27 de nov de 2009

Livro sobre Dona Chiquita deve ser publicado em 2010

[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Um trabalho iniciado há mais de duas décadas e concluído em 1999 deverá ser publicado no primeiro semestre de 2010. Intitulado ‘Consciência Iluminada’, o livro da advogada e professora Ilma de Faria Dutra narra a infância e a juventude da líder espírita Francisca Celira da Silva Dias (1914-1993). ‘Dona Chiquita’, como era chamada, foi a responsável pela criação do Centro Espírita Amor a Verdade Mãe Maria, em Santa Rita do Sapucaí.

Quando decidiu escrever a obra, a autora se propôs a desvendar os anos menos conhecidos da vida de Dona Chiquita. Para tanto, entrevistou mais de 20 pessoas e vasculhou documentos em cartórios da região. Ilma Faria afirma que sempre planejou lançar o livro após 15 anos da morte da biografada. “Quis esperar partindo do princípio da justiça da Terra: não se deve fazer nada na emoção”, justifica.

A biógrafa conta que a família de Chiquita percebeu que ela possuía poderes paranormais ainda na infância, morando na cidade de Careaçu. Aos três anos, a menina teria ouvido os pensamentos da mãe pela primeira vez. Dona Laura pensava nas duas filhas que havia perdido quando Chiquita a abraçou e disse: “Mãe, eu estou aqui! Eu também sirvo!”

O livro conta outra passagem famosa em Careaçu. O padre Carmelo D’Angelo, padrinho de Chiquita, ganhou um desafeto ao impedir uma moça de participar da procissão de Nossa Senhora da Conceição com vestido de festa. Percebendo que o sacerdote seria baleado pelo pai da jovem, Chiquita, então com 12 anos, se postou à frente do padrinho. Segundo Ilma Faria, houve um tiro à queima-roupa, mas a cápsula teria desaparecido misteriosamente.

Francisca Celira nasceu em Varginha e faleceu em Santa Rita. Católica na infância, aderiu à doutrina espírita depois de casada. Foi na fase adulta que a líder espírita passou a ter notoriedade. Dizia-se que ela enxergava a parte interna do organismo humano a olho nu, além de ler auras. Médicos de várias regiões do Brasil a procuravam para se aconselhar ou até para checar seus próprios diagnósticos.

De acordo com a escritora, Chiquita decidiu fundar um centro espírita após ver um hanseniano se ajoelhar diante dela para implorar cura. Além do trabalho espiritual, Francisca auxiliava famílias pobres com alimentos, roupas e medicamentos que arrecadava. “Dona Chiquita foi uma figura notável em Santa Rita, no Sul de Minas e em partes até mais longínquas. Vinham de muito longe para se aconselhar com ela”, relata Ilma Faria.

Foto: acervo particular

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