13 de nov de 2009

Há muros entre nós

Poucas cenas do século XX foram tão simbólicas como a queda do Muro de Berlim, ocorrida há exatos 20 anos. Milhares de fotografias e vídeos registraram a rebelião popular que levou ao chão um obstáculo físico entre os blocos capitalista e socialista. Uma das imagens mais exibidas na época mostra jovens empoleirados no muro tendo ao fundo o majestoso Portão de Brandemburgo. Sobre o arco do triunfo alemão tremulava uma só bandeira, sinalizando que o vento soprava a favor da reunificação do país.

Para os capitalistas, o emblemático episódio marcou o triunfo da economia de mercado sobre o socialismo estatal. De fato, a queda do muro acelerou a implosão da União Soviética, detonada pelo russo Mikhail Gorbachev com o apoio dos líderes Ronald Reagan (EUA), Margareth Teacher (Reino Unido), Helmut Kohl (Alemanha Ocidental), Lech Walesa (Polônia) e João Paulo II (Vaticano). Para os alemães do leste e do oeste, o maior triunfo foi o da liberdade de atravessar a fronteira para abraçar os familiares ou simplesmente ter acesso a bens de consumo.

A inacreditável barreira de 120 quilômetros de extensão foi erguida numa só noite de 1961 e ficou em pé por 28 anos. Muros semelhantes são inimagináveis duas décadas depois. Mas ainda existem, infelizmente. Um deles começou a ser construído pelo governo norte-americano para conter a entrada de mexicanos no ‘país da liberdade’. Na Europa, o Chipre tem sua capital, Nicósia, rasgada por um paredão de concreto que divide a zona turca da grega. Israel usa uma muralha de 8 metros de altura para anexar territórios e espremer os inimigos palestinos.

Há vários outros exemplos de obras de alvenaria empreendidas para separar nações, regiões, etnias ou grupos religiosos. Contudo, os principais muros a derrubar no século XXI não são visíveis nem palpáveis. Não podem ser medidos em metros nem se aprisionam em pontos geográficos. Marretas ou picaretas não são capazes de destruir as desigualdades sociais, o racismo, a homofobia e o machismo. No Brasil, por exemplo, continuam intransponíveis os obstáculos para se erradicar a miséria e o analfabetismo. Bipolar ou não, o mundo é o mesmo para os excluídos de qualquer continente.

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