6 de nov de 2009

Marketing do suicídio

Obsolescência planejada (ou programada). O nome é complicado, mas tem significado bastante simples. Esta expressão denomina uma estratégia do capitalismo que consiste em programar a substituição dos produtos, de tempos em tempos, para que os mais novos sempre pareçam indispensáveis. Isso significa introduzir bens e serviços no mercado já calculando quando cairão em desuso para dar lugar a futuros lançamentos.

Dos celulares aos veículos, das bolsas femininas às geladeiras, tudo é renovado em velocidade crescente. É cada vez mais comum ouvir que determinado modelo saiu de linha ou caiu de moda. A obsolescência planejada cria postos de trabalho, gera renda, faz girar a roda da economia, mas, por outro lado, é responsável por efeitos nefastos, como o aumento de vários tipos de poluição, o aprofundamento do individualismo e a alienação de mentes.

A pior consequência dessa estratégia ambiciosa e irresponsável é a ampliação do consumo desnecessário e irracional. Torpedeados por propagandas que ‘vendem’ um estilo de vida considerado moderno, os consumidores não hesitam em comprar o automóvel que simboliza arrojo, o celular recomendado pela protagonista da novela, o computador portátil que teria despencado 50% numa promoção... Aí entra a obsolescência perceptiva, ou seja, a impressão de que algo não serve mais porque é démodé.

Os níveis de consumo atuais são insustentáveis. Para satisfazer às necessidades artificiais da humanidade, não há outro caminho senão o uso dos recursos naturais – sinônimo de destruição da natureza e da qualidade de vida na Terra. Quanto maior o consumo, maior a produção. Mais produtos exigem mais embalagens e mais combustíveis para que as novidades cheguem às prateleiras.

Incontáveis problemas são provocados pelo consumismo sem limites. Toneladas de baterias e pilhas são descartadas inadequadamente todos os dias, contaminando o solo, a água e a vida. Atira-se tudo em latas de lixo com a ilusão de que se está jogando fora. No entanto, os frutos do consumo supérfluo só podem ser jogados dentro. Dentro de um planeta agonizante. Dentro de um futuro sombrio.

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