairro Pôr-do-Sol. O espaço está sendo reformado. Será reaberta uma piscina aquecida de 12,5m de comprimento por 6m de largura, com capacidade para receber 493 pessoas por semana. Hoje os treinos oferecidos pela entidade são realizados nos campi da Escola Técnica de Eletrônica (ETE) e do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel).

Além das duas instituições de ensino, apenas cinco empresas santa-ritenses patrocinam o Insel. Por isso, a ONG lança neste mês o projeto ‘Adote um Aluno’, que incentiva o apadrinhamento de atletas por pessoas físicas. Cada padrinho ficará responsável pelo pagamento das mensalidades de um jovem de baixa renda. As taxas sugeridas são de R$ 20 e R$ 40, variando de acordo com a renda familiar, mas cada atleta contribui com a quantia que pode. As contribuições são empregadas na manutenção do Insel.

Os demais projetos da ONG estão relacionados no site www.insel.org.br.

Foto: divulgação

Organizadores do ‘Natal Criança Feliz’ buscam patrocinadores


[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

O Natal de 2005 se aproximava quando o microempresário Fábio de Souza Amarins decidiu criar um evento para distribuição de presentes a crianças pobres de Santa Rita do Sapucaí. Recordando os anos difíceis de sua infância, Amarins percebeu que a história se repetia em muitos lares de seu bairro. Foi assim que surgiu o projeto Natal Criança Feliz, que em dezembro deste ano chega à sua quarta edição.

No primeiro ano de evento, Amarins e alguns amigos entregaram pouco mais de 300 brinquedos para crianças dos bairros da Nova Cidade, muitas delas presenteadas pela primeira vez no Natal. As doações – depositadas em caixas de papelão nas empresas do Vale da Eletrônica – cresceram cerca de uma centena por ano, de 2006 a 2008. Em 2007, por falta de apoio, o evento não aconteceu. Para atingir a meta de 600 brinquedos neste ano, os organizadores têm buscado patrocinadores.

Fábio Amarins diz que a maior despesa é gerada pelo aluguel de equipamentos recreativos, como cama elástica, balão pula-pula e piscina de bolinhas. Outra necessidade é a compra de refrigerantes, algodão doce e pipoca. Até o momento, o criador do Natal Criança Feliz é apoiado apenas pelo co-organizador Leandro Lopes e por três empresas santa-ritenses.

A edição de 2009 terá dois dias de atividades, como ocorreu no ano passado. Em 19 de dezembro, a partir das 10h, serão distribuídos presentes na fazenda de Fernando Avelar, no bairro Balaio. No dia 20, a festa terá continuidade no Ginásio Poliesportivo Municipal Jacques Bressler, na Nova Cidade. Pela manhã, haverá jogos festivos de futsal, handebol e basquete. À tarde, serão promovidos shows de grupos de hip-hop de Campinas e do bairro paulistano do Brás. A entrega de presentes terá início às 17h e deve ser encerrada por volta das 19h30.

A distribuição de presentes obedecerá a um critério a partir deste ano: as crianças que enviarem cartas à organização do evento terão prioridade. Amarins assegura, porém, que os brinquedos serão escolhidos aleatoriamente – os principais são bonecas, carrinhos e bolas de borracha. As cartas devem ser entregues até 15 de dezembro no Ginásio Jacques Bressler, das 17h às 22h; ou na lan house Ponto de Encontro (rua das Violetas, 69, bairro Baracat), em horário comercial.

Foto: acervo particular

Há muros entre nós

Poucas cenas do século XX foram tão simbólicas como a queda do Muro de Berlim, ocorrida há exatos 20 anos. Milhares de fotografias e vídeos registraram a rebelião popular que levou ao chão um obstáculo físico entre os blocos capitalista e socialista. Uma das imagens mais exibidas na época mostra jovens empoleirados no muro tendo ao fundo o majestoso Portão de Brandemburgo. Sobre o arco do triunfo alemão tremulava uma só bandeira, sinalizando que o vento soprava a favor da reunificação do país.

Para os capitalistas, o emblemático episódio marcou o triunfo da economia de mercado sobre o socialismo estatal. De fato, a queda do muro acelerou a implosão da União Soviética, detonada pelo russo Mikhail Gorbachev com o apoio dos líderes Ronald Reagan (EUA), Margareth Teacher (Reino Unido), Helmut Kohl (Alemanha Ocidental), Lech Walesa (Polônia) e João Paulo II (Vaticano). Para os alemães do leste e do oeste, o maior triunfo foi o da liberdade de atravessar a fronteira para abraçar os familiares ou simplesmente ter acesso a bens de consumo.

A inacreditável barreira de 120 quilômetros de extensão foi erguida numa só noite de 1961 e ficou em pé por 28 anos. Muros semelhantes são inimagináveis duas décadas depois. Mas ainda existem, infelizmente. Um deles começou a ser construído pelo governo norte-americano para conter a entrada de mexicanos no ‘país da liberdade’. Na Europa, o Chipre tem sua capital, Nicósia, rasgada por um paredão de concreto que divide a zona turca da grega. Israel usa uma muralha de 8 metros de altura para anexar territórios e espremer os inimigos palestinos.

Há vários outros exemplos de obras de alvenaria empreendidas para separar nações, regiões, etnias ou grupos religiosos. Contudo, os principais muros a derrubar no século XXI não são visíveis nem palpáveis. Não podem ser medidos em metros nem se aprisionam em pontos geográficos. Marretas ou picaretas não são capazes de destruir as desigualdades sociais, o racismo, a homofobia e o machismo. No Brasil, por exemplo, continuam intransponíveis os obstáculos para se erradicar a miséria e o analfabetismo. Bipolar ou não, o mundo é o mesmo para os excluídos de qualquer continente.

6 de nov de 2009

Ministro aprova passarela para Santa Rita


[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

O ministro dos Transportes, senador Alfredo Nascimento (PR-AM), comunicou ao deputado Bilac Pinto (PR-MG), na semana passada, que o governo federal construirá uma passarela para pedestres em Santa Rita do Sapucaí. Nascimento determinou também que seja verificada a legalidade da construção do acesso ao distrito industrial do município, nas proximidades da usina da Cooperativa Regional Agropecuária (CooperRita).

A passarela é reivindicada pelos moradores do bairro Pedreira desde a duplicação da rodovia federal Juscelino Kubitschek de Oliveira (BR-459). A comunidade de pouco mais de 50 casas fica na entrada de Santa Rita, entre dois retornos, praticamente isolada pela mureta de concreto que divide a estrada. Quem mora no bairro e precisa atravessar a pista a pé, numa curva, corre perigo todos os dias.

A necessidade da passarela foi exposta pelos vereadores santa-ritenses durante reuniões com os deputados Bilac Pinto e Dalmo Ribeiro Silva (PSDB), de março a abril deste ano. Em seguida, uma comissão da Câmara Municipal levou a proposta ao superintendente regional do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), Sebastião Donizete de Souza. No início de outubro, a Gazeta do Vale procurou o Dnit e assessores dos dois parlamentares, mas a obra ainda não havia sido confirmada pelo Ministério dos Transportes.

A reportagem voltou a telefonar para o escritório do Dnit em Pouso Alegre na última semana. O analista administrativo do órgão, Wagner Lopes Alves, não soube informar quando a obra será iniciada, mas disse que a inclusão da BR-459 no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) facilita a liberação de recursos para a passarela. “Vai ser uma questão mais burocrática do que orçamentária”, resumiu Alves, ao explicar que a execução da obra é precedida de uma licitação para escolha da empreiteira.

Foto: arquivo do Ministério dos Transportes

Cineasta sul-mineiro é convidado a participar de mostra na França

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

O cineasta sul-mineiro Flávio Chiarini Pereira foi convidado a exibir seu curta-metragem ‘Fance’ na 22ª edição dos Encontros de Cinema da América Latina de Toulouse, no sul da França. O convite foi feito em 17 de outubro, após a exibição do segundo filme de Chiarini no festival CineBH, na capital mineira. A mostra de Toulouse deve acontecer em março de 2010 e já homenageou, entre outros brasileiros, o ator Lázaro Ramos (2007) e o diretor José Mojica Marins (2002). Dezessete países foram representados na última edição.

O título ‘Fance’ foi escolhido por sua relação com a palavra ‘infância’ – em latim, ‘in’ significa ‘não’, e ‘fance’ é sinônimo de ‘fala’. Por isso, o objetivo do documentário experimental de Chiarini é dar voz a crianças. Gravado em 2007, o curta havia sido exibido em festivais de cinema de São Paulo (Livraria Cultura), Porto Alegre (CineEsquemaNovo), Goiânia (MIAU) e Itajaí (Catarina Festival).

Antes do sucesso de ‘Fance’, Chiarini havia criado e dirigido o documentário ‘A História de Delinho’, que narra a vida de uma das figuras mais populares de Estiva. O primeiro filme deu nome à Mostra Delinho de Cinema, promovida anualmente na terra natal do personagem. Na semana passada, o cineasta concluiu o filme ‘Agenor Ferro Véio’, que expõe a trajetória de outro estivense folclórico. “Gosto de documentários porque existem pessoas muito interessantes no mundo. Através de seus olhares aprendo novas formas de ver e tento passar isso para outras pessoas”, diz Chiarini sobre a repetição da fórmula que consagrou Delinho.

Quem é – Flávio Antônio Chiarini Pereira, 29, é pouso-alegrense, mas passou a maior parte de sua vida em Estiva. Após graduar-se em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), retornou ao Sul de Minas para lecionar em Pouso Alegre, Estiva, Cambuí e Bom Repouso. Seu envolvimento com a sétima arte se deu a partir da seleção de ‘A História de Delinho’ para o projeto Revelando os Brasis, do governo federal. Depois desse filme, Chiarini voltou a morar em Florianópolis, onde cursa Cinema na UFSC.

‘Empreendedores mirins’ expõem trabalhos em SRS


[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

O Centro Educacional Alegria de Viver (Ceav), de Santa Rita do Sapucaí, promoveu no dia 30 de outubro a quarta edição da Expo Sonho, feira anual de ‘empreendedores mirins’. Todos os 96 alunos da instituição apresentaram trabalhos em estandes montados no Ginásio Poliesportivo Municipal Dr. José Alcides Rennó Mendes (Alcidão). Com o tema ‘História de Sucesso’, a feira deste ano expôs a trajetória de dez empresas santa-ritenses criadas há mais de uma década.

O projeto é uma das atividades da disciplina Empreendedorismo, presente na grade curricular do pré de 4 anos até a 5ª série do ensino fundamental. Cada turma escolheu o nome de uma empresa fictícia. As salas foram divididas em grupos, cada qual responsável por representar uma empresa real. De acordo com a diretora do Ceav, Maria Cleusa da Silva, a feira foi criada para desenvolver a oralidade e a desinibição das crianças.

A turma do 4º ano recebeu o nome de ‘Rádio Gazeta Kids’ e apresentou a história da Rádio Difusora Santarritense, que completou 62 anos em 2009. Os alunos visitaram as duas emissoras do grupo empresarial (Difusora AM e D2 FM), onde emprestaram alguns materiais para a exposição, como discos de carvão e vinil, antigos aparelhos de rádio e uma vitrola. Uma das componentes da equipe, Giovanna, é bisneta do fundador da empresa, Ruy Brandão. O diretor administrativo da Difusora, Richard Wagner Brandão, visitou a feira e declarou que ‘Seu Ruy’ foi um exemplo de persistência.

Outra empresa tradicional da cidade, a Tipografia São Miguel, foi homenageada pela equipe ‘Tipo e Grafia’, do 3º ano. A oficina cedeu às alunas Gabriela, Nathália e Ana Clara alguns exemplares do jornal ‘O Correio’, editado pela empresa durante 30 anos. O trio exibiu também uma caixa de tipos (letras de metal usadas na impressão de jornais, cartazes e panfletos). À frente da tipografia há 41 anos, Ivo de Carvalho foi representado no evento pelo filho Luciano, que disse que o fundador “aprendeu tudo pelo esforço e pela criatividade”.

Fotos: Jonas Costa

Negociação salarial é encerrada no Vale da Eletrônica

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

A negociação salarial entre as entidades que representam o operariado (Sindmetsrs) e a classe patronal (Sindvel) de Santa Rita do Sapucaí chegou ao fim na última semana. Os sindicatos acordaram os seguintes valores, retroativos a 1º de outubro: piso de R$ 520 para empresas com até 120 funcionários (aumento de 11,83%); piso de R$ 570 para firmas com mais de 120 empregados (acréscimo de 11,88%); reajuste de 8% para quem recebe acima do piso e abaixo de R$ 1 mil; e aumento de 7% àqueles que ganham mais de R$ 1 mil.

No início da campanha salarial, o Sindmetsrs reivindicou pisos entre R$ 637,91 e R$ 739,98. Após algumas reuniões com dirigentes do Sindvel, os representantes dos trabalhadores passaram a defender os valores mínimos de R$ 534 e R$ 585, conforme a quantidade de funcionários da empresa. Insatisfeitos com a contraproposta dos empresários, os operários iniciaram a mobilização sindical no final de setembro, mas não houve paralisação de atividades.

Os dois sindicatos chegaram a um consenso sobre as cláusulas sociais a serem observadas nos próximos dois anos. A presidente do Sindmetsrs, Maria Rosângela Lopes, ressalta duas conquistas: a obrigatoriedade de toda empresa reservar locais para amamentação de filhos de operárias, e a flexibilização do horário para o trabalhador-estudante. Não houve acordo quanto à criação de creches, mas Lopes entregou aos empresários um projeto de centro de educação infantil, elaborado pela Prefeitura, para atender 250 crianças.

A reportagem procurou o presidente do Sindvel, Roberto de Souza Pinto, e o representante da classe patronal na negociação salarial, Gustavo Bueno Borges, mas não conseguiu entrevistá-los.

Marketing do suicídio

Obsolescência planejada (ou programada). O nome é complicado, mas tem significado bastante simples. Esta expressão denomina uma estratégia do capitalismo que consiste em programar a substituição dos produtos, de tempos em tempos, para que os mais novos sempre pareçam indispensáveis. Isso significa introduzir bens e serviços no mercado já calculando quando cairão em desuso para dar lugar a futuros lançamentos.

Dos celulares aos veículos, das bolsas femininas às geladeiras, tudo é renovado em velocidade crescente. É cada vez mais comum ouvir que determinado modelo saiu de linha ou caiu de moda. A obsolescência planejada cria postos de trabalho, gera renda, faz girar a roda da economia, mas, por outro lado, é responsável por efeitos nefastos, como o aumento de vários tipos de poluição, o aprofundamento do individualismo e a alienação de mentes.

A pior consequência dessa estratégia ambiciosa e irresponsável é a ampliação do consumo desnecessário e irracional. Torpedeados por propagandas que ‘vendem’ um estilo de vida considerado moderno, os consumidores não hesitam em comprar o automóvel que simboliza arrojo, o celular recomendado pela protagonista da novela, o computador portátil que teria despencado 50% numa promoção... Aí entra a obsolescência perceptiva, ou seja, a impressão de que algo não serve mais porque é démodé.

Os níveis de consumo atuais são insustentáveis. Para satisfazer às necessidades artificiais da humanidade, não há outro caminho senão o uso dos recursos naturais – sinônimo de destruição da natureza e da qualidade de vida na Terra. Quanto maior o consumo, maior a produção. Mais produtos exigem mais embalagens e mais combustíveis para que as novidades cheguem às prateleiras.

Incontáveis problemas são provocados pelo consumismo sem limites. Toneladas de baterias e pilhas são descartadas inadequadamente todos os dias, contaminando o solo, a água e a vida. Atira-se tudo em latas de lixo com a ilusão de que se está jogando fora. No entanto, os frutos do consumo supérfluo só podem ser jogados dentro. Dentro de um planeta agonizante. Dentro de um futuro sombrio.