20 de nov de 2009

Sons da Prodarte ecoam há 30 anos


[Matéria de Jonas Costa para a Gazeta do Vale]

Foi durante uma conversa com o violonista João Argolo, em 1979, que Terezinha de Jesus Carvalho Souza teve a ideia de criar um projeto de promoção humana por meio de atividades artísticas. Ela estudava no Conservatório Estadual de Música de Pouso Alegre e sentiu-se provocada ao ouvir João descrever uma iniciativa desenvolvida por seu irmão em terras distantes. “Por que não fazemos o mesmo em Santa Rita?”, dizia a jovem idealista a amigos ligados à música.

As palavras de Terezinha começaram a ganhar eco em sua própria família – o marido e músico José Maria à frente. O entusiasmo não demorou a contagiar as filhas do casal. Em pouco tempo, estava formado um grupo disposto a levar a ideia adiante. À primeira reunião compareceram Heliana Maria Miranda, Antônio Anézio Felipe, Janete Borges Chaves, Maria Alice Baracat e outros incentivadores da cultura. Coube ao juiz aposentado e escritor Cyro de Luna Dias elaborar o primeiro estatuto do Projeto de Desenvolvimento Através da Arte. Nascia a Prodarte.

A sigla foi mantida, mas questões burocráticas provocaram a substituição de ‘Projeto de Desenvolvimento’ por ‘Associação Pró-Desenvolvimento’. A nova denominação possibilitou a inclusão da entidade entre os Pontos de Cultura do governo federal, a partir de 2006. No mesmo ano, um prédio alugado pela Prefeitura converteu-se na primeira sede da Prodarte. O imóvel residencial sofreu algumas adaptações e continua abrigando os instrumentos e sonhos da associação.

Cinco professores e 40 alunos lançam seus sons na rua do Queima de segunda a sexta-feira. São violinos, violas, violoncelos, saxofones, flautas e vozes da Orquestra Experimental da Prodarte. Entre os mestres está o saxofonista Antônio Anézio Felipe, o popular Tonico, fundador que à casa retornou em 2001. “Estou aqui porque este é um trabalho muito sério. Noto progresso nas pessoas com quem trabalho”, justifica o experiente músico.

A estudante Mônica Cássia Bernardes de Souza faz aulas de violino há apenas nove meses, mas já sente que o contato com a música erudita alterou sua relação com os sons do mundo. Já a professora Rita Helena de Souza Magalhães, assessora pedagógica da associação, percebe que a música une pessoas e transforma vidas.

Atenta a estes depoimentos, a idealizadora Terezinha Souza resumiu três décadas de trabalho voluntário com um sorriso discreto e uma curta declaração. “Valeu a pena pelo fato de termos chegado até aqui. Apesar das dificuldades, o saldo é positivo”, sentenciou a professora de cabelos brancos que fez de seu antigo sonho uma nova realidade para muitos santa-ritenses.

Foto: Jonas Costa

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