19 de dez de 2009

Luta sem classe

Três importantes reuniões aconteceram nesta semana em diferentes níveis. O planeta acompanhou as intrincadas negociações da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague (Dinamarca). No Brasil, a capital federal foi escolhida como arena de debates da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Santa Rita do Sapucaí também sediou um encontro digno de registro: a segunda reunião em menos de 10 dias para definição dos rumos do Plano Diretor Participativo (PDP). Além da simultaneidade, os três eventos revelam mais uma característica em comum, qual seja, o choque entre o poder econômico e o interesse público.

Os ricos adotaram estratégias distintas nos debates de Copenhague, Brasília e Santa Rita. Na conferência do clima, os representantes dos EUA exibiram uma tímida meta de redução das emissões de gases-estufa, bem menor que os cortes propostos pela União Europeia, Japão e Brasil. Na Confecom, em vez de ‘timidez’, os grandes empresários da mídia preferiram o boicote – ausentaram-se dos debates as associações nacionais de rádio e TV (Abert), jornais (ANJ), revistas (Aner), internet (Abranet) e TV por assinatura (ABTA). Em Santa Rita, o empresariado local adotou postura oposta e compareceu em peso à reunião, enquanto seus empregados vertiam o suor matinal.

Os meios de comunicação de abrangência nacional se ocuparão de registrar os desdobramentos de Copenhague e da Confecom, demasiado complexos para caberem num modesto editorial. Resta à imprensa santa-ritense acompanhar detidamente a fase decisiva em que o Plano Diretor entrou na última terça-feira. O prefeito Paulo Cândido da Silva sabe que, ao levar o PDP adiante, ajudará a escrever páginas indeléveis da história do município. Sabe também que não as redigirá sozinho, como repetiu em entrevista aos jornais Gazeta do Vale e O Vale da Eletrônica.

O prefeito desempenha nesse debate uma missão a um só tempo honrosa e espinhosa. Alguns empresários e produtores rurais o querem na posição de ‘magistrado’ – um eufemismo para omisso, palavra que não combina com o estilo franco e responsável do mandatário. Querem um Plano Diretor insípido, inodoro e incolor, isto é, que não prejudique seus interesses. Defendem valores liberais contra fantasmas comunistas que só existem em seus discursos falaciosos. Comportam-se como coronéis da República Velha quando dizem representar a vontade popular.

Os anticomunistas hão de concordar com Karl Marx num ponto: a luta de classes é o motor da história. E pode mover a cidade para longe das mãos de uma elite anacrônica.

2 comentários:

JP disse...

Jonas, a sociedade Santarritense ainda carrega resquícios do autoritarisno aristocrático da época dos coronéis, e isso ficou muito evidente na postura desses que você trata como empresários, assim você está generalizando, esquecendo que o verdadeiro empresário de Santa Rita é progressista como prova a nossa industria eletroeletrônica, conhecida e admirada no Brasil e no exterior.

O Prefeito Paulinho está de parabéns e tem a grande oportunidade de escrever um capitulo da história do município que poderá ser a passagem de uma sociedade aristocrática autoritária para uma sociedade democrática e aberta à diversidade de idéias, de uma cidade primária para uma cidade moderna, do jeito que sonhou Sinhá Moreira, uma democrata.

João Paulo
jpon70@gmail.com

Evandro Carvalho disse...

Tenho a certeza que o Vale da Eletrônica é bom... para os empresários. A abissal concentração de renda santa-ritense mostra o compromisso das novas atividades parasitárias. Essa gente não está nem aí com plano diretor, aquecimento global ou qualquer outra temática que não seja o faturamento. Reconheço empresários modernos sim, compromissados com a cidade, seu povo, sua vida. Mas só dá para contar nos dedos.